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O domingo foi deles. No último dia 12 de julho, os formandos de Design de Moda da Universidade Veiga de Almeida (UVA) transformaram o Museu Histórico da Cidade, na Gávea, em passarela para o Desfile de Conclusão de Curso de 2026. Foram 50 coleções autorais, 100 looks exclusivos e cerca de 800 pessoas acompanharam o evento.
O tema que guiou as criações foi "O que nos alimenta?", uma provocação que foi muito além do prato. Cultura, memória, identidade, religião, afeto e experiências de vida serviram de ponto de partida para cada formando construir sua proposta criativa. O resultado mostrou a diversidade da moda contemporânea e a pluralidade de quem a faz.
Quando a moda encontra a história
Antes mesmo do primeiro look entrar em cena, os convidados puderam conhecer o patrimônio histórico que serviria de cenário para o desfile. Eles foram recebidos com uma visita guiada pelos espaços históricos, a capela e as exposições de arte contemporânea que integram o acervo do lugar. Para muitos, especialmente os familiares dos alunos, foi a primeira vez que entravam em um museu. O desfile acabou proporcionando também uma experiência cultural completa antes mesmo de começar.
A programação seguiu com uma apresentação institucional do projeto e, em seguida, a passarela ganhou protagonismo. A programação foi dividida em duas etapas de apresentações com um intervalo para o público circular, conversar e interagir com os formandos. A cerimônia de premiação encerrou a noite, coroando os destaques entre as 50 coleções apresentadas.
A pró-reitora da Universidade Veiga de Almeida (UVA), Tatiana Araújo de Lima, estava lá e destacou o nível técnico apresentado pelos alunos. "Foi um espetáculo, porque consolida tudo que eles vieram aprendendo ao longo do curso, trazendo muita inovação, tecnologia e produtos de qualidade, fechando com chave de ouro", disse. Ela também não deixou passar a ousadia da turma ao realizar, pela primeira vez, um evento fora dos muros da universidade: "Foi a primeira vez que fizeram um desfile fora da Veiga e com tanto rigor e critério em tudo o que apresentaram."
Novos profissionais prontos para o mercado
O professor e coordenador do curso de Design de Modas do Campus Tijuca da UVA, Eli de Jesus, acompanhou de perto cada etapa da noite e não escondeu o orgulho do que viu. "É sempre surpreendente. A gente vê o profissionalismo, a criatividade e todo o desempenho técnico que eles desenvolveram ao longo de um ano", contou. Segundo ele, a jornada foi longa: seis meses dedicados à pesquisa e outros seis para executar as coleções. Um ano inteiro de desenvolvimento transformado em coleções que refletiam identidade, técnica e criatividade.
"A gente vê eles aplicando tudo que aprenderam em sala de aula. Materiais alternativos difíceis de trabalhar, e muito bem executados", completou o professor. No palco do Museu Histórico, o trabalho de conclusão ganhou outra dimensão: virou portfólio e marcou o primeiro passo da carreira desses novos profissionais.
Entre os destaques da noite, Miguel Moretti, de 31 anos, conquistou o principal prêmio do evento. Inspirado no modernismo brasileiro, ele mergulhou nas formas geométricas, na simetria e numa aposta técnica que chamou atenção: a combinação de palha com algodão e linho. "Espero que as pessoas possam se identificar com a marca que quero construir e com a identidade visual", disse o novo designer de modas ao receber o prêmio, já de olho no que vem a seguir.
A força por trás do desfile
Organizar um desfile de moda no Rio de Janeiro não é tarefa simples. Fechar um espaço histórico, coordenar 50 coleções, articular parceiros, montar uma estrutura para 800 convidados e ainda garantir que tudo acontecesse com rigor e beleza exige muito mais do que boa vontade. Exige meses de planejamento, negociação, jogo de cintura e uma determinação difícil de encontrar em quem ainda está na reta final da graduação.
Foi exatamente isso que fizeram os formandos Brendon Moraes e Luiza Falcão, anfitriões e principais organizadores do evento. Foram eles que lideraram a produção do desfile do começo ao fim, costurando cada detalhe para que a noite acontecesse como foi. O reconhecimento e o empenho dos dois deve ser destacado, afinal, o evento só se tornou possível graças ao comprometimento e ao trabalho que colocaram nessa iniciativa.
O resultado ficou à vista de todos que estiveram no Museu Histórico da Cidade naquele domingo. Brendon e Luiza entregaram um evento que ficará marcado na trajetória de toda a turma, e que mostrou o que uma nova geração de designers de moda é capaz de fazer quando decide ir além da sala de aula.
Parcerias, sustentabilidade e agradecimentos
O desfile foi certificado como um evento 100% descarbonizado. Todas as emissões de gases de efeito estufa geradas na realização do evento foram calculadas e compensadas por meio de créditos de carbono, em parceria com a ENGIE, reforçando o compromisso da iniciativa com uma moda mais consciente. A Cruz Vermelha também esteve presente, com cerca de 20 voluntários atuando em primeiros socorros, orientação ao público e apoio geral durante toda a programação.
A viabilização do espaço contou com o apoio do Secretário de Cultura Lucas Padilha e de sua equipe, além da articulação fundamental de Emanuel Barbosa, sem os quais o Museu Histórico da Cidade não teria se tornado a passarela da noite. A premiação reuniu parceiros que acreditaram nos novos talentos: a Universidade Veiga de Almeida ofereceu uma bolsa integral de pós-graduação ao primeiro colocado; a EnModa disponibilizou mentoria de carreira, acesso a cursos e à plataforma Carreira Fashion para os demais destaques; e a fotógrafa Julia Barbosa presenteou um dos vencedores com um editorial de moda profissional.
Mais do que uma avaliação acadêmica, o desfile marcou a entrada desses 50 novos profissionais no mercado da moda criativa, com visibilidade para suas coleções e aproximação com o setor da moda.
Publicado por:
Ana Magal
Sou jornalista, blogueira, escritora e Assessora de Imprensa Freedom. Mas, antes de tudo, sou uma mulher que vive e resiste com TAB II — uma deficiência invisível que muita gente ainda insiste em não enxergar.
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