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A Prefeitura de Palmas divulgou, nesta segunda-feira (14), o Censo Participativo dos Povos de Terreiro e Matriz Africana, revelando que 66,2% dos entrevistados relatam ter sido vítimas de racismo religioso. O levantamento inédito ouviu 245 integrantes da comunidade na Capital para traçar o perfil demográfico e subsidiar futuras ações governamentais contra a discriminação.
Conduzido pela Secretaria Extraordinária de Igualdade Racial e Direitos Humanos (Seirdh), em conjunto com entidades de matriz afro-brasileira, a pesquisa apontou que as hostilidades ocorrem principalmente no ambiente profissional, em vias públicas e na própria família, manifestando-se por meio de ofensas, piadas e constrangimentos.
O ambiente educacional também registrou índices preocupantes, onde 43% dos participantes relataram ter vivenciado algum tipo de preconceito por conta de sua crença religiosa.
Subnotificação e falta de credibilidade nas denúncias
Um dos pontos alarmantes da pesquisa é a subnotificação: entre as vítimas de discriminação, 37,8% preferiram não buscar ajuda. Além disso, 43,8% declararam não acreditar na efetividade de uma denúncia perante as autoridades competentes.
As demandas prioritárias apresentadas envolvem reforço na segurança dos terreiros, assistência jurídica especializada e o combate direto à violência religiosa. O titular da Seirdh, Joelson Soares, destacou que a amostragem servirá como base estratégica para articular ações municipais permanentes.
Perfil demográfico dos respondentes
Entre os participantes do censo, 26% possuem entre 30 e 39 anos, seguidos por 21,9% na faixa de 40 a 49 anos. No quesito cor ou raça, 43,3% se declararam pardos, 35,1% brancos e 19,6% pretos. A Umbanda é a religião de 63,7% dos entrevistados, enquanto 36,1% pertencem à comunidade LGBTQIA+.
Segurança e visibilidade das práticas religiosas
Durante a apresentação dos dados, lideranças e órgãos como a Defensoria Pública do Tocantins e a OAB-TO reforçaram a necessidade de garantir a segurança e a visibilidade das celebrações nos terreiros.
A yalorixá Roberta Tum enfatizou a importância do respeito às manifestações culturais dos terreiros, frisando que as comunidades necessitam de garantias para realizar seus rituais sem intervenções indevidas. A meta agora é integrar diferentes setores públicos para implementar políticas de proteção efetivas.
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