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Duas trabalhadoras vítimas de trabalho escravo, de 90 e 65 anos, foram resgatadas em Belo Horizonte após passarem décadas vinculadas a uma única família. A fiscalização apontou que elas foram repassadas de uma geração para outra de empregadores na capital mineira.
A ação integrou a Operação Resgate 6. O esforço concentrado reuniu o Ministério do Trabalho e Emprego, Ministério Público do Trabalho, Ministério Público Federal, Polícia Federal e Defensoria Pública da União. No total, 479 pessoas foram salvas no país.
Os empregadores tentaram alegar que elas integravam o núcleo familiar. Contudo, os fiscais comprovaram a rotina de serviços pesados sem descanso aos domingos, ausência de direitos trabalhistas e forte restrição à vida social.
As vítimas também não tiveram acesso à educação adequada ou a direitos patrimoniais. Diferente de outros casos, a residência na periferia possui padrão modesto. Após o flagrante, ambas foram encaminhadas para uma instituição de apoio a mulheres.
O impacto psicológico é profundo. Uma delas ainda demonstra insistência em realizar tarefas no abrigo e se refere à antiga empregadora como patroa. Os órgãos competentes agora investigam se a idosa de 90 anos nasceu em comunidade quilombola.
Trabalho escravo no Brasil
A Lei Áurea extinguiu a escravidão formal em 1888. No entanto, o Código Penal brasileiro tipifica no artigo 149 as condições análogas à escravidão contemporânea, que incluem trabalho forçado, servidão por dívida, jornada exaustiva e condições degradantes.
Desde 1995, mais de 70 mil pessoas foram resgatadas em diversas frentes no país, abrangendo desde a pecuária até o setor doméstico. Denúncias anônimas podem ser registradas por meio da Plataforma Ipê ou ligando para o Disque 100.
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