O Papo Cannibal conclui a temporada de estreia do videocast com a presença de memórias vivas da comunidade Alto José do Pinho. É nessa periferia do Recife que o artista Cannibal tem raiz, sendo referência local e possibilitando também espaço de voz para pessoas da sua quebrada, como os senhores Marcos Simão e Evandro Correia, protagonistas de um dos cinco episódios no YouTube do próprio cantor e compositor pernambucano. 

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Além de músico, Cannibal é ativista político-social, arte-educador e escritor. Ele é uma figura pública de referência em Pernambuco e nacionalmente, com destaques também no exterior.

“Tanto Marcos Simão como Evandro Correia são atualmente idosos de origem periférica. O ‘Papo Cannibal’ traz pérolas vivas do Alto José do Pinho para compartilhar e registrar histórias, além de atualizar sobre o dia a dia da comunidade a partir de uma conversa informal”, acrescenta Cannibal, que por si só é comunicador local.  

Papo Cannibal acontece no Estúdio Paulo Cavalcante em sua 1ª temporada, com cinco episódios
Foto: Estúdio Paulo Cavalcante

 

Vale destacar que o videocast é um método de distribuição de vídeos pela internet que utiliza as ferramentas desenvolvidas no podcast para criar uma lista de conteúdos por meio do streaming. O material audiovisual reúne 11 pessoas de diversas áreas artístico-culturais e de espaços de liderança nas periferias da Região Metropolitana do Recife (RMR), que trocam ideias com o criador do projeto autoral, Marconi de Souza Santos, popularmente conhecido por Cannibal. Essa iniciativa do Papo Cannibal tem o objetivo de registrar histórias, preservar memórias e valorizar a identidade, assim como fortalecer a cultura periférica.

Marcos Simão, atualmente com 69 anos de idade, é empreendedor há décadas. Possui um projeto sistemático de valorização das memórias e histórias do Alto José do Pinho, onde nasceu e vive até hoje. Há mais de 40 anos, coleciona bens que, segundo ele, têm um valor histórico para a cidade do Recife e para o Estado de Pernambuco. Atualmente, dispõe de uma coleção de recortes de jornal e livros produzidos por ele ao longo dos anos sobre a “reminiscência do bairro”.

Evandro Correia tem seus 75 anos de idade, todos vividos no Alto José do Pinho. Ao longo da vida, recebeu influências de grandes nomes no bairro, como Sr. Viu (guarda), e a sua mãe (irmã Denise). Ele foi presidente do clube de jovens, do programa “Meu bairro é o maior” e da equipe de futebol do bairro. Também é advogado, formado pela Faculdade de Direito do Recife.

“A ideia do ‘Papo Cannibal’ surgiu da vontade de propor espaços de diálogos sobre arte, cultura e educação, destacando o que está sendo produzido por pessoas das próprias periferias locais. As conversas trazem memórias, vivências e exemplos de impactos de diferentes ações de arte e cultura nas comunidades”, explica Cannibal. 

Ele bate um papo justamente com artistas autorais referências na própria comunidade. Além de Marcos Simão e Evandro Correia (episódio 5), Zé Brown (cantor, compositor e arte-educador) e Fabrício Nunes (cantor e compositor da banda Plugins, da Zona Oeste do Recife) - episódio 1; Luísa Cunha (cantora e compositora da banda pernambucana Odiosa), Dani Carmesim (cantora e compositora) e Caetana (cantora, compositora e musicista) - episódio 2; Ignus (comunicadora audiovisual), Edson Fly (jornalista, ator e cofundador do núcleo de comunicação da Caranguejo Uçá, na Ilha de Deus, Recife) e José Carbonel (pesquisador audiovisual, grafiteiro, arte-educador e fundador da Manguecrew) - episódio 3; Chiquinho (ex-jogador e vice-prefeito de Olinda) - episódio 4. 

“O ‘Papo Cannibal’ tem uma pegada mais informal, com outra forma de trocar ideias sobre arte e cultura e as suas importâncias nas periferias. A partir de diversos olhares de pessoas das áreas artístico-culturais, compartilhamos propostas para a valorização da arte, realizações de vida com projetos autorais e desafios do presente e para o futuro”, destaca.  

Além de músico, Cannibal é ativista político-social, arte-educador e escritor

 

Cantor, compositor e baixista da banda Devotos desde 1988 — punk rock e hardcore autoral —, Cannibal rodou internacionalmente e até hoje tem conquistado espaços de protagonismo em Pernambuco e pelo Brasil afora. Para além dos shows e das premiações ao longo da carreira, reúne diversas atividades artístico-culturais, como entrevistas em rádios, tv’s e internet, participações em apresentações musicais, festivais, debates, mediações e eventos nas escolas, universidades e espaços culturais. Ele ainda é torcedor símbolo do Santa Cruz Futebol Clube, tendo uma relação direta com o futebol e a torcida.

Entre suas criatividades e atualidades estão o livro lançado “Música para o povo que não ouve” (2018 - editora Cepe), e o ao vivo “Trocando Ideia, Ouvindo Vinil”, às segundas-feiras, a partir das 20h, em seu perfil no Instagram. Vale lembrar que o artista também é criador e vocalista da Café Preto, banda pernambucana autoral de dub, reggae, ska e rock iniciada no ano de 2007, em parceria com os produtores musicais e músicos Pierre Leite, atualmente na formação, e Bruno Pedrosa, que seguiu novos rumos.

Produção

Todos os episódios foram gravados e realizados diretamente do estúdio de Paulo Cavalcante, profissional local que ficou à frente da captação de áudio e vídeo do projeto. Também na ficha técnica estão Kyra França (produção cultural e executiva), Taísa Ateyeh (direção de arte e design), Daniel Lima (assessoria de imprensa) e Renato V F Filho (criação dos cartazes). 

O “Papo Cannibal” tem o incentivo público por meio da Lei Paulo Gustavo (LGP) - Edital de Fomento de Expressões Periféricas, via Fundarpe, Secretaria de Cultura e Governo de Pernambuco. Este videocast também é um espaço para criações artísticas coletivas e da expressão da identidade, desenvolvidas juntamente com temáticas racial, social, de gênero, política, cultural e educativa.

FONTE/CRÉDITOS: Foto: Estúdio Paulo Cavalcante