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O governo de transição e a Comissão Nacional de Eleições (CNE) confirmaram, nesta quinta-feira, que as eleições na Guiné-Bissau agendadas para 6 de dezembro de 2026 não serão realizadas. Segundo as autoridades, o país enfrenta graves impedimentos legais e operacionais que inviabilizam o cumprimento do cronograma eleitoral estabelecido após o golpe militar do ano passado.
O primeiro-ministro de transição, Ilídio Vieira Té, destacou que o desrespeito aos prazos da legislação eleitoral é o principal obstáculo. O prazo para a apresentação de candidaturas junto ao Supremo Tribunal de Justiça expirou em 6 de outubro sem que os partidos formalizassem seus nomes.
Além disso, Vieira Té apontou que a maioria dos partidos políticos guineenses está com seus órgãos de liderança caducos, impossibilitando decisões legítimas. "Precisamos de um escrutínio que respeite estritamente a lei para evitar conflitos pós-eleitorais", ponderou o chefe de governo.
A porta-voz da CNE, Felisberta Moura Vaz, corroborou a inviabilidade técnica do pleito. Após apresentar um relatório detalhado ao presidente de transição, a porta-voz reforçou que restam prazos peremptórios que já não podem ser cumpridos, deixando a decisão final nas mãos da presidência.
A oposição também já apontava para o adiamento. Domingos Simões Pereira, líder do PAIGC, e o partido Madem-G15 alertaram que a proibição de atividades partidárias no país inviabiliza qualquer campanha eleitoral justa. O Madem-G15 defende um adiamento consensual entre as forças políticas.
Por sua vez, Nuno Nabiam, líder do APU-PDGB, sugeriu um adiamento mais amplo, propondo uma transição de até dois anos sob um Governo de Reconciliação Nacional. Para ele, realizar eleições apressadas apenas perpetuaria a instabilidade política crônica que afeta a nação africana.
A crise atual remonta a 26 de novembro de 2025, quando os militares assumiram o controle do país. Pressionada pela CEDEAO, a junta militar havia se comprometido a restabelecer a ordem constitucional em um ano, promessa que agora esbarra no bloqueio das atividades democráticas.
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