No dia 25 de agosto de 2026, o Fórum Itinerante de Cinema Negro (FICINE) marca uma nova fase em sua trajetória de mais de uma década com o lançamento do podcast Oferendas narrativas: polifonias negras no cinema e a estreia de seu novo portal digital. A iniciativa amplia o acesso à pesquisa sobre cinemas negros e fotografia, disponibilizando reflexões acadêmicas em plataformas de streaming e no site reformulado.

Epistemologias e narrativas sonoras

Criado por pesquisadoras, professoras e curadoras negras, o FICINE se consolidou como um centro dedicado à formação de público, crítica e pesquisa sobre o audiovisual negro. A proposta busca compreender cinematografias e fotografias em sua complexidade estética, histórica e política, afastando-se de leituras reducionistas.

O projeto Oferendas narrativas transforma trabalhos de ensino e curadoria em uma experiência de escuta reflexiva. Em vez de apresentar conclusões fechadas, a série levanta questionamentos sobre as imagens e visualidades produzidas a partir de perspectivas negras na diáspora e no continente africano.

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Programação da primeira temporada

A temporada inicial conta com cinco episódios semanais apresentados por especialistas da área. Cada capítulo aborda um eixo temático específico:

  • Episódio 1: Caminhos abertos dos cinemas negros, com Janaína Oliveira, abordando marcos fundacionais e trajetórias históricas.
  • Episódio 2: O curto-circuito temporal afrofuturista, com Kênia Freitas, explorando fabulação e imaginação de novas formas de vida.
  • Episódio 3: Pelo direito a olhar, com Janaína Damasceno, analisando as obras dos fotógrafos Walter Firmo e Gordon Parks.
  • Episódio 4: Cinemas e epistemologias negras brasileiras, com Tatiana Carvalho Costa, apresentando conceitos como QuilomboCinema.
  • Episódio 5: Um Black-ground para os cinemas negros no Brasil, com Janaína Oliveira, destacando o legado do cineasta Zózimo Bulbul.

Da pesquisa acadêmica para o público amplo

O grande diferencial do podcast é traduzir estudos universitários para a linguagem sonora. Segundo a pesquisadora Kênia Freitas, o formato permite levar pesquisas recentes para uma conversa mais aberta. Complementarmente, Tatiana Carvalho Costa, presidenta da APAN, destaca que os episódios foram estruturados como monólogos que dialogam entre si para atrair novos ouvintes.

Conceitualmente, a série dialoga com a noção de Black-ground, inspirada no pensamento da teórica Tina Campt. O conceito funciona como um terreno analítico para compreender de onde as imagens emergem, quem as produz e quais formas de conhecimento derivam das experiências negras no mundo.

Novo portal e preservação da memória

Lançado simultaneamente ao podcast, o novo site do FICINE facilita o acesso ao acervo construído ao longo da história da organização. O espaço reúne referências de filmes, textos e fotografias citados nos episódios, organizados pelo assistente de pesquisa Vinícius Dórea, além de disponibilizar a memória institucional para cineastas, educadores e leitores interessados.

Ficha técnica e produção

O podcast é uma produção original do FICINE com roteiro de Carol Almeida, Janaína Damasceno, Janaína Oliveira, Kênia Freitas e Tatiana Carvalho Costa. O projeto conta com interpretações de Guilherme Silva, produção executiva de Layla Braz, pós-produção dos Estúdios Imã e design de som assinado por Max Teixeira e Marcos Frederico.

FONTE/CRÉDITOS: FICINE (@ficinecinemanegro)