Espaço para comunicar erros nesta postagem
Durante a Festa Literária Internacional de Paraty (FLIP), a Casa Poéticas Negras (CPN) reafirma, entre os dias 22 e 26 de julho de 2026, seu papel central na promoção da literatura negra, na valorização das culturas afro-brasileiras e indígenas, e no fortalecimento do debate público. Com uma programação gratuita e diversificada, o espaço se consolida como um polo de discussão sobre democracia, educação, memória e justiça social no Centro Histórico de Paraty (RJ).
A iniciativa reúne escritores, intelectuais, artistas, lideranças comunitárias, representantes do poder público e pesquisadores. Eles se encontram para abordar temas cruciais para a população afroíndigena diaspórica contemporânea.
Programação afropindorâmica amplia narrativas na FLIP
Com mais de 40 horas de atividades, a CPN propõe ampliar as narrativas presentes na FLIP. O objetivo é promover um ambiente de diálogo sobre igualdade racial, pertencimento, políticas públicas, mudanças climáticas, ancestralidade e direitos humanos.
A programação, que inclui mesas literárias e apresentações culturais, busca aproximar diferentes públicos. Ela visa também fortalecer o acesso à cultura como um instrumento de transformação social.
Destaque internacional: August H. Nimtz Jr.
O principal destaque desta edição é a participação do cientista político e professor da Universidade de Minnesota, August H. Nimtz Jr.. Ele é uma das principais referências internacionais nos estudos sobre raça, democracia, movimentos sociais e emancipação política.
Reconhecido por suas pesquisas sobre Karl Marx, Friedrich Engels, Vladimir Lenin e Malcolm X, o intelectual analisa o entrelaçamento das questões raciais e de classe nas sociedades contemporâneas. Suas contribuições ajudam a compreender os desafios enfrentados pelos movimentos negros e as estratégias que impulsionaram importantes conquistas políticas e sociais.
Autor de obras como Marx, Tocqueville, and Race in America e The Ballot, the Streets or Both, August H. Nimtz Jr. participará da mesa "Quem tem medo da liberdade do povo preto? – Políticas públicas de igualdade racial: do direito à transformação social e democracia". Ele trará à Casa Poéticas Negras uma reflexão sobre democracia, participação popular, justiça racial e os caminhos para a construção de sociedades mais igualitárias.
Diversidade de vozes no debate sobre democracia e justiça social
A programação desta edição evidencia a diversidade de vozes que hoje protagonizam o debate sobre democracia, permanência e justiça social no Brasil. Entre os convidados, destacam-se:
- A filósofa e intelectual Leda Martins, referência internacional nos estudos sobre memória, oralidade e culturas negras.
- A deputada federal Erika Hilton, liderança da pauta LGBTQIA+ e dos direitos humanos.
- A deputada federal Benedita da Silva, uma das maiores lideranças políticas do Brasil e pioneira em diversos espaços políticos.
- A pesquisadora e escritora Claudia Alexandre, que amplia o debate sobre religiões de matrizes africanas e cosmologias negras.
- O ativista Andreone Medrado, que contribui para discussões sobre diversidade, afetos e direitos da população LGBTQIA+.
- A ex-ministra da Igualdade Racial e fundadora do Instituto Marielle Franco, Anielle Franco, referência na luta pelos direitos das mulheres negras e populações periféricas.
- A secretária municipal de Meio Ambiente e Clima do Rio de Janeiro, Tainá de Paula.
- O pastor Henrique Vieira, que defende a liberdade religiosa e os direitos humanos.
A presença dessas lideranças reforça o compromisso da Casa Poéticas Negras em construir um espaço onde as diferentes dimensões da democracia – racial, de gênero, religiosa, territorial e ambiental – sejam compreendidas como indissociáveis da luta pelo direito de existir, permanecer e construir futuros.
