A Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Agostinho Neto (UAN), em Luanda, acolheu a edição da Sankofa Angola 2026. A conferência internacional, sob o lema "Conexão Ancestral", reuniu lideranças tradicionais, académicos, investigadores, artistas e empreendedores de diversos países africanos e da diáspora, com o objetivo de discutir a memória histórica, a identidade cultural e o desenvolvimento socioeconómico.

Inspirado na filosofia Sankofa — que defende a recuperação de referências do passado para orientar o futuro —, o encontro promoveu um diálogo intergeracional. A iniciativa buscou fortalecer pontes entre a tradição e a contemporaneidade, abordando temas fundamentais para o fortalecimento da africanidade em diferentes geografias.

Reencontro entre o continente e a diáspora

O evento contou com presenças marcantes de reflexão e liderança pan-africana, como o Rei Joshua Maponga III e a Rainha Mambokadzi Aluko, provenientes do Zimbabwe. Além deles, a conferência reuniu personalidades como Simba Mteta, filho do ex-presidente moçambicano Samora Machel, e o Ancião Faia Kongo, representante da tradição Rastafari.

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A diáspora brasileira esteve oficialmente representada pelo professor Dagoberto Fonseca, líder do projecto "A Grande Travessia", acompanhado por uma comitiva de investigadores e educadores. A delegação do Reino Unido, chefiada por Kwabo Mabula, da União da Diáspora Angolana, também reforçou a dimensão internacional da reconexão cultural.

Ciência, academia e reparação histórica

A dimensão científica foi assegurada pela anfitriã Universidade Agostinho Neto. A abertura oficial contou com a vice-decana Adelina Alberto, além da colaboração técnica do sociólogo Paulo de Carvalho. Especialistas da Associação de Antropólogos de Angola e a família do escritor Maurício Francisco Caetano (Mafrano) contribuíram para debates sobre património imaterial e preservação da memória Bantu.

Paralelamente, a Associação Angolana para Reparações Históricas trouxe à discussão os impactos da escravidão e do colonialismo. O debate enfatizou a necessidade de justiça histórica e da construção de novas relações socioeconómicas com as comunidades afrodescendentes espalhadas pelo mundo.

Expressão artística e a feira de negócios

A programação integrou juventude, arte e inovação. O projecto "Raízes em Cena" apresentou uma intervenção artística focada no património linguístico angolano, utilizando três línguas nacionais:

  • Kikongo: representada pela personagem Kiala;
  • Kimbundu: representada pela personagem Capemba;
  • Oshiwambo: representada pela personagem Ndilelao.

A música esteve em destaque com performances de Vladimiro Gonga, que homenageou grandes clássicos da Música Popular de Angola, além de apresentações de Britxela Ulombe, Euclides Kamanda e do grupo TUWIZANE. Na vertente económica, a Business Expo reuniu marcas como Kindu Laboratório, Melunda e Oylanda Yeto, demonstrando o potencial comercial da medicina natural e do artesanato afrocentrado.

Síntese do movimento e planos para 2027

A experiência do encontro foi sintetizada em doze pilares conceituais que orientam a iniciativa: unidade, africanidade, identidade, humanidade, conectividade, irmandade, sociedade, universalidade, capacidade, sustentabilidade, espiritualidade e ancestralidade. O lema central reforçou o compromisso do grupo de viver o presente para construir um futuro próspero.

Devido ao calendário eleitoral em Angola, a coordenação confirmou que não haverá edição local em 2027. O movimento internacional seguirá para o Zimbabwe, entre junho e julho, e para o Brasil, em novembro. Para o mesmo ano, está previsto o projeto "A Grande Travessia", um cruzeiro marítimo entre o Brasil e Angola dedicado à reconexão histórica.

FONTE/CRÉDITOS: Repórter / Produção Editorial: Kikalakalu Kia Díbya | Daltron Costa