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O Ecossítio Catimbau, no Sítio Serrote Preto, em Buíque/PE, tem realizado diversas atividades artístico-culturais diretamente conectadas com pautas de tradição de saberes populares, meio ambiente, raça, gênero, ancestralidade, memória, e, sobretudo, território. Destaque-se também que todas as vivências são coletivas, a partir do compartilhamento de conhecimentos. O município de Buíque fica no Agreste e ao mesmo tempo é vizinho da região do Sertão pernambucano.
O Ecossítio Catimbau celebra o aquilombamento entre lideranças indígenas e quilombolas; mestras e mestres da cultura popular e ancestral; guardiãs e guardiões de saberes; agricultoras e agricultores familiares das comunidades locais; e mais pessoas do próprio território. Essa história surge do I Encontro de Culturas Ancestrais da Caatinga, fruto do Rekaatinga Catimbau, projeto selecionado pelo Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN), com incentivo público do 37º Edital do Fundo Ecos, que tem o financiamento do Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF).
Com realização e produção do próprio Ecossítio, o I Encontro de Culturas Ancestrais da Caatinga é criado com o propósito de fortalecer as ações territoriais de base comunitária, que têm como objetivo a conservação da biodiversidade e a valorização dos saberes tradicionais.
Para potencializar o acontecimento, vale destacar também a parceria da Associação Kapi’wara, da AMAPÔ Produtora Cultural, da Afinco Produções, da Comissão de Juventude Indígena de Pernambuco (COJIPE), das etnias Kapinawá, Atikum, Pankaiwká, Fulniô, Xukuru, Pankararu e Pankararu Opará, e das comunidades quilombolas Mundo Novo, Serrote Preto, Chapéu e Conceição das Crioulas. Além disso, houve o apoio das secretarias municipais de Buíque, do GEF, por meio do Small Grants Programme (SGP), do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), do ISPN, e do Fundo Ecos.
O Ecossítio Catimbau, com a liderança do produtor cultural e ativista climático Fausto Paiva, detalha sobre a conexão direta entre o meio ambiente e os povos tradicionais. As vivências do I Encontro de Culturas Ancestrais da Caatinga contribuíram para o crescimento da Rede Rekaatinga, que atua com a regeneração do bioma caatinga a partir do fortalecimento dos territórios ancestrais afroindígenas.
"Estamos num momento de virada de chave com relação ao protagonismo da caatinga na captação de carbono e na mitigação climática global. As ações estruturadoras para regeneração do bioma começam pelo fortalecimento das populações tradicionais afro-indígenas que vivem no território. As soluções já estão aqui… Agora temos que visibilizar e potencializar as tecnologias sociais dos povos”, afirma o pernambucano Fausto Paiva.
Com a conclusão do I Encontro de Culturas Ancestrais da Caatinga — coordenação geral de Fausto Paiva e coordenação executiva de Ednardo Dali —, ainda em dezembro do ano passado, o sentimento é de conquista, reconhecimento e continuidade. “Seguimos e avançamos em coletividade porque regenerar o bioma é também regenerar vínculos, saberes e modos de existir”, declara Fausto.
Na ocasião, a programação reuniu rodas de conversa, uma delas sobre saúde indígena; trocas de saberes com mestras e mestres do Quilombo Mundo Novo e com povos indígenas Kapinawá e Fulni-ô; trilha pelo Sítio Arqueológico Alcobaça (Vale do Catimbau); rituais; performance/intervenção; e apresentações musicais e artísticas de grupos da cultura popular de raiz.
“A roda de conversa, os gestos compartilhados e as expressões culturais abriram espaço para a construção coletiva afirmando a preservação cultural dos territórios tradicionais, a convivência com o semiárido e a adaptação às mudanças climáticas”, pontua Fausto.
As pessoas envolvidas com o movimento no Ecossítio Catimbau foram dos municípios do interior de Pernambuco, em sua maioria, sobretudo de Buíque, Pesqueira, Águas Belas e Belo Jardim, todos no Agreste, e Arcoverde, no Sertão.
Atividades realizadas
Na programação, troca de saberes com mestras e mestres, como Audálio Kapinawá (artesão indígena), Elena (louceira quilombola), Irailda Leandro (educadora popular quilombola), Towê Fulni-ô (liderança indígena), Socorro Kapinawá (liderança indígena) e Luiza Cavalcanti (presidenta da Associação de Educação, Arte, Cultura e Agroecologia Sítio Ágatha); vivência de arqueologia indígena no Sítio Arqueológico Alcobaça, no Vale do Catimbau, com Ronaldo Kapinawá (arte-educador e arqueólogo indígena); apresentações culturais dos grupos Coco Resgate da Alegria, do Quilombo Mundo Novo (Buíque - Agreste), Cafurnas Fulni-ô e banda (Águas Belas - Agreste), Coco Origens do Ororubá, do mestre Pirrila (território Xucuru, de Pesqueira - Agreste), Coco Ouricuri (território Kapinawá, de Buíque) e Toré Kapinawá (Buíque).
Além do mais, roda de conversa sobre a saúde indígena, com facilitação de Vanda Kapinawá (liderança indígena); troca de sementes; oficina de pintura e grafismos com Lua; performance/intervenção de Renna Costa (artista do Vale do Catimbau); e discotecagem assinada por Thays Venâncio, artisticamente conhecida como Cigana Cósmica (artista de Arcoverde).
Ficha técnica - I Encontro de Culturas Ancestrais da Caatinga
Realização: Ecossítio Catimbau
Instituição parceira: Associação Kapi’wara
Patrocínio: ISPN (Instituto Sociedade, População e Natureza)
Coordenação geral: Fausto Paiva
Coordenação executiva: Ednardo Dali
Produção executiva: Renna Costa e Aline Sou
Produção audiovisual: Afinco Produções
Produção sonora: Thaís Venâncio
Fotografia: Meyriane de Mira
Mídias sociais: Emoriô Comunicação
Oficina artística: Lua
Still: Nathália Tenório
Alimentação: Mônica Valéria
Parcerias: COJIPE (Comissão de Juventude Indígena de Pernambuco); Etnias Kapinawá, Atikum, Pankaiwká, Fulniô, Xukuru, Pankararu, Pankararu Opará; e comunidades quilombolas do Mundo Novo, Serrote Preto, Chapéu e Conceição das Crioulas.
Publicado por:
Daniel Lima
Comunicador social & jornalista. De Caruaru/PE, criado no Recife. Atua com assessoria de imprensa artístico-cultural e atualmente é assessor de imprensa/mídias sociais do Coco Raízes de Arcoverde/PE.
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