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A comunidade de emigrantes são-tomenses em Portugal tem crescido expressivamente nos últimos anos. Segundo dados do Banco Mundial, as saídas de São Tomé e Príncipe dispararam mais de 100% desde 2020. Só em 2023, mais de 24 mil pessoas deixaram o território nacional, tendo Portugal como principal destino devido aos laços históricos e ao acordo de mobilidade da CPLP.

Numa população de cerca de 200 mil habitantes, esta vaga migratória representa uma profunda transformação social. Em entrevista, figuras da diáspora e especialistas analisam as motivações e as dificuldades enfrentadas por quem decide partir em busca de melhores condições de vida na Europa.

Uma fuga motivada pela falta de perspetivas

O economista e professor Armindo Espírito Santo descreve o arquipélago como um sistema caótico. Para o especialista, os dirigentes políticos falharam em valorizar o cidadão ao longo das últimas décadas. A emigração surge, assim, como uma tentativa desesperada de encontrar estabilidade financeira e profissional longe do arquipélago.

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A ativista Solange Salvaterra Pinto reforça este sentimento de desesperança. Segundo relata, os cidadãos afirmam abertamente que em São Tomé não conseguem sonhar nem vislumbrar um futuro seguro. Contudo, a chegada a Portugal nem sempre cumpre as expectativas iniciais.

Desafios e precariedade na diáspora

Muitos jovens chegam a território português sem uma rede de apoio estruturada. Embora consigam alojamento temporário junto de familiares ou amigos, a escassez de oportunidades laborais empurra alguns para situações de extrema vulnerabilidade, recorrendo a apoios sociais e abrigos em Lisboa.

Para aqueles que encontram emprego, o cenário continua a ser de grande precariedade. A maioria aufere o salário mínimo, que serve essencialmente para pagar rendas elevadas. As mulheres empregam-se maioritariamente no setor da limpeza, restauração e hotelaria, enquanto os homens enfrentam um mercado de construção civil bastante limitado.

O papel crucial das remessas e a voz política

Apesar das dificuldades financeiras, as remessas enviadas pelos emigrantes representam entre 4% e 5% do Produto Interno Bruto são-tomense. Esta ajuda financeira, além de apoiar diretamente as famílias locais, contribui com bens essenciais como medicamentos e material escolar.

No plano político, o dirigente associativo António Cádio dos Anjos Paraíso aponta o profundo sentimento de abandono vivido pela comunidade. A descrença na classe política é generalizada, embora as associações continuem a apelam à participação cívica e ao voto consciente nas eleições legislativas, autárquicas e regionais.

FONTE/CRÉDITOS: Vitor Lúcio Andrade