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A artista visual independente Marina Zardo transforma a conexão entre mulheres, natureza e espírito na exposição solo “Onde moram os sonhos”, que fica em cartaz no Museu Cais do Sertão (3º andar, sala Moxotó) até o dia 03 de maio (domingo). Com classificação indicativa livre, a mostra autoral reúne 32 obras artísticas, sendo a maioria pinturas com a técnica em óleo sobre tela, produzidas a mão livre, e dois quadros bordados manualmente. Conheça o site da artista Marina Zardo.
“A Guardiã”, de 2024, “Árvore dos sonhos”, “Pássaro” e “Casas de sonhos”, todas de 2025, por exemplo, são telas de destaque da mostra, onde cada obra está conectada para existir entre estados humano, animal, vegetal e imaginário. A lista de quadros é a seguinte: “Sanfoneira”; “Brunch”; “Cervo de duas cabeças”; e “Caranguejo” - 2024; "Altar dos sonhos perdidos"; "Oferenda", "Lua cheia"; "Quem me protege não dorme"; "Tempo"; "Descanso"; "Campo de algodão"; "Dama da noite"; "Abelha rainha"; "Sonho entre flamingos"; "Gêmeas"; "Ensaio sobre o luto'; "Onça parda"; e "Peixe" - 2025; "Olinda"; "Cavalo Marinho"; "Menino cavalo marinho"; e “Filhos do mar” I a VII - 2026.
Em sua 1ª exposição solo, que estreou exatamente no dia 3 de abril deste ano (praticamente um mês de duração), Marina Zardo destaca que as pinturas foram criadas a partir da união de corpos, formas e presenças, como algo que vem de um sonho coletivo.
“A exposição sugere esse lugar onde os sonhos habitam por meio de um território entre o humano e o animal e o íntimo e o imaginário, em que as personagens existem em liberdade e transformação. Ao mesmo tempo, o conceito é de permitir sonhar, criar universos e insistir na alegria como maneiras de abrir frestas para continuar resistindo e existindo”, afirma Marina Zardo, natural de Tubarão/SC e atualmente morando na cidade de São Paulo/SP.
Além de criadora, Marina Zardo assina o design e a expografia, função que realiza em parceria com Janaína Pessoa, à frente também da curadoria da exposição. Ela atua como pesquisadora, produtora cultural, curadora e diretora de arte de São Paulo. Já a realização da mostra é local, com autoria do Umbral das Artes (Hub Criativo Multicultural, com sede no centro do Recife) e da MOLA (produtora colaborativa de pesquisa e gestão de projetos, com raízes na comunidade do Bode, na Zona Sul do Recife). Há também o apoio da Seabra Produção (Recife), que atua com cultura, arte, audiovisual e educação criativa como ferramentas de impacto e transformação social. Toda a produção leva uma assinatura independente.
Vale dizer que “Onde moram os sonhos“é pensada para o público em geral, sobretudo porque os equipamentos culturais são espaços de arte e encontro entre pessoas independentemente de idade, formação ou familiaridade com exposições. O objetivo é alcançar desde quem já frequenta esses espaços até aquelas pessoas que nunca tiveram contato com eles.
“A gente sempre espera que novos visitantes acessem a cultura, com direito à informação. Também acreditamos que é possível proporcionar uma vivência entre as pessoas e as obras, fazendo com que cada um tenha a própria experiência. Desejamos que qualquer pessoa possa se sentir convidada a entrar nesse universo”, declara a artista.
A exposição traz narrativas sobre a autonomia, desejo e liberdade da mulher, a relação com a natureza e a existência no universo. Muitas das pinturas apresentam corpos femininos livres. Inclusive, a artista relaciona o seu jeito de viver com a arte, influenciando na maneira como ela pensa a pauta de gênero e as possibilidades de existência para as mulheres.
“Como pessoa e nas produções artístico-culturais, potencializamos o feminismo, movimento que luta pela igualdade de gênero. É importante reforçar que é um ato político. O que valorizo é justamente essa influência direta entre recortes feministas e minhas referências. Por si só, ‘Onde moram os sonhos’ tem uma dimensão política e social, até pelo próprio ato de sonhar e imaginar futuros possíveis. Sendo assim, o sonho passa de individual para coletivo”, afirma Marina Zardo.