Manifesto: "Não existe democracia sem território"
Inspirada pelo manifesto desta edição, que defende que "não existe democracia sem território", a Casa Poéticas Negras reforça a importância da preservação das memórias, dos saberes ancestrais e das experiências de povos negros, indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais. Tais elementos são vistos como caminhos essenciais para a construção de uma sociedade mais plural e democrática.
Além de promover encontros entre importantes nomes da literatura, da cultura e da política brasileira, a iniciativa também representa uma oportunidade para ampliar parcerias organizacionais, aproximar investidores sociais e fortalecer redes de colaboração voltadas ao desenvolvimento de projetos culturais e educacionais de impacto.
Casa Poéticas Negras: Um legado de transformação social
Fundada em Paraty, a Casa Poéticas Negras tornou-se referência na promoção da leitura, da literatura afro-brasileira e da educação antirracista. Ao longo dos anos, a organização tem desenvolvido ações voltadas ao fortalecimento de comunidades negras, indígenas e periféricas por meio da cultura e da formação cidadã.
Segundo a fundadora e diretora-presidente da Associação Casa Poéticas Negras, Ângela Damasceno, a participação da Casa na FLIP representa muito mais do que uma programação cultural.
"A Casa Poéticas Negras nasceu para ampliar vozes, preservar memórias e construir oportunidades por meio da cultura. Estar na FLIP é reafirmar que literatura, educação e ancestralidade são ferramentas de transformação social. Queremos que cada pessoa que passe pela Casa encontre um espaço de acolhimento, diálogo e construção coletiva de futuros mais justos, além de aproximar parceiros que acreditam na potência da cultura como agente de desenvolvimento", afirma Ângela Damasceno.
A programação contempla debates sobre democracia, igualdade racial, literatura, cosmologias africanas, memória, reparação histórica, juventude, direitos humanos e políticas públicas. Reúne convidados nacionais e internacionais em uma agenda que dialoga diretamente com os grandes temas da atualidade. Entre os participantes, estão representantes do Governo Federal, escritores, pesquisadores, artistas e lideranças sociais, consolidando a Casa Poéticas Negras como um dos principais espaços de reflexão e produção de conhecimento durante a FLIP.
Programação completa da Casa Poéticas Negras na FLIP 2026
22/07
- 19h - Território também é memória: Os saberes caiçaras e o direito de permanecer com Flávio de Araújo e Miriam Machado. Mediação Miriam Esposito.
- 20h30 - Quem tem direito ao futuro? Território, democracia e os corpos que reiventam o Brasil que não é COLÔNIA com Vaguinho de São Gonçalo e Erika Hilton. Mediação Vera da Trindade.
- 22h30 - Música - Música Popular Preta com DJ TAIRINI.
23/07
- 10h - Ler o mundo, inventar futuros possíveis: literatura, memória e formação cidadã com Geisa Lacerda e Cintia Barreto.
- 11h - De onde vêm as nossas histórias? Ancestralidade, símbolos e memórias para as novas gerações com Rui Rosa, Edu Prestes e Claudiara Ribeiro.
- 13h - Quando a palavra vira quilombo - Literatura negra, autoestima e disputa de narrativa com Noélia Miranda e Luciene Carla Corrêa Francelino.
- 14h30 - A igualdade ainda é uma promessa? Racismo, oportunidades e os custos invisíveis da desigualdade com Letícia da Silva Moura, Rosiane Rodrigues de Almeida e Michael França.
- 16h - Não existe democracia sem poder popular! - Democracia, mobilização popular e a luta contínua pela efetivação de direitos com Nádia Akawã Tupinambá e Clara Kaiowa. Mediação: Joyce Maria Rodrigues.
- 17h30 - Democracia, memória e reparação: Os caminhos da igualdade racial no Brasil com Ministra da Igualdade Racial Rachel Barros e convidados.
- 19h - Encarceramento feminino, feminicídio e direito a justiça com Mãe Flávia Pinto e Elaine Barbosa.
- 20h30 - Quem definiu quais formas de amar são legítimas? Uma conversa sobre afetos, liberdade e desobediência com Andreone Medrado.
