O artista Vertin lança o primeiro clipe feito todo pela inteligência artificial, acrescentando algo inédito na sua obra “Berro do Bode”, álbum musical deste ano de 2026. Em meio a essa onda de IA, ele apresenta o videoclipe dizendo: “Estamos cuidando dessa cabra, que anda o tempo, há um ano. Ela recria de maneira digital a minha própria trajetória e observa o percurso que passei até chegar aqui”. Assista ao clipe. 

O argumento, a direção e a produção do audiovisual são do próprio Vertin. Com a realização do clipe, abre-se uma questão sobre o criar e a produção artística e até que ponto essa ferramenta é boa ou má para a humanidade, diante das limitações e acessos que existem com a IA. 

“O videoclipe é como uma Matrix. O ‘Berro de Bode’, uma obra política e social, ganha agora um audiovisual 100% gerado pela IA. O lançamento já é por si só uma crítica porque veja aonde fomos chegar… Os próprios meios que usamos como ferramentas de crítica social, seja um livro, arte, música, espetáculo de teatro, filme, já são manipulados ideologicamente. Então, questiona-se tanto o momento político e o contexto social quanto a revolução. Até que ponto é revolucionário isso, pois o óbvio está posto. Já vi e ouvi comentários da elite, da academia, com visão purista da IA, falando contra, mas ao mesmo tempo vendo filmes, ouvindo músicas e acessando fotos com IA. Já as pessoas que são artistas da margem utilizam essas ferramentas para se divulgar e acessar a tecnologia”, declara. 

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O cantor e compositor, natural de Juazeiro (BA) e criado no município de Arcoverde (PE), leva a identidade dos Sertões nordestinos e raiz do interior para onde vai. “Com o couro sendo marcado e eu berrando, passei por lugares emblemáticos da história do Brasil, a história repetida de injustiça e desigualdade, assim como a cabra da I.A que observa o seu mundo saindo de Arcoverde até Recife, passa por Salvador e Brasília, aporta no Rio de Janeiro e depois se descobre sozinho em São Paulo, eu, Vertin, partir muito cedo por essas andanças tentando sobreviver em meio à realidade, a velha história da migração interna, o esticamento das raízes para ser árvore e trazer os frutos de volta para a terra”, continua Vertin. 

Além de fazer música autoral, ele atua como realizador audiovisual (direção e ator), produtor cultural e arte-educador por meio da formação em Filosofia pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Ou seja, Vertin une musicalidade, cinema e educação. 

“Eis que também fuçamos para tentar entender essas ferramentas e obviamente nos deparamos com muita limitação, sobretudo de acesso e de grana para acessar as ferramentas ideais. Sabemos das precariedades nos instrumentos de produção de artistas de classes menos abastadas, e por essa razão, falar do processo de criação, para nós, vindos da margem do país, se torna algo imprescindível”, afirma. 

Vertin tem quatro discos de carreira solo, sendo “Berro do Bode” o mais recente. O álbum traz 12 canções, uma delas com audiodescrição (AD) da capa como recurso de acessibilidade para pessoas com deficiência visual. A música-título, que é composta pela voz de Nelson Maca e por um trecho do discurso de Fidel Castro na ONU em 1960, ganha justamente o clipe gerado 100% pela Inteligência Artificial. 

“Berro do Bode é trilha e motivo de todo o trajeto dessa cabra. A canção poderia ter sido feita no tempo da ditadura ou durante o movimento das Diretas Já. Mas ao observar o mundo ao redor vamos enxergar e sentir o cheiro podre do esgoto que passa a um palmo do nosso nariz. Sabemos que a criminalidade do plenário está solta neste país. Contudo, não sou pessimista, e além disso sou poeta, gosto de poeta, sempre virá da arte, do teatro, da música, do filme, do clipe, da poesia que nunca se perde e anuncia ‘ouço os sinos, hinos finos divinos caprinos’ (na voz de Nelson Maca) e que ecoa do litoral ao sertão do Pajeú caindo como luva no sertão do Moxotó, com uma luva de guerreiro na minha mão, uma luva junto da hora e da foice para a gente cortar o mal pela raiz”, pontua.  

 Recentemente, antes do clipe “Berro do Bode”, houve o lançamento do videoclipe “Se Você Quer Saber”, que também compõe o álbum mais novo, no mês de julho.  

Música, cinema e filosofia

Os álbuns musicais de Vertin são “Filhosofia” (2012), “Pássaro Só” (2018), “O Que é Possível” (2023) e “Berro do Bode” (2026), além de reunir diversos shows ao vivo com banda e apresentações solo. Inclusive, este ano, estreou a circulação do “Berro do Bode” por Arcoverde e Caruaru (Agreste).

