O Ministério da Educação (MEC) divulgou nesta quarta-feira (5), em Brasília, os resultados do Saeb 2025, indicando que a educação básica brasileira recuperou os patamares de aprendizagem anteriores à pandemia de covid-19. Apesar da evolução em língua portuguesa e matemática, o avanço do país ainda enfrenta obstáculos críticos.

Desempenho por etapas de ensino

Nos anos iniciais do ensino fundamental, a nota padronizada subiu de 5,9 para 6,2 entre 2023 e 2025. Esse foi o progresso mais expressivo registrado na avaliação. As escolas públicas dessa fase superaram o desempenho de 2019 e atingiram o nível considerado adequado de aprendizagem em português e matemática.

Por outro lado, nos anos finais do ensino fundamental, a média passou de 5,1 para 5,2, mantendo os estudantes no nível básico. No ensino médio, o indicador alcançou 4,5, superando os 4,4 de 2019. Contudo, o aprendizado de matemática na etapa final do ensino básico permanece abaixo do patamar básico.

Publicidade

Leia Também:

A especialista Natália Fregonesi, da organização Todos Pela Educação, alerta que muitos alunos chegam ao ensino médio com atrasos acumulados. Segundo a coordenadora, é indispensável priorizar a aprendizagem desde o início da trajetória escolar para evitar gargalos consolidados ao final da educação básica.

Desafios para destravar a matemática

O grande gargalo da educação nacional continua sendo o aprendizado em matemática, especialmente no ensino médio, cujos índices ainda não retornaram aos níveis pré-crise sanitária. Para o vice-presidente da Fundação Lemann, Felipe Proto, enfrentar o problema exige políticas públicas contínuas, como o programa Compromisso Nacional Toda Matemática.

O ministro da Educação, Leonardo Barchini, destacou que a queda na proficiência em matemática é um fenômeno global. Ele ressaltou que o Brasil busca enfrentar a questão com a formação continuada e com a Prova Nacional Docente (PND), que identificou profissionais qualificados suficientes para suprir as redes de ensino.

Complementando a análise, a secretária Nacional de Educação Básica, Kátia Schweickardt, ressaltou que a evolução do desempenho estudantil é fruto de uma agenda educacional sistêmica e bem executada pelas gestões públicas.

Recuperação mais rápida que o previsto

Relatórios internacionais previam que o Brasil levaria até 13 anos para reverter os impactos da pandemia. No entanto, os dados mostram uma recuperação em apenas quatro anos. Apesar da agilidade na retomada, a organização Todos Pela Educação lembra que os patamares de 2019 já eram baixos, exigindo ritmo acelerado de melhorias.

Estrutura da avaliação nacional

Na edição recente do exame, o Inep avaliou 5,9 milhões de estudantes em 73,7 mil escolas de todo o país. Realizado a cada dois anos desde 1990, o diagnóstico subsidia o cálculo do Ideb e orienta intervenções pedagógicas nas redes estaduais e municipais.

FONTE/CRÉDITOS: Daniella Almeida - Repórter da Agência Brasil