“Se eu fosse Malcolm?!” leva gestos, palavras, música, dança, poesia de protesto e oficinas formativas para escolas da rede pública e espaços artístico-culturais, apresentando por meio do corpo e da voz uma performance cênico-sonora autoral, com raiz afropernambucana. Neste mês de maio, três novas apresentações do espetáculo — classificação indicativa: 14 anos de idade — são realizadas gratuitamente no Recife para estudantes e público em geral, nos seguintes locais, datas e horários: Escola Pernambucana de Circo (bairro da Macaxeira), no dia 12/05 (terça-feira), às 19h; Escola de Referência em Ensino Médio Professora Helena Pugo (bairro de San Martin), no dia 13/05 (quarta-feira), às 19h, e Compaz Professor Paulo Freire (bairro do Ibura), no dia 14/05 (quinta-feira), às 15h. 

“Se eu fosse Malcolm?!” traz em seu resumo: “Um espetáculo que não pede silêncio. A performance junta música identitária e teatro épico-narrativo com uma crítica pautada pela identidade racial e gênero. Existe uma história que nunca deixaram a gente contar direito… Mas a gente segue contando mesmo assim. Vem desse lugar: da memória que insiste, da presença que não recua e da resistência que não se cala. Inspirado nas vivências negras e periféricas, o espetáculo mistura linguagens, experiências e saberes da rua, da diáspora, do cotidiano e da nossa história”. É daí que origina-se a Revolução Rebolativa — rebolar, dançar e se mover —, presente na peça como afirmação de um ato político. 

Todas as apresentações têm recurso de acessibilidade em Libras para pessoas com deficiência auditiva. Essa temporada mais recente do espetáculo, com sessões por seis RPAs (Regiões Político-Administrativas) da Capital pernambucana, ganha o subtítulo de “Gira Recife”, estreando no mês de setembro de 2025. Na ocasião, houve a 1ª etapa da programação, composta por três apresentações: Teatro Hermilo Borba Filho (Bairro do Recife, centro) - RPA1, pelo Festival Internacional Cena CumpliCidades; Compaz Governador Eduardo Campos (bairro: Alto Santa Terezinha, Zona Norte) - RPA2, pela Festa Literária das Periferias (Flup-PE); e Escola de Artes João Pernambuco (bairro: Várzea, Zona Oeste) - RPA4, pelo Festival Cena CumpliCidades. Agora, a circulação é concluída com atividades nas RPAs 3 (bairro: Macaxeira, Zona Norte), 5 (bairro: San Martin, Zona Oeste) e 6 (bairro: Ibura, Zona Sul). 

Publicidade

Leia Também:

Com base na perspectiva negra decolonial e nos contextos sociais, Eron Villar e Vibra (ambos de Pernambuco) entram em cena como artistas protagonistas de uma relação a dois, reforçando o recorte racial e de gênero em diálogo com as artes cênicas. Essas situações vividas em conjunto e pontuadas pela música criam uma coleção de opiniões e atitudes antirracistas e afrofuturistas, destacando a narrativa da negritude e sua identidade. Além de atuar ao vivo, a dupla assina a direção, a performance e a encenação. Eron também é responsável pela criação da ideia, texto, iluminação, cenografia e produção geral.  

“A apresentação ‘Se eu fosse Malcolm?!’ é inspirada na referência de Malcolm X (em memória), ativista negro norte-americano que atuou na década de 1960 pelos direitos civis da população negra, tornando-se uma das mais influentes vozes mundiais pela igualdade racial. Ou seja, é uma escuta cênica à memória de Malcolm X. A articulação entre a população negra e o pensamento decolonial valoriza uma diversidade de saberes, memórias, territórios, histórias e realidades sociais”, conta Eron Villar. 

Como um manifesto por justiça, “Se eu fosse Malcolm?” une pautas atuais e históricas à arte de performar e comunicar, que é potencializada coletivamente pela oralidade, movimento corporal, trilha sonora, luzes e figurinos. A peça é encenada justamente diante de um momento político-cultural de resistência e luta pelo respeito e dignidade às pessoas de qualquer raça, etnia, gênero ou crença. Ao mesmo tempo, o acontecimento reforça o acesso à informação e seu compartilhamento, sobretudo para as pessoas negras, sendo um propósito da realização das apresentações.  

“O conceito criativo surge da própria pergunta que é o título da performance cênico-sonora. O ponto de partida da apresentação é o encontro de Malcolm X com diversas personalidades negras que contribuíram socialmente e politicamente para a história e outras que até hoje são referências de resistência. O espetáculo também tem como base os pensamentos de Lélia Gonzalez (em memória) e do camaronês Achille Mbembe. Além disso, há ideias desde Martin Luther King (em memória) até a poeta pernambucana Bell Puã, que dialogam com as vozes potentes das cantoras e compositoras Nina Simone (em memória) e Elza Soares (em memória)”, acrescenta Vibra, natural do município de Caruaru, Agreste pernambucano. 

