Africarioca Consolida Marca Na Pequena África E Lança Produto Próprio Em Meio Ao Crescimento Do Mercado De Estética Negra
A marca Africarioca, criada por Lucas Preto em 2018 na Zona Oeste do Rio de Janeiro, iniciou uma nova e importante fase em 2025 ao abrir uma unidade na Pequena África, no Centro do Rio. O movimento marca a transição de um negócio comunitário para uma marca estruturada que une estética afro, técnica e identidade. Além da nova unidade, a empresa lançou seu primeiro produto próprio, fortalecendo sua atuação no mercado de beleza negra.
Lucas Preto, especialista em estética afro, é o criador da técnica Baldlocs, voltada para pessoas com calvície. O método inovador impulsionou a procura pelos serviços, fazendo com que a Africarioca passasse a realizar atendimentos mensais em São Paulo. A circulação do conhecimento da marca também se expandiu através da iniciativa Africarioca na Estrada, que levou formação profissional a 12 estados, fomentando o trabalho e fortalecendo a rede de profissionais de estética afro fora dos grandes centros urbanos.
Lançamento De Shampoo E A Demanda Do Mercado
A expansão física da marca é acompanhada do lançamento do Shampoo Africarioca para dreads. O produto, formulado com pH mais alto e ação antirresíduos, foi criado para atender uma demanda real e historicamente negligenciada pela indústria tradicional de cosméticos. O fundador, Lucas Preto, destacou que inaugurar um espaço sofisticado na Pequena África e lançar um shampoo pensado para quem usa dreads é uma forma de reafirmar que beleza, ancestralidade e inovação podem caminhar juntas.
Este crescimento ocorre em meio à expansão acelerada do mercado de beleza negra. A InsightAce Analytic projeta que o setor deve alcançar US$ 31 bilhões (aproximadamente R$ 176 bilhões) até 2034, com um crescimento anual de 13,2%. Em 2024, o mercado movimentou US$ 9,2 bilhões (cerca de R$ 52 bilhões). No entanto, o setor ainda está distante do mercado global de beleza, estimado em US$ 580 bilhões até 2027 (McKinsey), diferença que evidencia a defasagem de investimentos voltados ao público negro.
Identidade E Raízes Na Pequena África
A escolha da Pequena África — território marcado pelo Cais do Valongo e pelas raízes da diáspora africana no Rio — possui um impacto que ultrapassa o financeiro. Se o quintal da sogra em Santa Cruz representava o início comunitário, o novo espaço sinaliza a consolidação da marca com base em sua identidade. Lucas Preto expressou orgulho em ser uma referência para sua comunidade e inspirar outros a valorizarem suas raízes. "A Africarioca sempre foi sobre identidade e autoestima", concluiu.
Comentários: