No próximo dia 25, o canal Pensar Africanamente, por meio da coluna O Pensador, realiza uma edição especial em homenagem a Baba Paulo Ifatide, marcando um ano de sua ancestralização.

Mais do que um gesto de memória, o encontro propõe um exercício de continuidade. Ao reunir convidadas e convidados que compartilharam caminhos com sua atuação, a live se coloca como um espaço de reflexão sobre os fundamentos que orientaram sua trajetória e que seguem organizando práticas, territórios e articulações no presente.

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Baba Paulo Ifatide foi uma liderança cuja atuação se inscreve na luta histórica do povo negro no Brasil. Seu percurso articula, de forma indissociável, o enfrentamento ao racismo, a defesa das tradições de matriz africana e a construção de formas coletivas de existência e organização nos territórios.

À frente do Centro Cultural Orùnmilá, consolidou um espaço de referência na promoção da ancestralidade africana como fundamento de vida, conhecimento e cidadania. Ali, tradição nunca foi tratada como resquício do passado, mas como tecnologia viva, capaz de produzir formação, mobilização e transformação social.

Sua atuação no campo das políticas públicas — incluindo a Cultura Viva — não se deu como um fim em si mesmo, mas como parte de uma estratégia mais ampla de afirmação de direitos e de disputa por reconhecimento.

É a partir dessa trajetória que a live se organiza, reunindo diferentes vozes que dialogam com seu legado a partir de experiências diversas:

Participa Danielle Osuniwe Osungbemi, filha de Baba Paulo Ifatide e Iya Neide Ribeiro, produtora cultural, Iyakekere do Egbe Awo Ase Iya Mesan Orun e integrante do Centro Cultural Orùnmilá, trazendo a perspectiva da continuidade familiar e territorial.

Também compõe a mesa Pedro Neto Inatobi, que atua na articulação de políticas para culturas tradicionais e populares no Ministério da Cultura, articulando reflexão acadêmica, atuação institucional e pertencimento às tradições de matriz africana.

Integra ainda o diálogo Kota Mulanji, médica pediatra, professora e integrante do Fórum Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional dos Povos Tradicionais de Matriz Africana, trazendo a interface entre cuidado, políticas públicas e ancestralidade.

Completa a mesa Silas Nogueira, professor e membro do Centro Cultural Orùnmilá, contribuindo a partir do campo da comunicação, da cultura e da formação.

Ao reunir essas trajetórias, a live propõe um espaço de retomada crítica do pensamento de Baba Paulo Ifatide, destacando dimensões centrais de sua atuação: a ancestralidade como fundamento político, o território como espaço de vida e resistência, e a organização coletiva como condição para a afirmação de direitos.

Em um contexto marcado pela persistência do racismo e pelos desafios enfrentados pelos territórios tradicionais, retomar esse percurso é também um gesto político. É afirmar que a luta pela dignidade, pelo reconhecimento e pela continuidade das tradições de matriz africana segue em curso — e exige organização, presença e incidência.

Um ano depois, Baba Paulo Ifatide permanece.

Naquilo que se constrói coletivamente.
Naquilo que se organiza.
Naquilo que insiste em existir.

Neste sábado, 25 de abril, às 14h, assista no link abaixo

https://youtube.com/live/SplJ0Qqc37w