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Uma nova versão do musical 'Marrom, o Musical', que homenageia a icônica cantora Alcione, tem estreia marcada para 11 de setembro no Teatro Claro Mais, em São Paulo. O espetáculo, idealizado por Jô Santana e com direção de Miguel Falabella e Iléa Ferraz, está em fase final de audições, oferecendo uma oportunidade para sambistas e artistas do carnaval demonstrarem seu talento e buscarem um lugar na produção.
A nova montagem promete trazer um frescor ao espetáculo, que foi originalmente apresentado em 2022. Jô Santana ressalta que esta edição reflete o crescimento da cena teatral musical brasileira nos últimos dez anos, com um elenco renovado e diversificado. Ele enfatiza a importância de contar histórias brasileiras com talentos nacionais, citando nomes como Cartola, Dona Ivone Lara e Alcione como pioneiros que abriram caminho para novas gerações de artistas negros no teatro musical.
Um palco para a pluralidade brasileira
Santana destaca que o Brasil possui uma riqueza cultural imensa, com histórias potentes que merecem ser contadas. Ele critica a dependência de referências estrangeiras, defendendo a valorização da pluralidade e diversidade presentes no país. O idealizador celebra a evolução da indústria criativa e a formação de novos atores através de escolas especializadas, combatendo a "síndrome de vira-lata" e afirmando a potência dos artistas brasileiros.
O processo de seleção atraiu cerca de 250 artistas, descritos como "o créme de la créme", capazes de cantar, dançar e atuar, representando a diversidade de corpos reais encontrados no cotidiano. Essa seleção demonstra o amadurecimento do mercado teatral musical brasileiro, que tem visto um crescimento significativo de artistas talentosos nos últimos quinze anos.
Homenagem e Legado
O idealizador de 'Marrom, o Musical' fez questão de ressaltar o expressivo número de inscritos, aproximadamente 600, dos quais cerca de 250 serão selecionados. Entre os talentos que participaram das audições estão nomes conhecidos no universo do carnaval.
Dandara Ventapane, primeira porta-bandeira da Unidos de Vila Isabel, expressou a profunda influência de Alcione em sua vida e carreira. Ela destacou o legado da cantora, incluindo seu papel na criação de escolas mirins na Mangueira do Amanhã. Ventapane ressaltou a importância de um musical brasileiro que celebre o samba e a história de seus personagens, motivando sua participação no projeto.
Graziele Raquel da Silva Santos, conhecida como Grazzi Brasil e ex-intérprete oficial de escolas como Paraíso do Tuiuti e Vai-Vai, também participou da apresentação para a imprensa. Ela descreveu Alcione como uma "mãezona" e uma artista musicalmente brilhante. Grazzi compartilhou sua ligação com a cantora através do carnaval, relembrando uma versão de "A Loba" que a levou à avenida.
Experiência na avenida e no palco
Ambas as artistas comentaram sobre como a experiência no carnaval pode influenciar suas performances no musical. Dandara Ventapane acredita que ser porta-bandeira a ajuda na apresentação e na avaliação, comparando-a à constante avaliação dos jurados no carnaval. Sua formação em dança e conhecimento do samba conferem-lhe uma "propriedade" e "raiz" para o projeto.
Grazzi Brasil, por outro lado, apontou as diferenças entre cantar no carnaval e em um musical. Ela explicou que, embora tenha experiência em shows e na avenida, o canto em musicais exige uma abordagem vocal distinta, com foco em corais e solos específicos. Sua experiência em dois musicais anteriores a prepara para este novo desafio, que ela vê como uma oportunidade de aprendizado sobre a música popular brasileira.
A Mangueira e o futuro do musical
A conexão de Alcione com a Estação Primeira de Mangueira é inegável, tendo sido enredo da escola em 2024 e presidente de honra da Mangueira do Amanhã. O idealizador Jô Santana afirmou que é impossível falar de Alcione sem mencionar a Mangueira e o carnaval, pois ambos são elementos intrínsecos à sua identidade e à história que o musical pretende contar.
A diretora Iléa Ferraz complementou, destacando que a Mangueira foi um "grande chão" para Alcione. Ela ressaltou que o musical representa a realização de um sonho da cantora, pavimentando o futuro com um elenco negro e talentoso. Ferraz enfatizou a importância de dar visibilidade a artistas negros que sempre existiram, mas que nem sempre tiveram a oportunidade de ocupar os palcos.
Mesmo com "Marrom, o Musical" em fase de seleção, a Fato Produções Artísticas já planeja o próximo homenageado: Johnny Alf. A coreógrafa Rafa L. sugeriu Liniker como uma artista que merece ser celebrada, ressaltando o papel da arte em ressignificar a existência de pessoas trans e travestis e em abrir espaço para que mais artistas possam ter acesso à cultura.
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