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O Museu das Favelas, instituição da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo e gerida pelo Instituto de Desenvolvimento e Gestão (IDG), abriu ao público no dia 27 de outubro a exposição exposição de Nenesurreal intitulada 'Antes de Surreal, Nene'. Sendo a primeira mostra individual dedicada à trajetória da artista visual, grafiteira, educadora e articuladora comunitária Nenesurreal, de 59 anos, a iniciativa amplia a presença da criadora na instituição após o impacto de sua participação na exposição 'Imaginação Radical: 100 anos de Frantz Fanon', consolidando um marco de reparação histórica e referência geracional nas artes visuais.
Diversidade técnico-poética e acervo multidisciplinar
Refletindo a trajetória e a pluralidade técnica da artista, a exposição apresenta um rico acervo multidisciplinar. Dentre os destaques, encontram-se as emblemáticas 'Cabeçudas', representações de cabeças sem feições demarcadas que rejeitam clichês de dor ou superforça, reivindicando o direito à autonomia e ao futuro. O público também pode conferir telas inéditas e esculturas elaboradas em concreto e aço cirúrgico.
Em trabalhos tridimensionais, Nenesurreal ressignifica materiais hospitalares acumulados ao longo de mais de duas décadas em que atuou como instrumentadora cirúrgica. Com curadoria de Jairo Malta, a mostra revisita mais de trinta anos de dedicação à arte, dialogando com narrativas que consagraram nomes como Alex Vallauri e reforçando os vínculos da artista com o Hip Hop da Grande São Paulo.
Legitimação da arte periférica e soberania criativa
A ocupação do Museu das Favelas atua como um ato de soberania e legitimação do direito de existência das produções periféricas no ecossistema das artes visuais. Natural de Diadema (SP), a artista tensiona a lógica de produtividade do mercado de arte ao converter as interrupções compulsórias de sua biografia em fundamento teórico e poético, afirmando a longevidade criativa de uma mulher negra no auge de sua potência produtiva.
A diretora do Museu das Favelas, Natália Cunha, enfatiza que a mostra consolida o papel do espaço como território fundamental para a visibilização de artistas essenciais. A curadoria de Jairo Malta reforça que a exposição reconhece décadas de criação, enfrentamento e transmissão de saberes, colocando a arte periférica no centro do debate estético.
Serviço e informações ao visitante
- Em cartaz até: 11 de abril de 2027
- Visitação: De terça-feira a domingo, das 10h às 17h (permanência até 18h)
- Local: Museu das Favelas — Largo Páteo do Colégio, nº 148, Centro Histórico de São Paulo / SP
- Ingressos: Entrada gratuita (retirada na recepção do museu ou pelo site)
- Classificação: Livre
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