Vale destacar que a trilha sonora é realizada por Vibra, que atua como DJ e assume a concepção musical do espetáculo. Ela faz essa produção em parceria com o pernambucano D Mingus, do município de Arcoverde (Sertão). Ele reúne vivências artístico-culturais nas funções de músico, produtor fonográfico, DJ, artista visual, professor e gestor da Pé-de-Cachimbo Records. 

Vibra se reconhece como mulher negra nordestina e periférica, com atuações para além da música, vivenciando dança, teatro, performance, artes visuais e cinema. Nas funções de DJ e produtora, performa pelo Brasil afora como pesquisadora de texturas e expressões, fortalecendo o protagonismo feminino e os fundamentos afrofuturistas/diaspóricos. Ela leva recortes raciais e de gênero para as pistas de dança. Já Eron Villar é ator, diretor, iluminador, dramaturgo, escritor e roteirista, com quase 30 anos de carreira artística e mais de 50 espetáculos de teatro, dança e obras audiovisuais. Ele é doutorando e mestre em Estudos Literários pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e graduado em Artes Cênicas pela UFPE, atuando com pesquisas sobre questões decoloniais e metaficcionais no universo do teatro e das histórias em quadrinhos. 

A temporada do espetáculo tem incentivo público, com o financiamento do edital do Sistema de Incentivo à Cultura (SIC), por meio da Fundação de Cultura da Cidade do Recife, da Secretaria de Cultura e da Prefeitura da Cidade do Recife. Além disso, reúne o apoio da Festa Literária das Periferias (Flup-PE), Festival Internacional Cena CumpliCidades, Centros Comunitários da Paz (Compaz) e Escola Pernambucana de Circo. A realização é coletiva entre Ananse Produções, Villa Luz e Vibra Lab. 

A equipe técnica mais atual de “Se eu fosse Malcolm?” é formada por profissionais locais: Salamandra (confecção de figurinos); Juannita Lyra (maquiagem); Nadjeckson Lacerda e Rodrigo Silva (operação de luz); Morgana Narjara e Colibri Audiovisual (vídeo); Brunna Martins e Ananse Produções (coordenação e produção executiva); Rafa Mattos (identidade visual e design); Dudu Silva (fotografia); Estúdio Dionísio - Brenda Lima e Deny Silva (gestão de redes sociais); Joselma Santos (acessibilidade em Libras); e Brenda Lima (assistência de produção). 

“Se eu fosse Malcolm?!” existe desde 2023, ano em que estreou no Teatro Hermilo Borba Filho (Bairro do Recife), pela programação do Festival Cena CumpliCidades. Daí para a frente, foi apresentado em festivais, teatros, escolas da rede de ensino pública e espaços culturais da Região Metropolitana do Recife, dos municípios do interior pernambucano (Agreste e Sertão) e do Nordeste. 

Em sua história, conquistou indicações no Festival Janeiro de Grandes Espetáculos (melhor espetáculo, ator, direção e trilha sonora) e agendas na Semana Afro Daruê Malungo (2023 - Centro de Educação e Cultura Daruê Malungo, no bairro Campina do Barreto, Recife), 30º Janeiro de Grandes Espetáculos (2024 - Teatro Capiba, no Sesc Casa Amarela, Recife), Festival Palco Giratório Sesc (2024 - Teatro Capiba), Festival Pernambuco Meu País (2024 - Arcoverde/PE, na Estação da Cultura), 30º Festival Nordestino de Teatro de Guaramiranga/CE (2024 - teatro municipal), Mostra de Literatura Sesc (2024 - Sesc Santo Amaro, Recife), Projeto de Ocupação Espaço O Poste (2024 - centro do Recife, bairro da Boa Vista), Festival de Teatro do Agreste (2024 - Caruaru/PE - Teatro Rui Limeira, pela Mostra PE). 

Revolução rebolativa 

Durante o espetáculo, Vibra chama o público para uma cena coletiva de celebração à dança  como uma manifestação de expressão de vida, movimentação corporal e identidade. Esse momento em grupo significa comemoração, felicidade e tecnologia negra ancestral de cura. 

“Rebolar, dançar e se mover são atos políticos. É por isso que criamos a revolução rebolativa… É afirmar o corpo, a liberdade e o direito de existir, lembrando sempre da diversão”. 

Formações pedagógicas

O projeto tem como objetivo compartilhar conhecimentos da arte, cultura e educação antirrascista por meio de oficinas, que proporcionam novas vivências de maneira coletiva. As atividades formativas são facilitadas por Vibra (tema: “Mixando a cena” - produção musical e discotecagem baseada na trilha sonora dos espetáculos “Se eu fosse Malcolm?!” e “Ilha Dois”) e Eron Villar (temática: “Dramaturgia da luz” - experiência prática de iluminação cênica durante a montagem do espetáculo em cada local). 

