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Nesta quarta-feira (4), o Palácio Itamaraty, em Brasília, marcou um momento histórico ao dar posse aos primeiros diplomatas indígenas do Brasil, Marcelo Kariri Menezes e Idjahure Terena, junto a uma ingressante quilombola. A inclusão inédita no Instituto Rio Branco reflete o avanço das políticas de ações afirmativas na diplomacia nacional.

Os novos alunos aprovados no Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata (CACD) integrarão a turma de formação com duração de 2026 a 2028. Entre os cerca de 60 aprovados, quase metade pertence a grupos subrepresentados, incluindo 17 pessoas negras e sete pessoas com deficiência.

A nova turma também registra a maior proporção de mulheres da história da instituição, alcançando 45% do total de ingressantes. O avanço é fruto de diretrizes ligadas ao Estatuto da Igualdade Racial e a reinvindicações históricas dos movimentos sociais.

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Diversidade como pilar institucional

Durante a solenidade, a ministra interina das Relações Exteriores, Maria Laura da Rocha, ressaltou que a posse representa um ato de resistência e um passo crucial para que o corpo diplomático reflita a verdadeira composição da sociedade brasileira.

Para fortalecer essa inclusão, o Ministério das Relações Exteriores expandiu o Programa de Bolsa-Prêmio de Vocação para a Diplomacia, contemplando também indígenas, mulheres de baixa renda e pessoas com deficiência.

O ministro dos Povos Indígenas, Eloy Terena, definiu a cerimônia como a concretização do conceito de "Aldear o Estado". Segundo ele, a presença de lideranças originárias em cargos técnicos fortalece a representatividade do Brasil perante o mundo.

O escritor e imortal da Academia Brasileira de Letras (ABL), Ailton Krenak, esteve presente como convidado de honra e destacou que a presença de familiares na solenidade rompeu com a tradicional frieza das cerimônias institucionais.

Trajetória dos novos diplomatas

Engenheiro elétrico pela UFCG e autor de livro infanto-juvenil, Marcelo Kariri Menezes relembrou as barreiras históricas enfrentadas por sua família e ressaltou o papel transformador da educação em sua jornada até a carreira diplomática.

Já Idjahure Achkar Terena, doutorando em Antropologia Social pela USP e filho do primeiro ator indígena do cinema nacional, pontuou que ingressar na diplomacia significa combater um histórico de exclusão para construir um futuro com plena diversidade étnica.

Conforme dados do IBGE de 2022, o Brasil abriga 1,2 milhão de indígenas de 391 etnias, além de 92,1 milhões de pessoas negras. A ampliação do acesso a órgãos como o Itamaraty busca reparar lacunas históricas na representação desses povos.

Fonte: Agência Brasil / EBC.

FONTE/CRÉDITOS: Washington Andrade