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No Congresso Nacional das Escolas de Samba (CONASAMBA), líderes femininas de destaque no universo do samba se reuniram no Encontro Nacional das Mulheres do Samba para um debate emocionante sobre o protagonismo e a liderança feminina no Carnaval. O evento, que contou com a presença de figuras proeminentes da folia brasileira, visou celebrar e discutir a atuação essencial das mulheres na organização e sustentação das escolas de samba, muitas vezes em papéis que vão além dos holofotes.
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Participantes em destaque
O encontro foi mediado por Débora Eloisa Justino, que atua como Diretora Financeira da União das Escolas de Samba Paulistanas (UESP) e Diretora Institucional da FENASAMBA. Ela esteve acompanhada por um time de líderes inspiradoras:
- Solange Cruz, presidente da Mocidade Alegre (São Paulo)
- Edleia dos Santos, presidente da União das Escolas de Samba Paulistanas (UESP) entre 1993 e 2009 e celebrada como “eterna presidente” da instituição
- Lana Flores, presidente da Protegidos da Princesa Isabel (Porto Alegre)
- Maria Elisa Abreu, presidente da Liga das Escolas de Samba de Minas Gerais (Liga-MG)
- Odette Carvalho, fundadora do Império de Casa Verde (São Paulo), embaixadora do samba paulistano e idealizadora do Instituto Evaristo de Carvalho
- Tatiana Souza, presidente da Liga das Escolas de Samba de Florianópolis (LIESF)
Lembranças, comando e a força feminina
As falas iniciais das participantes ofereceram um panorama valioso sobre suas trajetórias e a relação intrínseca com o universo carnavalesco.
Edleia dos Santos, conhecida como Leia, iniciou relembrando sua vasta experiência em escolas de samba, demonstrando a profundidade de sua conexão com a folia.
Solange Cruz, presidente da Mocidade Alegre, enfatizou a importância da presença feminina: “A mulher tem que ter todo espaço. Não tem do jeito que a gente mereceria, mas a gente vai se infiltrando e participando. Quero saber tudo o que está acontecendo, falo tudo que tenho que falar. É assim que vamos galgando e ganhando espaços. Não tem outro jeito de ser a não ser se posicionar”, afirmou Solange, destacando a necessidade de proatividade.
Maria Elisa Abreu, presidente da Liga-MG, trouxe à tona um ponto crucial: o papel invisível das mulheres nos bastidores. “Durante muitos anos, as mulheres foram a força que sustentavam as escolas de samba nos bastidores: organizavam, costuravam, acolhiam, administravam e faziam o Carnaval acontecer – mas, muitas vezes, elas não participavam das mesas de decisões”, pontuou. Ela brincou sobre ser “chata” para garantir a organização, ressaltando a eficácia da mulher em posições de gestão.
Tatiana Souza, recém-empossada presidente da LIESF, compartilhou sua trajetória na Consulado e apresentou planos ambiciosos, como a criação do instituto “LIESF do Amanhã”, focado na formação e capacitação de crianças para o samba ao longo do ano.
Lana Flores, presidente da Protegidos da Princesa Isabel, descreveu a presidência como um grande desafio para as mulheres, exigindo multitarefas e dedicação total. “Mulheres fazem tudo ao mesmo tempo, e imagine o que é pegar uma escola de samba e fazer tudo. Pagar a conta de água, de luz, de internet, ver lixo, ver banheiro, plantar árvore, fazer a manutenção dos espaços, todos os BOs… toda essa questão social nós temos que ter com a escola tal qual temos na nossa casa”, exemplificou Lana, que já desempenhou diversas funções na agremiação.
Dona Odette Carvalho, fundadora do Império de Casa Verde e embaixadora do samba paulistano, emocionou-se ao ver a força feminina na liderança, lembrando as dificuldades enfrentadas pelos pioneiros do samba. Ela também destacou sua pesquisa sobre a Ala das Baianas, um tema que aprofunda em um futuro livro.
Diálogos sobre persistência e reconhecimento
Débora Eloisa Justino, a mediadora, compartilhou uma experiência recorrente na UESP: ser confundida com a secretária do presidente. “Quando chega numa roda da diretoria, algumas pessoas cumprimentam todos os homens e me deixam por último. Nada contra, mas sempre pensam que eu sou a secretária do presidente. Aí o Alexandre Magno, o Nenê, presidente da UESP, aponta para mim e fala que eu sou a diretoria financeira da instituição. Eis que eles reagem como se aquilo fosse o fim do mundo. Por quê? Mulher pode ser o que ela quiser e onde ela quiser”, afirmou, ressaltando a importância de desconstruir preconceitos.
Solange Cruz foi incisiva na defesa dos direitos femininos, declarando: “Não queiram abaixar a nossa voz nem não deixar a gente não participar daquilo que é um direito nosso. Como mulher, isso me incomoda muito – mas não me cala”. Sua fala reforçou a necessidade de as mulheres se posicionarem e serem ouvidas.
Tatiana Souza trouxe uma reflexão poética sobre a canção “Não Deixe O Samba Morrer”, interpretando-a como um chamado interno para a comunidade. Ela celebrou o fato de a LIESF ser liderada por uma mulher pela primeira vez em vinte anos, enfatizando que “as mulheres precisam se ver nesses lugares”, pois são elas que frequentemente constroem o Carnaval, mesmo sem levantar os troféus.
Maria Elisa Abreu revisitou uma memória de infância, quando, aos cinco anos, sonhou em “ser dona” do Carnaval, sendo desencorajada. Em 2011, ao ser nomeada Diretora de Carnaval, ela se orgulhou de ver a pessoa que a havia repreendido testemunhar sua conquista, um testemunho de persistência.
Lana Flores descreveu a tensão da sirene do desfile, um momento de alívio e incerteza para o presidente. “Parece que tudo vai desabar, mas sou eu quem estou ali, a escola vai andar e tudo aquilo fui eu quem fiz”, desabafou, revelando sua paixão por “resolver problemas” e a aversão a “dramas” na gestão.
Edleia dos Santos recordou o momento em que assumiu a presidência da UESP, superando ceticismo e desafios, inclusive com um filho recém-nascido. Sua história incluiu episódios de firmeza contra manipulações e a famosa “sapatada na porta”, que se tornou parte do folclore do samba paulistano, simbolizando sua autoridade e determinação.
Dona Odette Carvalho concluiu o encontro resgatando a rica tradição das baianas, fruto de suas pesquisas aprofundadas. Ela explicou as três qualidades das baianas (vendedora de acarajé, mãe de santo e sambista) e o significado do giro da baiana, que, segundo aprendeu em Alagoas, serve para atrair bons fluidos e espantar os maus, conectando a dança à espiritualidade e à história do samba.
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