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Em 2019, a Igreja da Inglaterra investigou as origens de um fundo criado em 1704 e concluiu que parte dos recursos vinha de fortunas associadas ao tráfico de africanos. A instituição pediu desculpas públicas e anunciou um compromisso de £100 milhões com a reparação histórica, destinada a projetos liderados por comunidades negras na diáspora.
Auditoria forense e ligações empresariais
A auditoria forense apontou que o fundo recebeu doações provenientes de fortunas atribuídas ao tráfico de pessoas e também aplicou recursos na South Sea Company, empresa ligada ao transporte de pelo menos 34 mil escravizados. O fundo em questão havia sido criado pela rainha Anne em 1704 para apoiar o clero pobre.
Com base nesse levantamento, a igreja tornou público o pedido de desculpas e detalhou o valor reservado para ações de reparação, anunciando que os recursos seriam investidos e doados a iniciativas lideradas por comunidades negras nos países da diáspora africana.
Contestação judicial e outros exemplos de reparações
Apesar do anúncio, a própria igreja confirmou que o fundo enfrenta contestação judicial e que a aplicação dos recursos pode demorar mais do que o previsto. A disputa legal deve afetar prazos e a forma como os recursos serão alocados.
No movimento global por reparações, instituições como os jesuítas americanos, a Universidade de Glasgow e o jornal Guardian também anunciaram fundos e compensações; no Brasil, pressionada por um inquérito do MPF, a Caixa Econômica identificou 158 cadernetas de poupança abertas por escravizados no século 19, valores que nunca foram sacados nem devolvidos às famílias.
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