“Onde moram os sonhos” surge de um acervo com pinturas realizadas no próprio ateliê da artista catarinense, durante residências artísticas e pesquisas. Entre as séries estão “Performances da emancipação”, de 2025, e “Filhos do mar”, essa desenvolvida mais recentemente com inspiração no Nordeste, como o litoral de Alagoas e de Pernambuco. Elas unem-se a outras telas compondo, assim, uma única mostra.
Em “Performances da emancipação”, cada obra é um pedaço do retrato de uma mulher do convívio íntimo de Marina Zardo, cujas histórias afirmam o direito de existir em sua complexidade, com desejo, prazer e liberdade. Já “Filhos do mar” é formada por crianças que levam seres do mar em suas cabeças, num mesmo universo, no qual não existe hierarquia entre os seres. Algumas das pinturas também mostram personagens que acompanharam a carreira artística de Zardo, a exemplo do pássaro, do cervo, do cavalo, do caranguejo, do cavalo marinho etc.
“A maioria das obras foi feita ao longo dos últimos dois anos e em tempos diferentes, o que ajudou a construir e a diversificar o imaginário. Algumas também são mais recentes, de 2026. A exposição consegue reunir e compartilhar esse universo. O desejo é de que as pessoas descrevam a exposição como um encantamento e um local de entrar em contato com um universo sensível e imaginativo, pois é possível olhar para o mundo com um pouco mais de imaginação. Conseguindo despertar sensações, pensamentos ou memórias, já sinto que a mostra cumpre seu papel”, pontua a artista.
As maiores telas em dimensão são as seguintes: “A guardiã” - 230 x 160 cm; “Quem me protege não dorme” 195 x 155 cm; “Cervo de duas cabeças” - 185 x 155 cm; “Campo de algodão” - 160 x 110 cm; “Descanso” - 120 x 150 cm. Já as mais reduzidas têm o tamanho de 20 x 20 cm, todas da série "Filhos do mar".
A equipe técnica da exposição é composta por Shell Osmo (coordenação executiva); Maria Rocha (produção); Rose Lima (consultoria artística); Sandro Morais (iluminação); Édson Barbosa e Alessandro Fábio (montagem); Karina Barros (mediação); Tássia Seabra (comunicação); Daniel Lima (assessoria de imprensa); e Rogério Nascimento (audiovisual).
Carreira
De 2023 até agora, as obras de Marina Zardo já circularam com apresentações em instituições, festivais, exposições coletivas e universidades: “Início, meio e início” - Instituto Tomie Ohtake (São Paulo/SP), “Corpo Sujeito” - UERJ (Rio de Janeiro/RJ) e Galeria objectos do olhar (São Paulo/SP), em 2023; “Corpos em Fluxo” - Casa Fluida (São Paulo), “Atlânticos” - Festival Arte Serrinha (Bragança Paulista/SP” e “Casa Cor SC” - Ambiente Kuya'Buka (Florianópolis/SC), em 2024; “50 anos Museu Casa de Portinari” (Brodowski/SP), “Festival Vórtice” - Espaço República (São Paulo) e “Expo Queer” - Galeria Beco Street (São Paulo), em 2025. Recentemente, atuou na Mostra Umbral das Artes 2026, no centro do Recife.
Vale destacar que ela conquistou um prêmio na exposição “50 anos Museu Casa de Portinari”, em Brodowski, com as obras "Brunch" e "Sanfoneira". A artista reúne participações em movimentos por São Paulo, como “Encorpando processos criativos”: com Virginia de Medeiros e Amanda Melo da Mota - Instituto Tomie Ohtake (2023), “Leilão do Beco” (2023, 2024 e 2025), “Grupo de desenvolvimento artístico” - Centro Cultural Marieta (2024), “Acompanhamento artístico” - Regina Parra e Ana Mazzei (2025) e “Corpo, palavra e presença: desenvolvimento de processos criativos com Virginia de Medeiros e Amanda Melo da Mota” (2025).
