A Estrela do Terceiro Milênio, escola de samba paulistana, realizou no último domingo a final de sua eliminatória para o Carnaval 2027, consagrando a obra de Jorge Diego, Rafa Cria, Ayr Júnior, Rapha Moreira, Willian Tadeu, Mário Presidente, André Ricardo, Rubens Gordinho, Rodolfo Minuetto e Rodrigo Minuetto. O samba-enredo vencedor embalará o enredo “Incrível, Fantástico, Extraordinário!”, assinado pelo renomado carnavalesco Paulo Barros, prometendo uma jornada épica na avenida.

O portal CARNAVALESCO, sempre presente nos eventos cruciais do calendário do samba, entrevistou diversos envolvidos na criação do samba e no projeto geral da Estrela do Terceiro Milênio, buscando detalhes sobre a escolha e as expectativas para a próxima folia.

Processo criativo e exaltação ao carnavalesco

Ao abordar o processo de composição, Rodrigo Minuetto, um dos Gêmeos, não poupou elogios a Paulo Barros: “Primeiro que o Paulo Barros é um gênio. Ele é fantástico. Ele que é o incrível e o extraordinário. Ele nos forneceu uma sinopse que é um convite à melodia. É fácil. E o resultado do samba reflete isso: uma disputa maravilhosa com um nível altíssimo de concorrentes.”

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Ele complementou, expressando a satisfação com o resultado: “Nós nos consagramos campeões, mas foi uma disputa bem sadia e acirrada. Este é o início de um grande projeto, e esperamos que a comunidade abrace cada vez mais o samba.”

A obra, segundo Rodrigo, foi gestada de forma bastante tradicional. “Reunião, churrasco… teve de tudo! Somos do modo tradicional: samba-enredo não se faz por WhatsApp. Respeitamos as outras parcerias que o fazem, mas para nós, a magia está no ‘tête-à-tête’, no pensamento compartilhado, no olhar que gera uma ideia, na discussão que nos leva à felicidade no final.”

Em tom de brincadeira, Jorge Diego, outro compositor, acrescentou: “Foram doze reuniões e dezessete churrascos.”

Emoção e a força do refrão

Ayr Junior, emocionado, compartilhou sua experiência com a parceria: “Deu até vontade de chorar com essa união. É a primeira vez que compomos juntos e já conquistamos a vitória. Sou muito grato a todos. Isso nos deu um novo fôlego! Pensávamos em parar de fazer samba, mas estamos aqui, firmes e fortes com a rapaziada. Mais uma vez, provamos que o amor sempre vence. Amei esses caras desde o primeiro dia, e o amor, a música, sempre nos transformarão.”

Quando questionados sobre a parte favorita da obra, os compositores, em uníssono, entoaram o refrão principal: “É incrível voar com você/Só quem é Milênio consegue entender/Fantástico/Extraordinário é sonhar/A nossa Estrela vai brilhar!”

Esta é a segunda vez que a parceria liderada pelos irmãos Rodrigo e Rodolfo Minuetto vence o concurso da Estrela do Terceiro Milênio, sendo a primeira em 2025, ano em que Willian Tadeu também foi vitorioso. Nomes como André Ricardo e Rubens Gordinho estrearam na parceria neste ano.

Na final, o samba vencedor, inscrito como Samba 1000, destacou-se com uma grande torcida e a força de seu refrão. O Samba 99, que mesclava partes de fácil assimilação, conquistou chefes de alas. Já o Samba 01, o último a se apresentar, era o mais melódico, focando na poesia do enredo e recebendo a adesão das baianas.

Panorama musical e novas vozes

Mestre Vitor Velloso, à frente da bateria da Estrela do Terceiro Milênio desde 2019, comentou sobre as mudanças na escola, especialmente a ascensão de Raquel Tobias ao microfone principal, ao lado de Darlan Alves. “A Raquel é uma querida! Já está na escola há muito tempo, e todos estão felizes por ela ter chegado a intérprete oficial. Nosso convívio é excelente, e agora, com sua maior participação nas reuniões, a comunicação se intensifica. Vai dar certo, com certeza”, celebrou.

O ritmista-mor revelou que, durante as eliminatórias, prefere manter distância dos compositores, por fazer parte do júri. “A safra deste ano foi muito bacana, com novos compositores que se juntaram. Foram oito sambas, e a escolha é sempre complexa, pois havia muitas obras de qualidade. O Rodrigo Shumacker, Diretor Musical da casa, venceu em 2026, mas nesta final, não foi o seu samba. Os Gêmeos, vencedores em 2025, ganharam novamente. Tomara que todos voltem para 2028.”

Mestre Vitor preferiu não adiantar detalhes sobre a bateria, mas garantiu surpresas: “Quando o enredo e a fantasia são definidos, começamos a pesquisar. Já temos alguns pensamentos e estávamos aguardando a escolha do samba. Agora, vamos trabalhar para encaixar nossas ideias na melodia. Teremos algumas surpresas, sim.”

Trabalho antecipado para o sucesso

A direção de carnaval da Estrela do Terceiro Milênio, representada por Wilson Costa (Japa) e Vinícius Freitas, explicou a antecipação dos eventos. “Trabalhar neste novo projeto com um novo carnavalesco exige cem por cento de entrega. É um privilégio enorme trabalhar com um artista grandioso como Paulo Barros. A comunidade e a direção estão abraçando o projeto da melhor forma, e temos certeza que será um sucesso”, comentou Vinícius.