Os encontros da formação “Mixando a cena” ocorrem de 11 a 15 de maio (segunda-feira a sexta-feira), das 13h às 17h, no QG Vibra Multi (bairro: Santo Amaro - rua Capitão Lima, nº 410, Recife) e no Compaz Governador Eduardo Campos (bairro: Alto Santa Terezinha - avenida Aníbal Benévolo, S/N, Recife). Já a oficina “Dramaturgia da luz” acontece nos próprios espaços que recebem a apresentação do espetáculo: Escola Pernambucana de Circo, no dia 12/05 (terça-feira), das 13h às 17h; Escola de Referência em Ensino Médio Professora Helena Pugo, no dia 13/05 (quarta-feira), das 13h às 17h, e Compaz Professor Paulo Freire, no dia 14/05 (quinta-feira), das 9h às 13h.  

É importante dizer que a oficina na Escola Professora Helena Pugo acontece exclusivamente para estudantes, funcionárias e funcionários do espaço de ensino. 

“Se eu fosse Malcolm?!” (performance cênico-sonora; classificação indicativa: 14 anos de idade) - programação do mês de maio (2026) 

Confira a agenda de apresentações (datas, locais e horários) - entrada gratuita

12/05 (terça-feira): Escola Pernambucana de Circo (bairro da Macaxeira - avenida José Américo de Almeida, nº 5), às 19h;

13/05 (quarta-feira): Escola de Referência em Ensino Médio Professora Helena Pugo (bairro de San Martin - rua Quinze de Março, S/N), às 19h; exclusiva para estudantes, funcionárias e funcionários do espaço de ensino

14/05 (quinta-feira): Compaz Professor Paulo Freire (bairro do Ibura - Ladeira da COHAB, nº 405), às 15h.

Todas as sessões têm recurso de acessibilidade em Libras para pessoas com deficiência auditiva

Confira a agenda de oficinas (temas, datas, locais e horários)

Tema: “Mixando a cena” (facilitação: Vibra) - produção musical e discotecagem baseada na trilha sonora dos espetáculos “Se eu fosse Malcolm?!” e “Ilha Dois”

Data: 11 a 15/05 (segunda-feira a sexta-feira)

Locais: QG Vibra Multi (bairro: Santo Amaro - rua Capitão Lima, nº 410, Recife) e Compaz Governador Eduardo Campos (bairro: Alto Santa Terezinha - avenida Aníbal Benévolo, S/N)

Horário: 13h às 17h

“Dramaturgia da luz” (facilitação: Eron Villar) - experiência prática de iluminação cênica durante a montagem do espetáculo em cada local

12/05 (terça-feira): Escola Pernambucana de Circo, das 13h às 17h

13/05 (quarta-feira): Escola de Referência em Ensino Médio Professora Helena Pugo, das 13h às 17h

14/05 (quinta-feira): Compaz Professor Paulo Freire, das 9h às 13h


Ficha técnica (2026)

Direção, performance e encenação: Eron Villar e Vibra 

Idealização, texto, iluminação e cenografia: Eron Villar 

Concepção da trilha sonora e direção musical: DJ Vibra 

Produção musical da trilha sonora: DJ Vibra e D Mingus

Confecção de figurinos: Salamandra 

Operação de luz: Nadjeckson Lacerda e Rodrigo Silva

Maquiagem: Juannita Lyra  

Vídeo: Morgana Narjara e Colibri Audiovisual

Fotografia: Dudu Silva

Gestão de redes sociais: Estúdio Dionísio (Brenda Lima e Deny Silva)

Acessibilidade em Libras: Joselma Santos

Identidade visual e design: Rafa Mattos

Coordenação e produção executiva: Brunna Martins e Ananse Produções

Assistência de produção: Brenda Lima

 Incentivo público: financiamento do edital do Sistema de Incentivo à Cultura (SIC), por meio da Fundação de Cultura da Cidade do Recife, da Secretaria de Cultura e da Prefeitura da Cidade do Recife

Apoio: Festa Literária das Periferias (Flup-PE), Festival Internacional Cena CumpliCidades, Centros Comunitários da Paz (Compaz) e Escola Pernambucana de Circo

Realização: Ananse Produções, Villa Luz e Vibra Lab

Locais da circulação (Gira Recife): Teatro Hermilo Borba Filho (Bairro do Recife - centro) - RPA1, pelo Festival Internacional Cena CumpliCidades; Compaz Governador Eduardo Campos (bairro: Alto Santa Terezinha - Zona Norte) - RPA2, pela Festa Literária das Periferias (Flup-PE); Escola Pernambucana de Circo (bairro: Macaxeira - Zona Norte) - RPA3; Escola de Artes João Pernambuco (bairro: Várzea - Zona Oeste) - RPA4, pelo Festival Cena CumpliCidades; Escola de Referência em Ensino Médio Professora Helena Pugo (bairro: San Martin, Zona Oeste) - RPA5; e Compaz Professor Paulo Freire (bairro: Ibura, Zona Sul) - RPA6.