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O município de Belo Jardim, no Agreste de Pernambuco, recebe a oficina “Agora tudo é um projeto?”, com a facilitação da artista autoral e pensadora cultural Aline Sou, natural da cidade. Ela possibilita uma formação gratuita sobre a elaboração e a gestão de projetos culturais do Funcultura, edital público que atualmente é o principal mecanismo de incentivo à cultura em Pernambuco. Os encontros são realizados durante uma semana na Secretaria de Cultura, Turismo e Empreendedorismo da cidade, com apoio da Prefeitura de Belo Jardim.
Ela estreou a oficina na última segunda-feira (28 de abril), com a conclusão acontecendo no dia 2 de maio (sexta-feira). A formação é para o público em geral, com prioridade para pessoas negras, indígenas, quilombolas, ciganas, ciganos, mulheres, idosos (as), LGBTQIAP+ e mães. A oficina oferece certificado de 15 horas, mediante participação mínima de 75% da carga horária.
“A ideia é conectar as próprias pessoas com a história, as memórias e os afetos da cidade, estimulando assim a valorização artístico-cultural de Belo Jardim, por meio da captação de recursos públicos. É importante também que o projeto seja realizado com pessoas da própria localidade e para a população belojardiense”, resume.
Com o objetivo de fortalecer a produção cultural local para o Funcultura e demais editais públicos, a partir de políticas públicas que destacam a diversidade artística no município, Aline Sou busca dar acesso ao universo da elaboração de projetos. Além de proporcionar a troca de conhecimentos e vivências, o espaço é importante para a ampliação do debate sobre o respectivo edital.
As atividades da oficina “Agora tudo é um projeto” são distribuídas da seguinte forma: “vivência e escuta ativa”; “troca de ferramentas e referências”; “construção e elaboração”.
“A formação é para pessoas que atuam ou desejam entrar no campo da arte, cultura, comunicação ou educação, independentemente de experiência. A proposta é aproximar as pessoas da palavra ‘projeto’. Vale lembrar que existe uma dificuldade ainda maior quando se trata do acesso ao conhecimento sobre captação de recursos nos territórios fora da Capital. Sendo assim, o desafio é justamente de trazer essa ampliação dos saberes e conhecimentos também para o interior do estado”, acrescenta.
No mês de abril deste ano, em Belo Jardim, Aline Sou apresentou a performance solo “Entre corpo e a palavra: Ebó”, durante a programação da 1ª edição do Festival Mulheres no Quilombo do Barro Branco. Esta iniciativa independente foi produzida localmente pelo Coletivo Feminista Desabrochar, Coletivo Jardim de Cores, Fórum de Mulheres do Agreste, Coletivo Maré e Quilombo do Barro Branco.
Ainda na cidade onde nasceu, entrou em cena com as performances “Abala” na I Mostra de Teatro Mandrágora, “Corpo alvo” no Festival Mojubá: abre caminhos, realizado no Quilombo Barro Branco, e “Black Friday” na Escola Ministro Marcos De Barros Freire.
Criadora da Emoriô Comunicação — voltada ao protagonismo da mulher negra na comunicação —, Aline Sou é envolvida com arte e produção cultural há mais de dez anos. Em 2024, integrou a Secretaria da Cultura do Estado de Pernambuco como assessora audiovisual.
Entre suas atuações estão a produção coletiva do curta-metragem “Meu Lugar no Mundo” (PE), premiado no 17º Curta Taquary (PE); a curadoria coletiva do Cineclube Erê Sankofa (PE), que acontece no Centro Cultural Grupo Bongar Nação Xambá (PE), em Olinda; a participação como colaboradora do coletivo Ará Agontimé (PE), formado por mulheres negras que dançam suas escrevivências.
Ela também reúne vivências na assistência de elenco dos longas-metragens pernambucanos "Eu Quero Ir" e "O Sertão Vai Vir ao Mar"; direção de elenco, figurino e produção do filme "À Deriva"; assistência de produção do curta-metragem “Da boca da noite à barra do dia”, de Pernambuco.
Pelo mundo afora
Engenheira de materiais formada pela Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) e com intercâmbio acadêmico-cultural na cidade de Sevilla (Espanha), Aline desenvolve uma trajetória interdisciplinar que dialoga com a arte, a comunicação e a ancestralidade.
Em Campina Grande (PB), atuou com o Coletivo Ariel Literário, realizando saraus e performances nos estados da Paraíba e Pernambuco, entre outras produções de 2014 a 2020. No ano de 2017, inclusive, participou do Festival de Inverno de Garanhuns (FIG), no Agreste de Pernambuco, apresentando o sarau “Paraíba Contemporânea”. Em solo paraibano, tem vivência como oficineira (Escrita Criativa - do invisível ao desabafo) e performer no “Enegrecida Festival”, em 2022.
Publicado por:
Daniel Lima
Comunicador social & jornalista. De Caruaru/PE, criado no Recife. Atua com assessoria de imprensa artístico-cultural e atualmente é assessor de imprensa/mídias sociais do Coco Raízes de Arcoverde/PE.
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