Reconhecida como uma das mulheres mais poderosas do Brasil pela Forbes, a empresária e investidora Monique Evelle apresenta ao público um lado ainda pouco explorado de sua trajetória no livro “Viagens que a gente não faz por agenda, faz por amor”. Longe de um manual de negócios ou de uma narrativa centrada exclusivamente em carreira, a obra aposta na vulnerabilidade como força e propõe uma reflexão sobre afeto, equilíbrio e liberdade emocional.

Conhecida por sua atuação no ecossistema de inovação e por uma trajetória que rompeu barreiras sociais e raciais, Monique construiu sua imagem pública associada à força, estratégia e liderança. No entanto, no livro, ela desafia esse imaginário ao colocar o amor romântico no centro da narrativa. A autora sinaliza essa virada ao afirmar que mulheres como ela também falam de amor, contrariando expectativas que costumam silenciar esse tipo de experiência. “Eu poderia ter escrito mais um livro sobre negócios, mas quis escrever sobre o que sustenta tudo isso quando o trabalho acaba”, afirma.

A obra parte de experiências pessoais para discutir o amor romântico sem abrir mão de temas como autonomia e identidade. Ao falar sobre o relacionamento com Lucas, que também é seu sócio em parte dos negócios, Monique traz reflexões sobre convivência, limites e equilíbrio. “Nem tudo precisa ser dividido o tempo todo. A gente constrói junto, mas também preserva o que é de cada um”, explica.

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Outro ponto importante do livro é a quebra de expectativas sobre mulheres negras em posição de destaque. Monique recusa a ideia de que sua história precise estar sempre ligada à dor ou à superação extrema. “As pessoas esperam que a gente fale só de luta. Eu também quero falar do que me faz bem, do que me acalma, do que me faz ficar. Não é só a dor que nos une”, diz.

Ao longo da narrativa, ela também questiona a forma como o sucesso feminino é visto, especialmente quando envolve afeto. “Parece que, quando uma mulher cresce, ela tem que abrir mão de alguma coisa. Eu não acho que precisa ser assim”, afirma.

A decisão de abordar o amor como tema central não veio sem inseguranças. Figura pública e referência para muitos jovens, Monique reconhece o desafio de se expor de forma mais sensível. “Escrever esse livro foi mais difícil do que qualquer projeto que eu já toquei. Porque aqui não tem estratégia, tem verdade”, conta.

A obra se estrutura como um conjunto de relatos que atravessam temas como separação física, continuidade de vínculos e as formas de manter relações em contextos de mobilidade, ampliando a proposta da autora de refletir sobre o amor para além do óbvio.