As relações de Marina Zardo com a arte e a Capital pernambucana são curiosas. Ela nasceu em 1988 e começou a se envolver com a cultura por meio da dança. Foram 20 anos atuando nessa linguagem. Há quase dez anos, ela veio ao Recife para uma apresentação com uma companhia de dança. Na ocasião, nem imaginava que chegaria à função de artista visual.
“A dança tem a ver com o que crio porque me ensinou a escutar e a prestar atenção no corpo, meu e da outra, do outro, nas sensações e na presença. Isso continua presente até hoje nas artes que faço. Mesmo na pintura, muitas imagens nascem desse lugar de escuta. A pintura vem antes da consciência. Sempre digo que a pintura chega antes de mim”, conclui.
Exposição “Onde moram os sonhos” (2026) - Marina Zardo
Local: Centro Cultural Cais do Sertão (Avenida Alfredo Lisboa, Bairro do Recife, Armazém 10)
Em cartaz: até o dia 03 de maio
Entrada: R$ 5,00 (meia) e R$ 10,00 (inteira)
Classificação indicativa: livre
Horário de funcionamento do Centro Cultural Cais do Sertão: 10h às 16h (de terça-feira a sexta-feira); 13h às 18h (sábado e domingo); toda última quinta-feira do mês o horário é estendido das 10h às 20h.
Ficha técnica
Artista idealizadora, expografia e design: Marina Zardo
Curadoria e expografia: Janaina Pessoa
Coordenação executiva: Shell Osmo
Produção: Maria Rocha
Consultoria artística: Rose Lima
Iluminação: Sandro Morais
Montagem: Édson Barbosa e Alessandro Fábio
Mediação: Karina Barros
Comunicação: Tássia Seabra
Audiovisual: Rogério Nascimento
Realização: Umbral das Artes e MOLA
Apoio: Seabra Produções
Título e ano das obras da exposição “Onde moram os sonhos” (Marina Zardo) - confira o catálogo
“Pássaro” (2025) - 73 x 85 cm
“Altar dos sonhos perdidos” (2025) - 74 x 64 cm
“Oferenda” (2025) - 76 x 67 cm
“Lua cheia” (2025) - 74 x 84 cm
“Olinda” (2026) - 40 x 50 cm
“Cavalo Marinho” (2026) - 64 x 38 cm
“Menino cavalo marinho” (2026) - 48 x 32 cm
“Árvore dos sonhos” (2025) - 80 x 80 cm
“Casas de sonhos” (2025) - 80 x 80 cm
“Tempo” (2025) - 78 x 96 cm
“Descanso” (2025) - 120 x 150 cm
“Campo de algodão” (2025) - 160 x 110 cm
“Dama da noite’ (2025) - 82 x 60 cm
“Abelha rainha” (2025) - 80 x 60 cm
“Sonho entre flamingos” (2025) - 87 x 84 cm
“Gêmeas” (2025) - 70 x 50 cm
“A guardiã” (2024) - 230 x 160 cm
“Cervo de duas cabeças” (2024) - 185 x 155 cm
“Onça parda” (2025) - 62 x 67 cm
“Sanfoneira” (2024) - 60 x 60 cm
“Brunch” (2024) - 60 x 60 cm
“Quem me protege não dorme” (2025) - 195 x 155 cm
“Ensaio sobre o luto” (2025) - 70 x 70 cm
“Peixe” (2025) - 70 x 50 cm
“Caranguejo” (2024) - 80 x 80 cm
“Filhos do mar I” (2026) - 20 x 20 cm
“Filhos do mar II” (2026) - 20 x 20 cm
“Filhos do mar III” (2026) - 20 x 20 cm
“Filhos do mar IV” (2026) - 20 x 20 cm
“Filhos do mar V” (2026) - 20 x 20 cm
“Filhos do mar VI” (2026) - 20 x 20 cm
“Filhos do mar VII” (2026) - 20 x 20 cm
Publicado por:
Daniel Lima
Comunicador social & jornalista. De Caruaru/PE, criado no Recife. Atua com assessoria de imprensa artístico-cultural e atualmente é assessor de imprensa/mídias sociais do Coco Raízes de Arcoverde/PE.
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