Em 25 de julho, data em que se comemora o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, o Portal Geledés reuniu uma lista de sete autoras com lançamentos recentes em 2026 e relacionou essas publicações à presença crescente das mulheres negras no mercado editorial.

Escreviventes e o encontro na Kaza 123

Na edição de 2026 da FLIP (Festa Literária Internacional de Paraty), Conceição Evaristo e Eliana Alves Cruz apresentaram o livro Escreviventes, que reúne reflexões das autoras. A obra nasceu a partir de um encontro entre as duas na Kaza 123, quilombo urbano de Vila Isabel, no Rio de Janeiro.

O volume, organizado por Estevão Ribeiro, foi descrito como uma conversa íntima entre as autoras e surge também como celebração às trajetórias das escritoras: aos 80 anos de Conceição Evaristo e aos 60 anos de Eliana Alves Cruz.

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Dados de mercado e visibilidade

A pesquisa Panorama do Consumo de Livros é citada no levantamento do Portal Geledés para indicar que as mulheres negras representam 30% do total de consumidores do mercado literário, com destaque para as mulheres pretas e pardas da classe C como o maior grupo consumidor.

Com base nesses dados, a publicação do Portal propõe um reconhecimento das autoras que, em 2026, colocaram novas criações literárias no mundo e que merecem espaço nas estantes e nos leitores digitais.

As sete autoras e seus lançamentos

Calila das Mercês (Conceição do Jacuípe, BA) lançou em 2026 o primeiro romance, Nódoa, após ter sido semifinalista do Jabuti com o livro de contos Planta Oração (2022). Cidinha da Silva (Belo Horizonte, MG) publicou Quando borboletas furiosas se tornam mulheres negras: nós e os livros (2026), coleção de 16 ensaios sobre a experiência de escritoras negras no mercado editorial. Eliana Alves Cruz lançou Escreviventes (2026), em coautoria com Conceição Evaristo.

Luciany Aparecida (Jaguaquara, BA) trouxe Aziri (2026), segundo volume de uma trilogia de poemas em diálogo com fotografias de mulheres negras do século XIX. Conceição Evaristo soma a Escreviventes a Literatura negra: uma poética de nossa afro-brasilidade (2026). Maitê Freitas (São Paulo, SP) lançou o livro infantil Nsamba (2026), ilustrado por Carol Fernandes. Bárbara Carine (Salvador, BA) publicou Raça social - Uma leitura sobre a racialidade brasileira (2026).

Prêmios e trajetórias

O texto destaca também prêmios e reconhecimentos: obras citadas já receberam prêmios como o Jabuti e o da Academia Brasileira de Letras (ABL), e conquistas recentes incluem o Prêmio São Paulo de Literatura e menções em premiações nacionais.

O conjunto de lançamentos e referências reforça a presença e o protagonismo cultural negro, enquanto o Portal Geledés propõe celebrar as autoras e ampliar a visibilidade de suas obras no mercado editorial.

Foto: Geledés Instituto da Mulher Negra