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A black music no pagode voltou a ganhar força com artistas da nova geração na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, tendo o cantor Coimbra, de 24 anos, como um dos principais expoentes. Nascido em São Gonçalo, o músico viralizou nas redes sociais ao reinterpretar "I’ll Be There", do Jackson 5, unindo o batucado do samba ao R&B e ao soul para construir sua identidade artística.
Do pagode escondido à transição de carreira
A relação de Coimbra com a música começou sob forte restrição familiar. Criado por mãe evangélica e pai apreciador do gênero, o jovem ouvia pagode escondido no banheiro durante a infância, período em que o estilo era visto como inadequado dentro de sua rotina doméstica.
Durante a pandemia, enquanto cursava Enfermagem e atuava na área técnica, uma perda familiar mudou o rumo de sua trajetória. O incentivo de sua tia no último Natal que passarão juntos motivou o artista a estudar canto e instrumentos, trocando a área da saúde pelos palcos.
Grandes inspirações e parcerias de destaque
A trajetória do cantor gonçalense é marcada pela proximidade com referências que ajudaram a moldar o gênero musical. O artista já teve a oportunidade de cantar ao lado de ícones que serviram como espelho de representatividade em sua infância.
Essa conexão se reflete nos seguintes marcos de sua carreira e do movimento atual:
- Parcerias de palco: Apresentações marcantes ao lado dos cantores Thiaguinho e Péricles;
- Reconhecimento de mercado: Projetos recentes de veteranos, como o álbum "Bem Black" e apresentações voltadas aos clássicos da Motown;
- Fusão estética: Resgate de influências de grupos históricos dos anos 1990, como Raça Negra, Negritude Júnior e Só Pra Contrariar.
Representatividade e nova roupagem no samba
Para o artista, a convergência entre os ritmos da cultura negra traduz uma busca por manter o pagode vivo e conectado às pautas contemporâneas. Além da mistura sonora, o cantor traz sua bagagem pessoal para o centro de sua produção.
Como homem preto, gay, casado e praticante de religião de matriz africana, Coimbra afirma que a aceitação de sua própria identidade foi fundamental para eliminar as barreiras entre o palco e o público, consolidando sua voz na cena musical atual.
Publicado por:
Ana Magal
Sou jornalista, blogueira, escritora e Assessora de Imprensa Freedom. Mas, antes de tudo, sou uma mulher que vive e resiste com TAB II — uma deficiência invisível que muita gente ainda insiste em não enxergar.
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