Japa complementou, enfatizando a importância do planejamento: “A Terceiro Milênio começou cedo devido à troca de carnavalesco. Paulo Barros já chegou apresentando um enredo, e em reunião com a diretoria, decidimos antecipar tudo. Em pleno junho, já temos nosso samba para iniciar mais cedo o trabalho com a comunidade de Harmonia e Evolução. Acreditamos que colheremos bons frutos.”

Vinícius destacou o benefício da antecipação: “Começar cedo é um ponto positivo para nosso trabalho de Evolução e Harmonia. Assim, queremos mostrar à comunidade que ninguém trabalhará mais que a gente no Carnaval, sempre respeitando as coirmãs. Além do trabalho, queremos que a quadra seja um prazer para as pessoas o ano inteiro, não apenas um local de trabalho. Isso nos ajuda na escolha antecipada do samba, para que todos possam desfrutar.”

Japa relembrou o ciclo de 2026: “Ter o samba antecipado é maravilhoso, pois permite trabalhar mais a comunidade. O Carnaval será no início de fevereiro, e no ano passado, escolhemos o samba em setembro, perdendo quase três meses de ensaios. Agora, com o samba em mãos, faremos com que a comunidade cante e assimile a obra mais rápido, garantindo uma grande evolução.”

Tradições mantidas e novos intérpretes

O presidente da agremiação, Gilberto Rodrigues, conhecido como Giba, detalhou o processo de votação do samba-enredo: “Nos fechamos na salinha, são onze votos. Toda a diretoria executiva vota, e eu deixo a discussão fluir. Em caso de empate, meu voto é o decisivo, mas nos últimos anos, sempre chegamos a um consenso. Analisamos os três sambas por dias, conversamos e ouvimos a comunidade, que nos deu o norte. Agora, é completar este grande projeto de Carnaval para 2027.”

Apesar de Paulo Barros não ser adepto de revelar fantasias com antecedência, Giba garantiu que a Milênio manterá a tradicional Festa de Protótipos. “Nossa comunidade pede isso. Faremos uma grande Festa de Pilotos. Estamos apenas ajustando o calendário, mas imagino que, entre o final de julho e a segunda quinzena de agosto, realizaremos este evento. Todos estão ansiosos por este grande projeto.”

O presidente também contou como Raquel Tobias foi convidada para ser uma das intérpretes principais: “Foi muito tranquilo. Ela está conosco há sete carnavais. Após deixar a presidência, tive uma conversa informal com ela e disse que sua hora chegaria. Ela me perguntou se eu esperaria. Ao retornar à presidência e decidir pela saída de Grazzi, o nome de Raquel foi o primeiro que me veio à mente. Foi unânime. Quando a convidei, ela lembrou exatamente daquele papo anterior, emocionando-se. Chegou a hora dela. Ela já canta na noite há muito tempo, tem uma carreira consolidada e busca seu espaço. É muitíssimo merecido e ela é ‘cria da casa’, da comunidade. Prezo muito por dar oportunidade a quem é da casa, e não tenho dúvidas de que ela fará um grande trabalho.”

Cantores alinhados para a avenida

Os novos parceiros no carro de som da Estrela do Terceiro Milênio, Raquel Tobias e Darlan Alves, demonstraram grande sintonia. Raquel expressou sua emoção: “Para mim é emocionante! Estou na Ala Musical há sete anos, durante a passagem de Grazzi Brasil. É muito importante. Estou neste mundo e nesta ancestralidade para deixar um legado. É emocionante a escola ter escolhido outra mulher para representar. Já fiz outros carnavais em Minas Gerais, alguns da UESP como Ala Musical, estou nesta carreira há quinze anos e, para mim, é uma responsabilidade e uma gigante alegria estar aqui. Vou defender o pavilhão, como sempre fiz como Ala Musical, com unhas, dentes e com a minha alma a Terceiro Milênio.”

Darlan Alves elogiou a valorização da comunidade ao nomear Raquel: “Foi um processo da direção da escola. É ótimo ver essa valorização de alguém da casa, que já estava aqui. A Raquel está há muito tempo na Terceiro Milênio, há dez anos como minha parceira de time de canto. A Milênio, Silvão e o presidente Giba valorizam muito as pessoas do Grajaú e da escola, buscando sempre que possível alguém daqui. É muito bacana e ela é mais uma grande cantora do nosso Carnaval. Tenho certeza que ela vai arrebentar. Estamos muito felizes com sua chegada ao microfone, ajustando tudo para o início de sua carreira como intérprete de samba-enredo. Ela já tem uma carreira consolidada fora do Carnaval e, com certeza, terá sucesso aqui também.”

Raquel relembrou outras intérpretes femininas marcantes do Carnaval paulistano: “Existem mulheres que já desfilaram sozinhas, como Grazzi Brasil, Samantha Santos na Águia de Ouro, Bernardete, Eliana de Lima. Casar com uma voz masculina também dá um toque especial. É bacana essa junção, pois traz a potência de vozes masculinas e femininas fortes. Gosto muito desse casamento de vozes. Eu e Darlan conversamos muito, tudo é alinhado, temos que apoiar um ao outro: estamos todos no mesmo nível. As mulheres estão na linha de frente!”

Darlan destacou a harmonia não apenas nos microfones, mas no trabalho com a nova parceira: “A escolha do samba-enredo define muito o trabalho do ano. Cantar com uma intérprete de voz feminina não apresenta problemas de encaixe, pois sempre encontramos um meio-termo para que ambos se sintam à vontade. Tecnicamente, as cantoras atingem extensões vocais mais agudas que os homens, mas os sambas-enredos são geralmente compostos para vozes masculinas. Ajustamos, subimos uma nota ou um tom: entramos no meio-termo e tudo dá certo.”

FONTE/CRÉDITOS: Colaboração Carnavalesco