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A cantora e compositora brasileira Bia Ferreira conquistou uma importante indicação ao Grammy Latino 2026 na categoria de Melhor Álbum de Música Popular Brasileira/Música Afro Portuguesa Brasileira, pelo aclamado disco Améfrica.

Ao celebrar o anúncio da indicação, a artista fez questão de relembrar sua chegada a São Paulo, em 2016, período em que enfrentou grandes dificuldades estruturais. Sem residência fixa, a cantora relatou que morou em ocupações e nas ruas da capital paulista, contando apenas com seu violão, uma mochila e um chapéu.

“Em 2016, eu cheguei na cidade com o meu violão, uma mochila e o meu chapéu pra rodar. Morando em ocupação, morando na rua, não tinha casa. Eu sou a prova viva do poder de transformação que a arte tem”, declarou a artista.

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A sonoridade e a inspiração de améfrica

No álbum Améfrica, a artista amplia os caminhos de sua criação artística. Depois de anos escrevendo canções fortemente marcadas pela urgência política, a cantora aproxima sua obra da dança, da leveza, do calor e da espiritualidade, sem jamais abandonar a dimensão política que moldou toda a sua trajetória no cenário musical.

Inspirado diretamente no conceito de Améfrica, desenvolvido pela pensadora Lélia Gonzalez, o trabalho reconhece as continuidades históricas entre os povos afro-diaspóricos e originários das Américas, além de destacar suas contribuições fundamentais para a formação cultural de todo o continente.

Estrutura musical e participações especiais

Com produção musical assinada por Bia Ferreira em parceria com Vinicius Lezo, o disco constrói uma ponte rica entre diferentes sonoridades. O projeto parte das bases do reggae para estabelecer diálogos fluidos com ritmos nordestinos, além de musicalidades afro-caribenhas e latino-americanas.

O repertório do álbum destaca-se pela diversidade linguística e artística, apresentando características marcantes:

  • Dez faixas inéditas que transitam por múltiplos arranjos e mensagens.
  • Canções interpretadas em quatro idiomas diferentes: português, espanhol, inglês e francês.
  • Participação especial da artista La Dame Blanche na faixa “Algoritmo”.
  • Revisitação da emblemática música “Cota Não É Esmola”, apresentada sob uma perspectiva totalmente nova.

“Améfrica é a alegria subvertendo o ódio! É a gente aceitando o convite da vida pra dançar”, resume a compositora sobre o propósito central de sua obra indicada ao prêmio internacional.