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O documentário NAZA, dirigido pelos cineastas israelenses Yuval Abraham e Rachel Szor, foi consagrado no Festival de Veneza ao revelar como soldados de inteligência de Israel calculavam mortes de civis na Faixa de Gaza. A obra, que venceu o Prêmio Especial do Júri em setembro, reúne depoimentos de militares que expõem a frieza do exército contra famílias palestinas.

A produção é assinada pelos mesmos diretores premiados no Oscar por No Other Land. No novo trabalho, publicado originalmente em Outras Palavras, os cineastas expõem a banalidade da violência cometida por militares que atuavam nos bastidores da inteligência em Tel Aviv.

O acrônimo hebraico para "danos colaterais" dá nome ao novo documentário. Durante três anos, os realizadores entrevistaram 24 oficiais sob garantia de sigilo. Esses militares realizavam vigilâncias remotas e aprovavam bombardeios sabendo com precisão o número de inocentes que seriam mortos.

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Segundo os diretores, o objetivo do filme não é focar no arrependimento dos oficiais, mas registrar a engrenagem premeditada dos ataques. Um dos relatos mostra como bombardeios eram autorizados mesmo quando se ouvia o som de bebês chorando ou famílias conversando nas residências.

A engrenagem do extermínio e a negação social

Parte do material recolhido alimentou uma série de reportagens investigativas veiculadas no The Guardian e na revista +972. Os depoimentos reforçam conclusões de órgãos internacionais e da ONU, que classificam a ofensiva israelense em Gaza como um genocídio orquestrado no mais alto escalão político e militar.

Além de expor a rotina militar, o longa reflete sobre a cumplicidade da sociedade civil. O filme mostra uma Tel Aviv alienada, onde a vida noturna segue normal a apenas 60 quilômetros do massacre, evidenciando os mecanismos de conformismo que sustentam o conflito.

Após ser aplaudida por 26 minutos em sua exibição na Itália, a produção se prepara para estrear no Brasil. Com exibições previstas em São Paulo a partir de 1º de outubro, o filme busca romper o negacionismo sobre os crimes em Gaza.

FONTE/CRÉDITOS: Washington Andrade