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Nos dias 25 e 26 de setembro, o Museu Afro Brasil Emanoel Araujo, em São Paulo, sedia o 3º Encontro da Rede de Acervos Afro-brasileiros. O evento, sob o tema “Memória e territórios: estratégias para construir o futuro em Rede”, busca reunir representantes de instituições e iniciativas dedicadas à preservação, pesquisa e difusão das memórias e patrimônios da cultura negra no país.

A ação é realizada pela Associação Museu Afro Brasil, por meio do Programa Conexões Museus SP, em parceria com o Sistema Estadual de Museus de São Paulo (SISEM-SP). O encontro integra a programação da 20ª Primavera dos Museus. O primeiro dia de atividades será exclusivo para membros da rede, enquanto o sábado será totalmente aberto ao público geral.

Articulação e governança interna

Na sexta-feira (25), os participantes debaterão as diretrizes políticas e de governança da rede. A programação interna contará com a roda de conversa “Tecendo consensos: a construção das Diretrizes da Rede de Acervos Afro-brasileiros”. Além disso, ocorrerão as eleições das Articulações Regionais e do Núcleo de Articulação para o biênio 2027-2028, fortalecendo a estrutura organizacional do grupo.

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Para Jandaraci Araújo, diretora-executiva da Associação Museu Afro Brasil, o trabalho conjunto é essencial. "Quando falamos em preservar a memória afro-brasileira, falamos também das histórias, dos territórios e das pessoas que dão sentido a esses patrimônios", destaca a diretora. Segundo ela, a rede permite aproximar experiências e fortalecer iniciativas que já ocorrem de forma descentralizada.

Programação cultural e debates abertos ao público

No sábado (26), a partir das 10h, as portas se abrem para os visitantes. O grande destaque é a inauguração de "Nzo – Memórias Afro-brasileiras", a primeira exposição da rede. A mostra, que conta com curadoria compartilhada, reúne 40 iniciativas de diversas regiões brasileiras focadas na salvaguarda de bens culturais. Uma visita guiada marcará a abertura oficial da atração.

À tarde, o Teatro Ruth de Souza recebe a mesa de debate "O papel das Redes no fortalecimento de ações e políticas públicas antirracistas". O painel contará com a presença de lideranças do setor, como Luciana Carvalho (ICOM Brasil), Janaina Melo (Instituto de Pesquisa e Memória Pretos Novos) e Lucas Ribeiro (Rede Museologia Kilombola), sob mediação de Marcelo Nascimento Bernardo da Cunha (MAFRO/UFBA).

O evento também exibirá uma apresentação em vídeo do Knowledge Out of Place Forum (KOPF), rede internacional sediada na Alemanha. A iniciativa atua no mapeamento de coleções africano-brasileiras transferidas para museus estrangeiros, buscando caminhos para a repatriação e reparação histórica.

Quem integra a iniciativa

Fundada em 2022, a rede mapeia e divulga acervos que contam a história da população negra no Brasil. A composição da rede é diversa e engloba:

  • Museus, arquivos e bibliotecas de diferentes esferas;
  • Povos e comunidades tradicionais de terreiro e de matriz africana;
  • Quilombos e pontos de memória espalhados pelo território nacional;
  • Coleções particulares que salvaguardam bens culturais materiais e imateriais.