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A melodia imortal de "A Pantera Cor-de-Rosa"
A sedutora e misteriosa melodia que abre os créditos animados do filme de Blake Edwards, composta por Henry Mancini em 1963, ganhou vida através do saxofone tenor de Johnson. Mancini, que já havia colaborado com Johnson no tema da série "Peter Gunn" (1958) – trabalho que rendeu ao compositor o primeiro Grammy de Melhor Álbum da história –, concebeu a peça pensando especificamente no talento do saxofonista.
A gravação do tema de A Pantera Cor-de-Rosa foi um marco, realizada de madrugada e exigindo apenas duas tomadas. "Quando terminamos, todos aplaudiram — até os músicos de cordas. E isso é muito raro. Eles nunca aplaudem nada", relembrou Johnson em entrevista ao The Modesto Bee em 2007. O solo central da faixa, totalmente improvisado no estúdio, contribuiu para que a música alcançasse o Top 10 da parada Adult Contemporary nos Estados Unidos e conquistasse três Grammys, incluindo o de melhor arranjo instrumental.
Uma vida dedicada à música e à superação
Nascido em Donaldsonville, Louisiana, em 21 de julho de 1931, Plas Johnson cresceu em um ambiente musical, com pai saxofonista e banjoísta, e mãe cantora e pianista. Aos 12 anos, iniciou sua jornada com o saxofone soprano, rapidamente progredindo para os modelos alto e tenor. Ainda adolescente, já se destacava em Nova Orleans, tocando blues, Dixieland e bebop.
Após uma passagem pelo Exército americano, Johnson se mudou para Los Angeles na década de 1950, onde se consolidou como um dos primeiros músicos negros a estabelecer uma carreira consistente nos estúdios de cinema e televisão de Hollywood, quebrando barreiras raciais e abrindo caminho para futuros talentos.
O legado no "Wrecking Crew" e além
Em Los Angeles, Johnson tornou-se parte do influente Wrecking Crew, um grupo informal de músicos de estúdio responsável por inúmeras gravações de sucesso da época. Sua versatilidade no saxofone pode ser ouvida em discos de artistas lendários, como:
Além de suas contribuições em estúdio, Johnson manteve uma ativa carreira no jazz, apresentando-se em clubes noturnos e lançando mais de uma dezena de álbuns solo. Ele também foi membro da banda do apresentador Merv Griffin em seu programa de televisão por 15 anos.
Reconhecimento tardio e despedida
Nos últimos anos, Plas Johnson finalmente começou a receber o merecido reconhecimento público pelo seu papel crucial no solo de 1963. Ele passou a incluir o tema de A Pantera Cor-de-Rosa em seus shows, para a surpresa e admiração do público. "Às vezes as pessoas me dizem que eu soa exatamente como a versão original. Os olhos ficam arregalados quando conto que fui eu quem tocou", relatou ao Long Beach Press-Telegram em 2005.
Plas Johnson deixa sua esposa, Carol Johnson, com quem foi casado por 60 anos, seis filhos, oito netos e doze bisnetos, um legado musical que transcende gerações e uma história de pioneirismo e talento inegável. Sua contribuição para a música e o cinema permanece imortalizada em cada nota da inconfundível melodia da Pantera Cor-de-Rosa.
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