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Texto: Regina Lúcia dos Santos* | Imagem: Reprodução
A militância negra me fez entender que a fome está intimamente ligada ao racismo e capitalismo. Os famintos deste mundo, a exceção de época de guerras, são os não brancos, a fome, a insegurança alimentar assombra os negros, pobres, periféricos de toda a África, os indianos, os asiáticos, os povos originários de todas as Américas e Oceania, e de forma cruel os nortistas, nordestinos do Brasil seja em que região estiverem. E a lei da minha mãe me segue na militância, sigo querendo acabar com o racismo e com o capitalismo mas a fome me assombra e por isso juntei a minha luta eminentemente política, ações para garantir que as pessoas tenham um prato de comida aonde estiverem e isso pressupõe lutar contra o racismo ambiental, por uma agricultura sem agrotóxicos, pelo direito à terra pra quem nela quer plantar, uma agroecologia que garanta comida saudável em todos os pratos, todos os dias.
O capitalismo precisa fabricar famintos para que se sujeitem as suas regras desumanizadoras e faz isso pela exploração racial. O capitalismo neoliberal em tempos de pandemia colocou no mapa da fome 33 milhões de brasileiros e em situação de insegurança alimentar algo próximo a 130 milhões de pessoas, em sua grande maioria, negros, indígenas , entre eles milhões de crianças. Por isso ao longo dos últimos anos tenho me incorporado a luta, para além de não passar fome, existir comida para que seja possível não negar e não faltar comida no prato de ninguém.
*Regina Lúcia dos Santos é coordenadora estadual do MNU-SP.
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