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Salvador - O Muncab – Museu Nacional de Cultura Afro-brasileira, reaberto recentemente na cidade de Salvador, ficou lotado na noite de quarta-feira, 31, para o lançamento do novo livro da jornalista paulista, Claudia Alexandre. O evento contou com um bate-papo conduzido pela prefaciadora da obra, a também escritora Núblia Regina Moreira, professora titular da UESB e coordenadora do Grupo de Pesquisa Oju-Obinrín - Observatório de Mulheres Negras. Na abertura o empresário e criador da Livraria e Editora Katuka , Renato Carneiro, falou da importância de se investir em títulos de autores e abordagens sobre a diáspora negra.
Também estiveram presentes o artista visual e compositor Raimundo Bida; o jornalista Marcos Rodrigues; Iyalorixá Osvaldina, do Obá Omi Del'Oyá; o mestre Augusto, de capoeira angola; o artista visual Alexis Peskine; a estilista Mônica Anjos; a empresária Rosane Dias, da Oticasil; o ator e afro-chefe Jorge Washinton, do Bando de Teatro Olodum e as gestoras do Muncab, Cintia Maria e Jamile Coelho, entre outros. Por conta da semana das festividades para o 2 de fevereiro, Dia de Yemanjá, muitos turistas aproveitaram para prestigiar o evento como a produtora Vanessa Francisco (GNT), a atriz Sheila Leoneli, o sociólogo Fábio Mariano e o babalorixá e escritor Rodney William (Ilê Oba Ketu Axé Omi Nlá), de São Paulo.
O encontro reuniu um público interessado na temática pouco conhecida sobre a inserção de Exu na formação dos candomblés considerados fundantes no Brasil: Terreiro da Casa Branca , Terreiro do Gantois e Ilê Opó Afonjá. Casa Branca Além de celebrar resistências das primeiras mulheres de terreiros, o livro surpreende ao abordar sobre a masculinização, demonização e tensões de gênero que alterou a concepção yorubá de que Exu possui muitas representações femininas.
Ao mesmo tempo que insere registros e informações sobre as experiências e protagonismo de mulheres negras – africanas, escravizadas, alforriadas, libertas, que resistiram as opressões patriarcais para manter suas práticas ancestrais, a obra questiona sobre representações femininas de Exu que não foram inseridas na definição do corpo das tradições yorubá-nagô dos primeiros candomblés na Bahia. Com um detalhado levantamento destaca alterações na relação com o orixá Exu, que na iorubalândia (Nigéria, Benin, Togo...) é representado por figuras em pares – macho e fêmea, que não se popularizaram no Brasil.
O livro Exu-Mulher e o Matriarco Nagô é fruto da tese de doutorado defendida em 2021, considerada a melhor tese do ano e indicada para o Prêmio Soter de Teses, ficando em segundo lugar.
Claudia Alexandre também possui uma vasta produção sobre sambas e escolas de samba de São Paulo e é autora do livro-dissertação “Orixás no Terreiro Sagrado do Samba: Exu e Ogum no Candomblé da Vai-Vai”, também pela Editora Aruanda/Fundamentos de Axé.
Ficha Técnica
Título: Exu-Mulher e o Matriarcado Nagô: sobre masculinização, demonização e tensões de gênero na formação dos candomblés
Editora: Editora Aruanda/Selo Fundamentos de Axé - RJ
Ano: 2023
Autora: Claudia Alexandre (Instagram: @claualex16)
Prefácio: Nubia Regina Nogueira
Coordenação Editoral: Aline Martins
Capa: Amanara
Páginas: 464
ISBN: 978-65-97708-19-5
Contato/vendas: www.editoraaruanda.com.br
Salvador (BA) – Livraria Katuka Africanidades – Praça da Sé, 1 – Centro Histórico
Publicado por:
Claudia Alexandre
Jornalista, comunicadora de Rádio e TV. Especialista em expressões culturais afro-brasileiras; samba. escolas de samba e religiosidades de matrizes africanas, com interesse na presença de mulheres negras nestes territórios.
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