Já no cinema, ele vai começar a dirigir o seu primeiro longa-metragem, “Coeviacá - o incendiário”, filme contemplado no edital do Funcultura,  a ser filmado neste ano de 2026. Como diretor, assina três obras de curta-metragem: “Histórias que se cruzam” (2021), “Rio Branco e Preto” (2024) e “A Matriz” (2025). Na função de ator, o envolvimento mais recente é com o filme “Assalto à Brasileira” (2025), longa-metragem do diretor José Eduardo Belmonte e já  premiado no mesmo ano no Festival de Cinema de Belo Horizonte (MG) e no Festival de Brasília (DF). No futuro próximo, acrescentam-se os inéditos “Tempo à Faca”, obra de Ruy Guerra (de Maputo, capital de Moçambique, na África) dirigida por Diogo Oliveira (RJ), com lançamento no dia 15 de setembro de 2026, pelo Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, e “Cajueiro de Carlo” (produção  nordestina da Braig Brothers, da Bahia). 

Vertin também está em “Serra das Almas” (2024), longa-metragem do diretor pernambucano Lírio Ferreira e que conquistou o Prêmio Netflix pela 48ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, e na série “Cangaço Novo” (2023). Destacou-se também no longa-metragem "Sertânia" (2020), dirigido pelo baiano Geraldo Sarno e aclamado pela crítica especializada. Além disso, atuou também em “Big Jato” (2016), longa-metragem do caruaruense Cláudio Assis (PE), na série “3%” (2016) e nos filmes de longa-metragem “Marighella” (2019) — direção de Wagner Moura (BA) — e “As Margens de Canavieiras” (2024), além do curta-metragem “Procura-se uma Rosa” (2024), da diretora Julia Moraes (RJ). 

Como arte-educador, Vertin é o criador e realizador da oficina “Corpo, Pensamento e Música”, com o propósito de levar a filosofia para as escolas públicas a partir de vivências artístico-culturais.

Prêmios & interpretações

Pela interpretação do personagem protagonista Antão/Gavião, no filme “Sertânia”, Vertin é premiado na categoria de “melhor ator” no Festival Guarnicê de Cinema (2020), Festival Cine Jardim (2021) e no Brazinterma (2021).

Nas obras audiovisuais, o ator nordestino interpreta os seguintes personagens: Ezequiel Jovem (série “3%”); George (“Big Jato”); Estagiário do Jornal (“Marighella”); Lino (“Procura-se uma Rosa”); Jura (“As Margens de Canavieiras”); Álvaro Vaqueiro (“Cangaço Novo”); Gustavo (“Serra das Almas”);  Michel (“Assalto à Brasileira”); Loro Xavier (“Tempo à Faca”) e Carlo (“Cajueiro de Carlo”). 

Clipes

Assim como em “Se Você Quer Saber”, ele assume funções de direção e ator nos próprios videoclipes: “Pássaro Só” (2019), “Resista” (2022), “O Que é Possível” (2023) e “Maluca” (2024), em parceria com o diretor Marcus Leoni (SP). 

Produção musical & parcerias

Na função de produtor musical, sua assinatura está no álbum “Meio beat, meio banzo” (2025), da artista Tatiane Nascimento (DF), “Serumsol” (2022), obra de mesmo nome da banda pernambucana, “Mana” (2022), da artista Nega Azevedo (PE), “#ÉQueEuAndoDeÔnibus” (2018), do artista Diego Moraes (SP), “Grão de Mundo” (2016), do artista Joaquim Izidro (PE), entre outros. Ainda por cima, tem parcerias com artistas do interior de Pernambuco e da Capital, como Lirinha (Arcoverde - Sertão), Almério (Altinho - Agreste), Thera Blue (Caruaru - Agreste), Kell Calixto (Arcoverde), Olegário Lucena (Taquaritinga do Norte - Agreste), Flaira Ferro (Recife) e mais nomes nacionais, a exemplo de Marcelo Jeneci (SP).  

Brasil e mundo afora 

Com o espetáculo cênico-musical “Pássaro Só”, conseguiu levar sua arte para diversos estados do Brasil e para Portugal. Atualmente, ele está em circulação pelo Brasil apresentando “Berro do Bode”.

Ficha técnica - Berro do Bode 

Argumento e direção: Vertin

AI Cinematic Direction & Prompt Design: Lúcio Flávio Cavalcante do Nascimento

Projeto gráfico: Bianca Carvalho 

Poema “Ouço Sinos” e voz: Nelson Maca

Composição, voz, guitarras e violão: Vertin

Bateria: Kell Calixto

Contrabaixo: Lucas Crasto 

Mixagem e masterização: Janja Gomes e Estúdio Medusa (SP)

Fotos de divulgação: Silvia Feola