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O Instituto Aupaba não parou depois de abril. Com mais de 150 crianças alcançadas nas primeiras três edições do projeto Trilhas Literárias: Desvendando o Brasil, a organização confirmou uma nova rodada de oficinas para maio, desta vez em escolas públicas de Senador Camará, São João de Meriti e Ilha do Governador.
A iniciativa, voltada para alunos de 5 a 8 anos, mistura contação de histórias interativa, música e momentos de troca, criando um formato que vai muito além de sentar e ouvir uma história. Ao final desta segunda edição, o projeto vai chegar à marca de 4 mil livros distribuídos gratuitamente em escolas, bibliotecas e centros culturais do estado do Rio de Janeiro.
Literatura onde ela ainda não chegou
O projeto tem como personagem central o Saci, figura do folclore brasileiro, presente no livro "A Infância do Saci", escrito por Luciana De Lamare, presidente do Instituto Aupaba. A escolha não é por acaso: a ideia é conectar crianças de territórios vulneráveis a histórias que falem da realidade delas.
"A história da mitologia brasileira chega a locais onde normalmente a literatura infantil não chega. Em territórios de vulnerabilidade, as crianças se identificam com os desafios vividos pelo Saci e se sentem acolhidas pela narrativa. Ganhar um livro físico é algo extraordinário, porque muitas vivem em um ambiente onde o livro é escasso", afirma Luciana De Lamare.
Impacto real em quem recebe
Em abril, o projeto passou pelos municípios de Duque de Caxias e Nova Iguaçu. Na Baixada Fluminense, a chegada do Trilhas Literárias foi recebida com entusiasmo por quem trabalha diretamente com essas crianças.
"Receber o Trilhas Literárias em Nova Iguaçu foi muito importante porque estamos inseridos em um território de extrema vulnerabilidade. As atividades dialogam com a realidade das nossas crianças e adolescentes, mostrando a importância de superar dificuldades com resiliência", destaca Irinéia, coordenadora do Centro de Atividades Comunitárias João Custódio.
Contexto e propósito
O Brasil ainda convive com cerca de 9,1 milhões de pessoas analfabetas, segundo dados recentes do IBGE, o equivalente a 5,3% da população com 15 anos ou mais. O analfabetismo segue fortemente ligado à desigualdade social e ao acesso limitado à educação na infância.
É nesse cenário que o Trilhas Literárias se posiciona: não como um projeto pontual, mas como uma ação contínua de reconexão das novas gerações com o folclore e as tradições populares brasileiras. O projeto é patrocinado pela Light e pela Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Rio de Janeiro, e conta com apoio do Instituto Light. Está também alinhado aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU.
"Quando a cultura chega à escola de forma lúdica e acessível, ela contribui para o desenvolvimento emocional, cognitivo e social das crianças", ressalta Zilma Ferreira, gerente do Instituto Light.
Publicado por:
Ana Magal
Sou jornalista, blogueira, escritora e Assessora de Imprensa Freedom. Mas, antes de tudo, sou uma mulher que vive e resiste com TAB II — uma deficiência invisível que muita gente ainda insiste em não enxergar.
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