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O desempenho no Pisa 2025 revelou que a redução da distância entre os estudantes brasileiros e a média dos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) ocorreu devido ao recuo dos demais países, e não por um ganho real de aprendizagem no Brasil, segundo dados divulgados pela entidade.

Apesar de o país ter mantido seus resultados relativamente estáveis e evitado um recuo acentuado, o desafio nacional permanece em promover avanços consistentes no ensino, alertou Felipe Proto, vice-presidente de Educação da Fundação Lemann.

Coordenado pela OCDE, o Programa Internacional de Avaliação de Estudantes mensura a cada três anos os conhecimentos de alunos de 15 anos nas áreas de matemática, leitura e ciências, reunindo dezenas de nações de grande relevância econômica.

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De acordo com Rodrigo Fulgêncio, 1º vice-presidente da Abraspe, o Brasil apresentou melhorias no longo prazo em ciências e leitura. Contudo, a aproximação em relação à média internacional deveu-se principalmente à retração global registrada em matemática.

Nos testes de 2025, a pontuação brasileira ficou em 408 em leitura, 377 em matemática e 409 em ciências, permanecendo abaixo das médias da OCDE. Em matemática, por exemplo, o atraso escolar estimado do país em relação aos membros do bloco é de cerca de 4,6 anos.

Historicamente, a discrepância diminuiu desde 2006. A diferença na pontuação média caiu de 102 para 58 em leitura, de 131 para 92 em matemática e de 113 para 77 em ciências.

Ganhos em escala

O gerente da CASIO Educação, Jalman Lima, destaca que evitar a queda foi positivo, mas a estabilidade atual ocorre em um patamar muito baixo. Apenas 28% dos alunos atingiram o nível mínimo de proficiência em matemática.

Para os especialistas, o grande obstáculo é transformar a estagnação em crescimento concreto. Eles ressaltam que a recomposição das aprendizagens é urgente, considerando que essa geração sofreu impactos severos no ensino durante o período da pandemia.

Além de evoluir na compreensão básica, o sistema educacional necessita estimular o raciocínio complexo. As provas demonstram que são raros os alunos brasileiros posicionados nos níveis mais elevados de proficiência.

Desigualdades educacionais

As disparidades socioeconômicas também afetam fortemente os resultados. Em ciências, a diferença de pontuação entre os estudantes mais vulneráveis e os mais abastados chega a 96 pontos, equivalente a quase cinco anos de escolaridade.

O estudo avaliou 760 mil jovens em 91 países, sendo 30.140 brasileiros. A maioria dos participantes do Brasil (72,4%) pertencia à rede estadual urbana e cursava o ensino médio entre abril e maio de 2025, com ênfase no letramento científico.

Para Felipe Proto, os dados mostram que a prioridade nacional deve ser garantir competências fundamentais para o trabalho e a cidadania, superando a mera preocupação com a posição ocupada no ranking global.

Tecnologia em sala de aula

O levantamento do Pisa 2025 indicou que 81% dos alunos brasileiros estudavam em instituições com restrição ao uso de celulares, número superior à média da OCDE (49%) e ao índice de 2022 (37%).

Apesar da menor distração digital em salas regulamentadas, fenômenos como a leitura apressada e imprecisa quase dobraram entre 2018 e 2025. Além disso, 46% dos jovens declararam utilizar Inteligência Artificial semanalmente para os estudos.

Diante das transformações tecnológicas, Rodrigo Fulgêncio salienta que o acesso às redes não assegurou avanço no aprendizado. O papel atual das escolas é ensinar a filtrar informações, manter o foco e desenvolver o pensamento crítico.

FONTE/CRÉDITOS: Pedro Rafael Vilela - Repórter da Agência Brasil