- 22h30 - Show - Noite do Pagode 90. Venha relembrar os grandes sucessos do pagode brasileiro com o Grupo Chega Mais.
24/07
- 10h - Quem tem direito ao futuro? Café com livros com Anielle Franco e convidados.
- 11h - Quem tem direito de ocupar a cidade e ter acesso à cultura? com Marcus Galiña, Julinho Barroso e Eloá de Moraes. Mediação Iana Moreira.
- 13h30 - Ólodùmarè não é Deus, Exu não é o diabo - Quem tem o poder de nomear o mundo? com João Tokunbó Carneiro e Olùkọ́ Bàbá Ọ̀nà.
- 14h30 - Quem quebrou o mundo? Crise climática, cosmologias africanas e futuros possíveis com Claudia Alexandre e Tainá de Paula.
- 16h - Um rio de resistências - mulheres amefricanas que escreve a história do Rio de Janeiro com Fernanda Santos Araujo e convidadas.
- 17h30 - Milton Santos 100 anos: Território, cidadania e igualdade racial com Billy Malachias e Clédisson Júnior. Mediação: Isadora Bispo.
- 19h - Aquilomba Hub apresenta: Memória, Reparação e Igualdade Racial: caminhos para a transformação do Brasil com Benedita da Silva, Anielle Franco e Leda Martins. Mediação: Andreone Medrado.
- 20h30 - Jairo Pereira com Afagos e Afins encontra Os 4 Poetas Pretos: Do Belo ao Bélico - Do Afeto ao Revide com Akins Kintê, Cizinho Afreeka, Hamilton Borges e Nelson Maca.
- 22h30 - Show - Celebrando 50 anos de Djavan. Uma noite dedicada às grandes composições do mestre DJA com Paulo Bahia e banda.
25/07
- 10h - A cor das oportunidades - Raça, pertencimento e mobilidade no mundo contemporâneo com Talita Barros, Nathan Santos e Ediane Ribeiro.
- 11h - Nenhum povo nasce do esquecimento - Memória, resistência e as histórias que atravessam gerações com Eva Potiguara, Josane Silva Souza e Henrique Samym.
- 13h - O que os Orixás sabem que o mundo esqueceu? A cosmologia iorubá através de Exu, Oxum, Oxalá, Orunmilá, Olokun e Ossaim com Rogério Athayde e Martha Sales. Mediação Geisa Lacerda.
- 14h30 - MC não é bandido - Cultura, juventude negra e o direito de existir com Dani Monteiro, Pastor Henrique Vieira e Mel Duarte.
- 16h - Quem cura o mundo que nos feriu? Ancestralidade, corpo e experiências da vida com Aza Njeri e Janaína Portella.
- 17h30 - Políticas afetivas da desobediência - Afetos, gênero e as desobediências que transformam o mundo com Andreone Medrado e Isabella Marajoara.
- 19h - Como se reconstrói uma nação? Memória, literatura e pertencimento em África com Eliseu Banori, Ana Paula Tavares (Prêmio Camões) e Ondjaki.
- 20h30 - Que, tem medo da liberdade do povo preto? Raça, democracia e a disputa pelo futuro com August Nimitz.
- 22h30 - Show Samba pros Orixás: Uma experiência que conecta tradição e contemporaneidade entre o samba de raiz, os terreiros, a oralidade e as novas expressões da música popular brasileira.
26/07
- 14h - Sarau de Terreiro: Amor, afeto e memória com Jairo Pereira, Rogério Athayde e Ana Vitória.
- 16h - Show Roda de Samba: direto da Praça Tiradentes, RJ, com PEDE TERESA.
Serviço
- Evento: Casa Poéticas Negras na FLIP 2026
- Data: 22 a 26 de julho de 2026
- Local: Casa Poéticas Negras – Centro Histórico de Paraty (RJ)
- Entrada: Gratuita
- Informações: instagram.com/casapoeticasnegras
Nossas notícias
no celular