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O grupo e espaço O Poste Soluções Luminosas, do Recife/PE, realiza a semana do “Teatro Preto de Candomblé” (TPC), de 22/09 (terça-feira) a 26/09 (sábado), no Espaço O Poste, com encontros artístico-culturais, apresentações de espetáculos de teatro, palestras, pesquisas e compartilhamentos de ideias. A protagonista das vivências é Fernanda Júlia, conhecida como Onisajé, natural de São Paulo e radicada há 35 anos no município de Alagoinhas/BA (interior na divisa entre Agreste e Litoral Norte do estado da Bahia). Pela primeira vez no Espaço O Poste, ela chega a Pernambuco acompanhada por Mãe Rosa de Oyá, yalorixá do Ilê Axé Oyá L’adê Inan, que fica no bairro do Ferro Aço (cidade de Alagoinhas) e é reconhecido como Ponto de Cultura.
Onisajé é diretora teatral, encenadora e dramaturga, além de doutora em Artes Cênicas pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), com a realização da pesquisa/tese “Teatro Preto de Candomblé: uma construção ético-poética de encenação e atuação negras”. Além disso, é mestra em Artes Cênicas com a defesa da dissertação “Ancestralidade em cena: Candomblé e Teatro na formação de uma encenadora”.
Na periferia onde está o Ilê Axé Oyá L’adê Inan, ela desenvolve e realiza ações sociais e afirmativas juntamente com Mãe Rosa de Oyá e as pessoas da própria comunidade. Dentro do terreiro, faz orientação espiritual, a partir da iniciação candomblecista, e ao mesmo tempo incentiva as artes cênicas por meio da ancestralidade, educação e cultura.
“A palestra sobre ‘Teatro Preto de Candomblé: uma construção ético-poética de encenação e atuação negras’ trata-se da exposição da minha pesquisa poético-estética. A tese nos mostra o candomblé como centro epistemológico (área da filosofia que estuda a origem, a natureza, os métodos e os limites do conhecimento humano) de criação artística”, destaca Onisajé, que no Ilê Axé Oyá L’adê Inan tem a função de Yakekerê (mãe pequena, segunda sacerdotisa do terreiro).
Criadora do Núcleo Afrobrasileiro de Teatro de Alagoinhas (NATA) — existe desde 1998 na cidade de Alagoinhas —, Onisajé atuou como diretora do grupo durante 20 anos (1999 a 2019). Ela também reúne artigos sobre teatro negro publicados nas revistas especializadas. Atualmente, compõe o grupo de pesquisa “PÉ NA CENA – Poéticas de Atuação e Encenação”, do Diretório dos Grupos de Pesquisa do CNPq, sediado na Escola de Teatro da UFBA, onde atuou como professora.
Com a presença e olhar de Onisajé, O Poste também apresenta espetáculos autorais de teatro, como “Maria Preta” (atuação: Cecília Chá, Larissa Lira, Sthe Vieira e Thallis Ítalo, que são do Núcleo O Postinho), “A Receita” (atuação solo: Naná Sodré), “Longussu Xenupre Dudu Yatílhade” (atuação: Agrinez Melo, Naná Sodré e Samuel Santos) e “Ombela” (atuação: Agrinez Melo e Naná Sodré). Todas essas peças teatrais têm direção de Samuel Santos, que juntamente com Agrinez Melo e Naná Sodré formam o grupo e espaço pernambucano autoral O Poste.
Inclusive, Onisajé contribui com a assessoria da pesquisa de “Longussu Xenupre Dudu Yatílhade” e a presença no Prêmio Leda Maria Martins, conquistado pelas atrizes Agrinez Melo e Naná Sodré como melhor atuação na peça “Ombela”, no ano de 2025. A semana de encontros “Teatro Preto de Candomblé” é fruto do projeto “Luz negra: o negro em estado de representação”, realizado com fomento da Fundação Nacional de Artes, entidade vinculada ao Ministério da Cultura do Governo Federal.
"Vamos sentir e ver de perto as peças de teatro do espaço e grupo O Poste, compostas por narrativas e perspectivas de identidade racial, gênero e classe social. As atividades dialogam diretamente com a coletividade e as pautas das culturas afro-brasileiras, afro-indígenas e de matrizes africanas. Essa semana de encontros e vivências valoriza e fortalece os povos negros, indígenas e ancestrais, assim como a juventude”, afirma Onisajé.
Vale dizer que Onisajé tem vivências como roteirista, curadora artística, preparadora-formadora de atuantes (atriz e ator), educadora e pesquisadora da cultura africana no Brasil, trazendo como recorte as religiões de matriz africana/candomblé. À frente das curadorias, integrou festivais nacionais e internacionais e compôs comissões de seleção de editais de projetos artísticos na área de criação e pesquisa em artes cênicas.
“A programação caminha por diversas maneiras de fazer, pensar e encontrar a cena: do ensaio aberto às apresentações, chegando à palestra que propõe um mergulho nas relações entre teatro, ancestralidade, corpo, axé e criação negra. É uma semana para observar os caminhos de um teatro preto de candomblé como território de memória e resistência cultural”, pontua o grupo e espaço O Poste Soluções Luminosas.
Confira a programação da semana de encontros do “Teatro Preto de Candomblé” - Espaço O Poste (rua do Riachuelo, nº 641 - bairro da Boa Vista, centro do Recife)
22/09 (terça-feira) | 17h
Ensaio aberto: espetáculo teatral “Maria Preta”
Entrada gratuita: público geral com a presença de Onisajé
23/09 (quarta-feira) | 19h
Apresentação: espetáculo teatral “A Receita”
Entrada gratuita: público geral com a presença de Onisajé
24/09 (quinta-feira) | 19h
Apresentação: espetáculo teatral “Longussu Xenupre Dudu Yatílhade”
Entrada gratuita: público geral com a presença de Onisajé
25/09 (sexta-feira) | 19h
Apresentação: espetáculo teatral “Ombela” e presença de Onisajé
Entrada: R$ 10 e R$ 20
26/09 (sábado) | 15h
Palestra: “Teatro Preto de Candomblé” com Onisajé
Entrada gratuita: público geral
Publicado por:
Daniel Lima
Comunicador social & jornalista. De Caruaru/PE, criado no Recife. Atua com assessoria de imprensa artístico-cultural e atualmente é assessor de imprensa/mídias sociais do Coco Raízes de Arcoverde/PE.
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