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O produtor musical Igor Babidi, de 28 anos, lançou nas plataformas de áudio a coletânea Tape do Azulão, projeto idealizado em parceria com o selo Sujoground na Zona Norte do Rio de Janeiro. Desenvolvido ao longo de dois anos, o trabalho reúne 13 artistas para explorar diversas vertentes do rap e sintetizar a forte integração do estúdio independente com a cena local.
Com quase uma década de atuação nos bastidores do hip-hop fluminense, transitando entre o underground e o mainstream, Babidi buscou na obra resgatar a espontaneidade e a amizade. O nome do álbum faz dupla referência: homenageia o home studio do produtor e o lendário cantor e compositor nordestino Azulão, expoente do baião de Caruaru.
Diversidade sonora e fusão de ritmos
Apesar de ancorada nas matrizes do rap e do boom bap, a sonoridade da mixtape expande-se por gêneros como MPB, samba, funk, jazz, soul e hip-hop eletrônico. As composições abordam a independência artística e as dinâmicas territoriais cariocas com produções orgânicas e criações espontâneas registradas durante os encontros.
A coletânea contou com a participação dos artistas Claudjin, Servo, Janvi, Samuka, Eli-Z, Yung Vegan, Athos, Rafinha No Beat, Rare Gnxt, Barba Negra, Lis MC, Conde e Seu Gerê — pai de Babidi. Segundo o produtor, o projeto firma uma ruptura com a necessidade de entregar um álbum estritamente conceitual, priorizando a diversão e a afinidade entre os músicos.
Destaques da criação e faixa a faixa
A proposta artesanal do disco se estende à identidade visual, cuja capa foi fotografada pelo próprio produtor utilizando a câmera do celular para capturar a textura de uma placa de isolamento acústico do estúdio. Entre as faixas marcantes da coletânea, destacam-se:
- Intro: Colagem de áudios com recados de amigos pedindo para visitar o estúdio.
- Azulão: Parceria com Claudjin marcante pela melodia espacial e bateria presente.
- Tempo Extra: Faixa criada de forma despretensiosa com Eli-Z a partir de cortes de vinil.
- De Novo: Experimento de funk e tamborzinho reforçado pela linha de baixo de Gabriel Azevedo.
- Como Se Fosse A Última: Beat de drumless com Barba Negra e citação ao documentário de Emílio Domingos.
- Verocai: Colaboração experimental e psicodélica com Janvi e Yung Vegan baseada na amostragem da MPB.
Consolidação no cenário independente
Com a Tape do Azulão, Babidi consolida sua pesquisa fonográfica e reafirma o papel dos estúdios independentes como polos catalisadores de inovação na música urbana. O projeto sucede o álbum “Depois Que A Água Baixou”, lançado em formato vinil em 2025 em colaboração com o coletivo Sujoground e a Rio Records.
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