Espaço para comunicar erros nesta postagem
Adicione nosso site às suas fontes preferidas para acompanhar nossas notícias. 📰
A emergência climática foi o tema central do 10º Congresso Brasileiro de Ciências Sociais e Humanas em Saúde (CSHS), realizado em Manaus entre 14 e 19 de setembro. A escolha da capital amazônica evidenciou a urgência de conectar o debate ambiental à saúde pública e aos direitos dos povos originários.
Durante a mesa redonda sobre territórios tradicionais, Thais Mara Dias Gomes (UFRB) denunciou os impactos da extração de petróleo na Ilha de Maré (BA). A atividade contamina os recursos pesqueiros, prejudica a subsistência de comunidades quilombolas e gera uma riqueza que nunca retorna à região afetada.
Júlio Schweickardt, da Fiocruz Amazônia, apresentou dados sobre o Baixo Amazonas. Com o uso de calendários etnográficos, pesquisadores constataram alterações drásticas nos ciclos naturais. O aquecimento prolongado já interfere diretamente nas práticas cotidianas de pesca e colheita das populações indígenas locais.
Para os especialistas, é impossível dissociar o clima de questões étnicas e territoriais. Maelison Neves (UFMT/NEAST) apontou a necessidade de superar a alienação entre humanidade e natureza. O debate exige olhar a crise a partir das bases sociais marginalizadas.
Sobre as respostas governamentais, como o plano AdaptaSUS, os palestrantes expressaram ceticismo. Críticos apontam que a articulação intersetorial ainda é frágil e que o conceito de adaptação muitas vezes mascara uma postura passiva de mera reparação de danos.
Como contraponto, Maelison destacou a força da mobilização popular. Ele relembrou o protesto de indígenas que ocuparam um terminal portuário em Santarém (PA), forçando o governo a revogar decretos prejudiciais aos rios amazônicos.
Por Gabriela Leite, Outras Palavras.
Nossas notícias
no celular
Comentários
Para comentar realize o login em sua conta!
Login Cadastre-se