No Quilombo Urbano da Xambá, em Olinda (PE), tambores, cabaças, circuitos eletrônicos, sensores e samples digitais estão sendo combinados para criar uma nova geração de instrumentos musicais afro-brasileiros. Com patrocínio da Transpetro e do Ministério da Cultura, por meio do Programa Rouanet Nordeste, o movimento acontece dentro do Bongarbit —  laboratório criativo surgido no Centro de Arte e Cultura Grupo Bongar — Guitinho da Xambá que agora se transforma na “Escola Bongarbit de Luteria de Instrumentos Musicais Orgânicos e Digitais da Xambá”, uma formação gratuita que conecta cultura popular, fabricação digital, música, empreendedorismo e tecnologia social.

O projeto nasce de uma parceria entre o Bongarbit e o Instituto Fab Lab Rec, organização ligada à cultura maker e à fabricação digital no Recife, e propõe algo raro no Brasil: transformar ancestralidade afro-brasileira em plataforma de invenção contemporânea.

Mais do que uma escola, o Bongarbit funciona como um laboratório de criação cultural e tecnológica, onde tradição afro-brasileira, experimentação sonora e fabricação digital se encontram na invenção de novos instrumentos musicais. A partir de elementos ancestrais como cabaças, tambores e corporalidades da percussão popular, o projeto investiga novas possibilidades para a música contemporânea, transformando memória, território e cultura em plataformas de inovação.

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Entre as criações desenvolvidas pelo coletivo estão instrumentos inéditos como o “Engome Adubado”, o “Agbau” e os “Botões Falantes”, peças criadas a partir de cabaças, madeira reutilizada, tambores tradicionais, sensores eletrônicos e interfaces digitais que expandem possibilidades sonoras da percussão afro-brasileira.

As cenas produzidas pelo projeto chamam atenção imediatamente: jovens soldando circuitos dentro de instrumentos tradicionais, percussionistas tocando tambores digitais criados no próprio território, encontros musicais entre cultura popular e fabricação digital, além de laboratórios criativos instalados dentro do Centro de Arte e Cultura Grupo Bongar - Guitinho da Xambá.

Para os realizadores, o projeto propõe uma inversão importante na lógica da tecnologia no Brasil. “A periferia quase sempre aparece apenas como consumidora de tecnologia. O Bongarbit parte de outro lugar: aqui a tecnologia nasce da cultura popular, da ancestralidade e da inteligência criativa do próprio território”, explica Thúlio Xambá, uma das lideranças do projeto.

A pesquisa também dialoga com temas contemporâneos como sustentabilidade, reaproveitamento de materiais, inclusão digital, economia criativa e democratização tecnológica. Parte dos instrumentos é construída com materiais reciclados, como restos de madeira e canos de PVC, combinados a softwares, sensores e dispositivos eletrônicos utilizados na música digital contemporânea.

Além da formação principal, a iniciativa realizará uma trilha de educação empreendedora voltada à geração de renda. Projetos como o Bongarbit mostram a cultura como um espaço vivo para a criação. A iniciativa transforma memória ancestral em conhecimento e autonomia. “Para a Transpetro, apoiar essa potência é valorizar tradições, fortalecer territórios e ampliar oportunidades na cadeia da economia criativa”, afirma a gerente geral de Comunicação Empresarial da Transpetro, Lilian Rossetto.

O projeto vai circular com oficinas de apresentação e experimentação dos instrumentos Borgarbit passando por oito municípios pernambucanos. As atividades acontecem entre julho de 2026 e fevereiro de 2027, no Centro de Arte e Cultura Grupo Bongar – Guitinho da Xambá, em Olinda, e no Instituto Fab Lab Rec, no Bairro do Recife, dentro do território do Porto Digital.

Café com Bongarbit

Mensalmente, o “Café com Bongarbit” recebe músicos e artistas para vivência em torno dos instrumentos orgânicos e digitais, um encontro aberto ao público com música, experimentação, troca, memória e tecnologia ancestral.

Bongarbit – Escola de Luteria de Instrumentos Musicais Orgânico e Digitais da Xambá

Locais: Olinda (comunidade da Xambá) e Recife (Fab Lab Rec / Porto Digital)

Data: julho de 2026 a fevereiro de 2027

Formação gratuita em música, tecnologia, empreendedorismo, fabricação digital e cultura afro-brasileira

Inscrições a partir de 1º de junho de 2026: https://bongarbit.fablabrec.org/(acesse)

Instagram: @bongarbit | @fablabrec | @grupobongar | @transpetro_oficial

Sobre a Transpetro

Operadora de 46 terminais (25 aquaviários e 21 terrestres), cerca de 8,5 mil quilômetros de dutos e 32 navios, a Transpetro é a maior subsidiária da Petrobras e a maior companhia de logística multimodal de petróleo, derivados e biocombustíveis da América Latina. A Transpetro presta serviços a distribuidoras, à indústria petroquímica e demais empresas do setor de óleo e gás. A carteira da subsidiária da Petrobras conta com mais de 130 clientes.

Sobre o Bongarbit

O Bongarbit nasce no Centro de Arte e Cultura Grupo Bongar - Guitinho da Xambá, dentro da comunidade da Xambá, em Olinda/PE. Acreditamos na cultura popular como fonte de inspiração para pesquisas científicas e a periferia como território estratégico para a criação de novas tecnologias. Sendo assim, criamos coletivamente três instrumentos digitais percussivos: o “Agbau”, o “Botões Falantes” e o “Engome Adubado”. Se tratam de inovações tecnológicas conectadas com a ancestralidade e história das tradições musicais da comunidade, apontando para alternativas de futuro mais sustentáveis.

Sobre o Instituto Fab Lab Rec

Fundado sobre os princípios da democratização do acesso a ferramentas de fabricação digital, o Instituto Fab Lab Rec cria pontes entre sonhos e a inovação tecnológica, possibilitando que comunidades, artistas, educadores e empreendedores explorem novas linguagens culturais e desenvolvam seus potenciais criativos e econômicos. Ao valorizar a cultura digital em suas múltiplas facetas — da prototipagem rápida às práticas artísticas mediadas pela tecnologia — o Instituto atua como um laboratório vivo de ideias, onde a inovação se torna prática cultural.