A cantora, poeta e ativista MC Cacau Rocha promoveu o relançamento de Bonde das Mina Livre, faixa composta originalmente há cerca de dez anos e lançada em 2017, que agora ganha uma roupagem totalmente renovada. A música nasceu da inquietação da artista ao testemunhar situações de abuso e controle vivenciadas por mulheres ao seu redor. Na letra, a artista questiona mecanismos de manipulação emocional presentes em relacionamentos abusivos e defende a união entre mulheres como forma de fortalecimento.

O lançamento marca o retorno da artista à música após seis anos afastada da cena independente. Aos 33 anos, Cacau iniciou recentemente o curso de Direito na Universidade de São Paulo (USP), somando sua trajetória acadêmica e artística ao ativismo pelos direitos das mulheres, que inclui passagens por coletivos feministas e elaboração de políticas públicas municipais.

Mistura de ritmos e participações especiais

A nova versão da faixa combina funk paulista, mandelão e poesia slam a elementos de música clássica. O arranjo de violino é assinado pela Violinista Chavosa, mulher funkeira responsável por dar o tom clássico à produção. O projeto conta ainda com colaborações de peso da cena urbana:

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  • MC Mano Feu: referência no funk lésbico de São Paulo e no gênero denominado funk sapatão.
  • Nina Barbosa: poeta que recita versos potentes sobre a batida pesada.
  • Professora Adrianinha: responsável pelos arranjos de berimbau, representando o Grupo de Capoeira Trilogia.

A produção musical é assinada pela Pela Arte Music, com direção musical de Kiko de Sousa e Matheus MXM. Kiko, produtor e multiinstrumentista, também atuou na direção musical do filme Medida Provisória, dirigido por Lázaro Ramos.

Videoclipe exalta o protagonismo feminino na quebrada

O lançamento chega acompanhado de um videoclipe com direção criativa da própria Cacau Rocha. O audiovisual coloca mulheres como protagonistas em uma laje da periferia, reunindo cenas de instrumentalização, canto, dança de funk passinho, pintura da bandeira do Bonde das Mina Livre e capoeira. O registro também valoriza empreendedoras periféricas especializadas em tranças e celebra momentos de convivência com um churrasco em família. A coreografia é assinada por Trindade, professora e intérprete-criadora da Coletiva AfrontU.

Além do impacto cultural, a trajetória da faixa ultrapassa a música e já foi objeto de estudo em três pesquisas acadêmicas voltadas para discussões sobre gênero, violência e produção cultural, consolidando o legado da obra na sociedade.

FONTE/CRÉDITOS: Ouça aqui: https://youtu.be/mKRz5GDw8LI