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Entenda a diferença entre racismo institucional e racismo estrutural

Cultura

Entenda a diferença entre racismo institucional e racismo estrutural

Seminário on-line e gratuito reúne pesquisadores com proposta de levar o tema para além da comunidade acadêmica e aproximar a população do debate

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O racismo estrutural está presenta no dia a dia da população brasileira e as denúncias de atos racistas ganham cada vez mais visibilidade. Entretanto, o racismo institucional, aquele que ocorre no interior das instituições públicas e privadas de diferentes setores, ainda é um termo relativamente novo e desconhecido para boa parte da sociedade, mas impacta diretamente milhões de brasileiros. Em 15 de agosto, a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) fará um seminário sobre racismo institucional com o objetivo de levar o debate sobre o tema para além dos estudantes e pesquisadores, extrapolando a comunidade universitária e aproximando a universidade da população.

O racismo estrutural são comportamentos individuais advindos de uma sociedade racista, cujo preconceito referente a pessoas negras é a regra e não a exceção. É uma convenção social que dá significado à forma como lidamos com o outro a partir de construções sociais pré-concebidas. É uma relação s,ocial onde é possível observar desiquilíbrios nas relações sociais com base na cor da pele.

“Dentro dessa leitura de hegemonia a gente tem um grupo que domina o outro a partir dessa ideia de raça. Então, a gente vai construindo esses matizes da desigualdade social, é uma característica de toda a sociedade que vai isolando um grupo em detrimento do outro”, explica a professora Fernanda Barros, formada em Ciências Sociais, mestra em História Comparada e doutora em Ciências Políticas que irá comandar o Seminário Racismo Institucional.

O que é racismo institucional?


Uma vez que as instituições são formadas por pessoas que estão inseridas nessa sociedade racista, os grupos que estão no poder, que de forma geral são homens brancos, mobilizam mecanismos institucionais para impor seus interesses políticos, econômicos culturais e sociais, levando o racismo estrutural para dentro das instituições.

“O racismo institucional nem sempre é evidente, ele é muito difícil de ser observado e ser de fato enquadrado. Ele é menos evidente, é muito mais sutil, menos identificável em termos de indivíduos específicos que cometem os atos e recebe muito menos condenação pública”, afirma Fernanda.

Racismo institucional é crime?

Muitas vezes atos de racismo em ambientes institucionais são deslocados para assédio moral ou assédio sexual, mas que no fundo foram motivados pelo racismo. Atualmente não existe uma legislação especifica para punir o racismo institucional.

A criação de uma legislação que criminalize o racismo institucional levaria à punição não apenas do indivíduo que realizou o ato de racismo, como também à responsabilização da instituição pelo fato ter ocorrido em nome da organização ou possibilidato por mecanismos que coloquem os funcionários negros em posição desfavorável.

O que fazer em caso de racismo institucional?

O ideal é que a pessoa que sofreu o racismo institucional procure a delegacia de crimes raciais mais próxima, Ministério Público ou o sindicato da sua profissão para denúncia. Também deve procurar o setor de RH da empresa e reportar o ocorrido.

“O importante é que essa pessoa não se cala, seja em qual esfera ela esteja. Seja na área pública, na área privada, em qualquer âmbito, em qualquer instituição ela esteja, justamente pelos danos psicológicos que isso causa a essa pessoa, como medo, vergonha, dor, entre outras coisas”, defende Fernanda.

“A partir do momento que eu observo que uma pessoa está sofrendo um ato racista é necessário que eu seja uma voz somada junto a elas, que eu tenha não só um momento de fraternidade, mas que eu empunhe uma voz junto com ela, que haja uma cobrança coletiva dentro daquela instituição a respeito daquele caso”, diz Fernanda.

Serviço

Dia: 15/8, segunda-feira

Horário: 14h

Local: Online, no canal Relações Étnico-Raciais, no YouTube

FONTE/CRÉDITOS: Izabella Caixeta* - Estado de Minas
FONTE/CRÉDITOS (IMAGEM DE CAPA): (crédito: Nia Wilson)
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