Brasil e China iniciam um novo capítulo em sua cooperação bilateral com a realização de uma ação piloto do programa Caminhos do Sul Global. Liderada pelo Ministério da Igualdade Racial (MIR), uma delegação de 54 representantes brasileiros está na China para fortalecer a inclusão da população negra em áreas estratégicas como Ciência, Tecnologia, Inovação e Saúde, marcando um avanço significativo nas relações entre os países do Sul Global e do BRICS.

O programa surge com o propósito de promover a circulação de conhecimento, experiências e oportunidades entre nações do Sul Global, com foco especial nos países do BRICS. A iniciativa visa fortalecer conexões institucionais e ampliar a participação de grupos historicamente sub-representados em espaços de desenvolvimento e tomada de decisão.

Missão na China: Fortalecimento da cooperação e justiça racial

A agenda atual é um desdobramento do fortalecimento das relações entre Brasil e China, intensificadas após a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao país asiático em 2025. Essa visita impulsionou novos acordos de cooperação e abriu caminho para a construção do programa desenvolvido pelo Ministério da Igualdade Racial.

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A Missão na China é resultado de uma parceria estratégica entre o MIR e diversas instituições, incluindo:

  • O Instituto Federal de Goiás (IFG)
  • A Universidade Politécnica de Ningbo
  • O Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae)
  • O Conselho Latino-Americano de Ciências Sociais (CLACSO)

A delegação brasileira, composta por representantes governamentais, especialistas e membros da sociedade civil, tem como objetivo principal ampliar as oportunidades de cooperação, inovação e desenvolvimento para a população negra. A missão conta com a participação de representações do Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial, do Comitê Gestor do Plano Juventude Negra Viva e da Secretaria de Estado da Igualdade Racial do Ceará.

Lideranças negras em destaque no cenário global

Entre os participantes da missão está Elaine Silva, sócia da Alma Preta Jornalismo e da Notícia Preta. Para ela, a presença de lideranças negras brasileiras em espaços internacionais representa um passo importante para ampliar a diversidade nos ambientes de tomada de decisão e fortalecer a participação de afro-empreendedores nos debates sobre economia, tecnologia, inovação e desenvolvimento.

A China ocupa atualmente uma posição de destaque no cenário global, liderando avanços em áreas como infraestrutura, inteligência artificial, tecnologia e novos modelos de crescimento econômico. Nesse contexto, a participação de lideranças negras em agendas internacionais contribui para ampliar o acesso a oportunidades historicamente restritas e fortalecer conexões entre diferentes mercados, culturas e ecossistemas de inovação.

“Participar de uma missão como essa é entender que a população negra também precisa estar presente nos espaços onde o futuro está sendo pensado e construído. Estar na China, acompanhando discussões sobre inovação, tecnologia e desenvolvimento econômico, permite ampliar horizontes, criar conexões estratégicas e demonstrar que os afro-empreendedores brasileiros têm muito a contribuir para as discussões globais sobre negócios e transformação social”, afirma Elaine Silva.

Impacto e representatividade para futuras gerações

O compromisso da iniciativa com a formação e a inserção da população negra em espaços estratégicos de desenvolvimento foi reforçado pelo Secretário Nacional de Políticas de Ações Afirmativas, Combate e Superação do Racismo, Tiago Santana. Ele destacou a importância de ampliar o acesso da população negra à formação técnica, científica e cidadã em ambientes de inovação e desenvolvimento internacional.

A representatividade nesses ambientes, conforme Elaine Silva, produz impactos que vão além da presença simbólica e ajuda a construir referências para futuras gerações.

“A presença de lideranças negras em agendas internacionais ajuda a romper barreiras históricas de acesso e visibilidade. Quando ocupamos esses espaços, mostramos que a comunidade negra também pode participar das discussões que envolvem investimentos, inovação, tecnologia e desenvolvimento econômico. Mais do que representar trajetórias individuais, estamos abrindo caminhos para que mais afro-empreendedores, comunicadores e profissionais negros possam enxergar essas oportunidades como possíveis e acessíveis”, completa Silva.