Quilombo do Buri na Bahia: Censo 2022 e Desafios de Reconhecimento

No estado da Bahia, o pequeno Quilombo do Buri, localizado às margens do Rio Paraguaçu, na região de Maragogipe, enfrenta desafios significativos relacionados ao censo de 2022. O censo registrou apenas um habitante, Dona Nini, líder da comunidade. No entanto, líderes do quilombo afirmam que há mais de 40 famílias no local. A falta de representatividade no censo afeta a luta da comunidade pelo reconhecimento oficial.

Censo 2022 e a Controvérsia

O Censo 2022 divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) trouxe uma controvérsia significativa para o Quilombo do Buri. O censo registrou apenas um habitante, o que contrasta fortemente com a realidade vivida pela comunidade. Líderes do quilombo, como Dona Nini, afirmam que mais de 40 famílias chamam o Buri de lar. Essa discrepância é vista como uma tentativa de anular a representatividade da comunidade, dificultando a obtenção de serviços básicos e a titulação do território.

Disputa pela Titulação

O Quilombo do Buri foi certificado pela Fundação Cultural Palmares como uma comunidade remanescente de quilombo em 2009. No entanto, a busca pela titulação do território enfrentou resistência, especialmente do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência da República. O GSI alegou que a área é de interesse estratégico da Marinha, o que complicou ainda mais a situação do quilombo.

Publicidade

Leia Também:

Impactos na Comunidade

O Quilombo do Buri enfrenta dificuldades significativas devido à falta de serviços básicos, como água encanada, eletricidade, saneamento e educação. A comunidade também lida com a crescente violência na região. Muitos habitantes se deslocaram para a comunidade vizinha de São Roque do Paraguaçu em busca de segurança e serviços. A falta de reconhecimento oficial agrava essas condições precárias.

O Futuro do Quilombo do Buri

O futuro do Quilombo do Buri permanece incerto devido à controvérsia do censo e à disputa pela titulação do território. A comunidade luta por seu direito ao reconhecimento e aos serviços básicos que todos os cidadãos merecem. A controvérsia do censo ressalta a importância da representatividade nas políticas públicas e da proteção das terras quilombolas.

Para saber mais sobre essa história, baixe nosso aplicativo para acessar mais notícias emocionantes e permanecer atualizado sobre essa e outras questões importantes.

BAIXE O APP

 

 


Dona Nini, 86 anos, liderança do Quilombo do Buri / Tacun Lecy/Agência Pública


Antônia Cacilda Souza, marisqueira aposentada de 63 anos, filha de Dona Nini / Tacun Lecy/Agência Pública


Empreendimentos da indústria naval no entorno do Quilombo do Buri / Tacun Lecy/Agência Pública


A ausência da titularização do território representa uma série de dificuldades e de insegurança / Tacun Lecy/Agência Pública


Antônio Jorge Tourinho, conhecido como “Lampião”, 70 anos, e Dona Nini / Tacun Lecy/Agência Pública