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O falecimento do Papa Francisco repercutiu em diversas tradições religiosas ao redor do mundo. No Brasil, Baba Thales, sacerdote do Candomblé, lamentou a perda e aproveitou o momento para refletir sobre a histórica relação entre o Candomblé e a Igreja Católica.
“É uma ligação antiga, que nasceu em um contexto de opressão, onde o povo de santo precisou disfarçar seus orixás com santos católicos para sobreviver. Mas hoje ela se manifesta de forma muito mais harmônica e respeitosa”, afirma Baba Thales.
Segundo ele, ainda existem diversas manifestações dessa relação. “Na Bahia, por exemplo, é tradição levar o iyawo, que é o recém-iniciado no Candomblé, até a igreja para receber a bênção do padre. É um gesto simbólico, mas muito significativo”, explica.
No tradicional Terreiro do Gontois, um dos terreiros mais antigos de Salvador, a integração é ainda mais evidente. “Lá se realiza até hoje a Missa de São Jorge, que simboliza o sincretismo entre o Camdomblé e o Catolicismo. São Jorge é associado a algum e ambos representam a força, a luta e a proteção.” completa o sacerdote.
Baba Thales destaca ainda que muitos elementos do Candomblé foram influenciados pela liturgia católica, como o uso do altar e o gesto de beijar a mão como forma de reverência. “Essas marcas mostram que houve, sim, uma troca. E hoje essa convivência é possível de maneira respeitosa.”
Apesar da harmonia com o catolicismo, Baba Thales aponta um desafio atual, mencionando os neopentecostais, que, promovem intolerância e demonização das práticas. Reiterando que isso deve ser combatido.
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