A série baiana “Àgbára Dúdú – Narrativas Negras” estreou nesta semana no Canal Futura com a proposta de colocar a cultura de terreiro e as religiões de matriz africana no centro do conhecimento popular e antropológico. O projeto busca valorizar a produção de saberes e o papel social dessas comunidades no Brasil.

Idealizada pela diretora Silvana Moura, a produção nasceu da percepção sobre o vasto conhecimento acumulado pelas mães de santo em medicina natural e resolução de conflitos. A iniciativa começou com gravações em Salvador e expandiu-se para estados como Maranhão, Pernambuco, Rio de Janeiro e Sergipe.

Mergulho antropológico e cultural

Para a diretora, ainda existe uma lacuna no reconhecimento dos terreiros como centros legítimos de troca e difusão cultural. Ela destaca que o trabalho não tem viés religioso, funcionando como um estudo antropológico sobre a convivência comunitária e o pensamento contemporâneo desses grupos.

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Atualmente em sua segunda temporada, exibida às quartas-feiras no Canal Futura, a atração conta com 13 episódios. Cada capítulo ressalta a trajetória de um líder expressivo, a exemplo de Pai Reginaldo Flores, Dona Valdelice e Mãe Beata de Yemanjá.

Origem da inspiração

A conexão de Silvana com a temática afro-brasileira surgiu ao presenciar o desfile do afoxé Badauê no Engenho Velho de Brotas. Impressionada pela força artística ligada às raízes afrorreligiosas, a diretora decidiu aprofundar seus estudos em dança afro com Mestre King, distanciando-se de sua formação inicial em balé clássico.

A primeira temporada da obra foi lançada em 2020. Agora, com a nova safra de episódios, o público pode acompanhar semanalmente a riqueza das manifestações e conhecimentos preservados nos terreiros pelo país.

FONTE/CRÉDITOS: Thays Andrade