Espaço para comunicar erros nesta postagem
A realização do I Festival Mais Mães no Rolê surge do movimento autoral de mesmo nome, assinado pela artista visual e grafiteira pernambucana Camila Barros, conhecida como Mila Barros. A programação gratuita ocorre em data única e na rua, no dia 31 de maio (domingo), da manhã até a noite (9h às 20h), exatamente na Praça do Mariano Teixeira, que fica na comunidade da Vila Cardeal, no bairro de Areias, Zona Oeste do Recife. A classificação indicativa é livre.
Com mais de dez horas de movimentação coletiva, realizada por mais de 30 mães-artistas, as atividades social, infantil e artístico-culturais do festival são originárias da cultura hip hop, focadas principalmente nas artes visuais e na valorização da pauta de gênero, entre outras: periférica; urbana; identidade racial; educação; classe; pertencimento; acolhimento; inclusão; e transformação social. A própria Mila Barros assina a criação e a coordenação geral.
A edição de estreia do festival traz oficinas de produção e imersão artística (graffiti e lambe-lambe); pintura de murais e ecobags/bolsas reutilizáveis, com a técnica do graffiti; roda de diálogos; batalhas de Tag e Breakdance/All Styles; feira colaborativa com produtos à venda de mães que são artistas visuais e empreendedoras; recreação e brinquedos para crianças; e apresentações artístico-culturais de referências femininas pernambucanas (música/DJ, poesia, canto, voz e show solo). Vale dizer que a Batalha de Tag (escritas urbanas) envolve graffiti e arte urbana onde artistas disputam para criar a assinatura (tag) mais criativa, rápida e expressiva, enquanto a All Styles/Breakdance (danças urbanas) é disputada individualmente, em duplas, trios ou grupos (crew).
“O que começou com uma frase na rua, um grito e um manifesto, hoje é coletivo. No caminho, outras mães grafiteiras foram se reconhecendo nessa ideia, se aproximando e compartilhando esse movimento. É por isso que pinto ‘Mais Mães no Rolê’, para que outras mães encontrem a liberdade que encontrei. Porque, mais do que trazer mulheres de volta para a cena, o que a gente quer é construir caminhos e espaços para que elas permaneçam”, conta Mila Barros, natural do Recife, sendo cria do bairro do Pina.
Além disso, é importante informar que as atividades educativas, como oficinas e rodas de diálogos, dispõem de acessibilidade em Libras (Língua Brasileira de Sinais) para pessoas com deficiência auditiva. O Festival Mais Mães no Rolê tem incentivo público, com o financiamento do edital do Sistema de Incentivo à Cultura (SIC), por meio da Fundação de Cultura da Cidade do Recife, da Secretaria de Cultura e da Prefeitura da Cidade do Recife.
“O Festival Mais Mães no Rolê surge para afirmar que ser mãe e artista não precisa caminhar em lados opostos. As ações do festival articulam e fortalecem de maneira afirmativa as mães que se desdobram em diversos segmentos, muitas vezes sem rede de apoio, e que ainda assim unem estratégias de sobrevivência em diálogo com a economia criativa e a produção cultural. Compartilhamos da ideia de que as mães, apesar de toda sobrecarga e exaustão cotidiana que lhes é responsabilizada, precisam ocupar os espaços com suporte estrutural e social para viver, trabalhar, estudar, sair para atividades de lazer e se manter produzindo arte”, destaca Mila.
O objetivo é justamente proporcionar um espaço de encontro, permanência e ocupação para mães artistas e suas famílias. No geral, a programação é aberta levando em consideração que os temas têm importância para o público masculino, inclusive pela oportunidade de escuta, conhecimento e coletividade. O festival consegue garantir o suporte para mães com a recreação infantil e o apoio pedagógico para as crianças no local, além de ser um momento de fortalecimento para aproveitar o “rolê”.
“O Festival Mais Mães no Rolê nasce como um grito, um manifesto e um lembrete: a gente pode continuar. Permanecer no rolê exige estrutura e cuidado. O que importa é lembrar que a maternidade não precisa nos afastar da arte, do graffiti, da cultura urbana, dos sonhos e dos locais que ocupamos. É por isso que o festival disponibiliza um espaço infantil com cuidadoras e oficinas para as crianças. Com isso, as mães podem viver esse festival com mais tranquilidade, presença e troca. Apoiar as mães é entender os caminhos para que elas continuem criando, cuidando, ocupando e resistindo ao fazer arte”, acrescenta Mila Barros.
O fato também de o festival ser realizado numa praça pública reforça a ideia de utilização, preservação e continuidade do espaço público, como local de lazer, encontro, respiro, descanso, convivência, cuidado, conexão, criação, afeto, sentimento etc.
“É na comunidade da Vila Cardeal, no bairro de Areias, onde concentra-se o maior número de praças do Recife e que ainda necessita de mais e novos movimentos culturais e artísticos. O bairro do Pina, onde nasci, me criei e sigo por lá, por exemplo, respira cultura hip hop e já temos várias mulheres desenvolvendo e realizando arte, educação, letramento etc. No Pina, existe hoje esse envolvimento com Coletiva Cabras, Livroteca Brincante do Pina e Coletivo Pão e Tinta. Inclusive, todas essas referências da cena artística chegam à comunidade Vila Cardeal, possibilitando o acesso ao lazer, à cultura e à informação”, afirma Mila.
A existência do Festival Mais Mães no Rolê significa gerar oportunidades de vivências na cultura de rua, com foco nas artes visuais urbanas: “Mãe no hip hop é revolução”, apresenta o movimento “Mais Mães no Rolê”. As mulheres envolvidas com o festival são de Pernambuco, sendo a maioria da Região Metropolitana do Recife (RMR) e de origem periférica. Elas atuam como artistas autorais, produtoras artísticas, culturais e musicais, arte-educadoras, poetas, dançarinas, grafiteiras, autoras, escritoras, facilitadoras, mediadoras e lideranças comunitárias.
A programação infantil reúne espaço de cuidado; oficina de pintura de ecobag com Bhianca Marcelino; brinquedos (pula-pula e piscina de bolinhas), pipoca e algodão doce; a social chega com oficina de lambe-lambe, por Anne Souza; feira colaborativa; Batalha de tag/escritas urbanas com Mary VF (juradas: Kali, Peni e Zamb); roda de diálogo (tema: “O corre da mãe”, com Bell Puã, Adelaide e Preta Anna); e Batalha All Styles com Duda Serafim (juradas: Briê, Artia e público); já no palco apresentam-se as DJ’s Flor de Liamba, Renna, Kananda PX e a cantora Sara Flor, ou seja uma trilha sonora feita por mulheres que movimentam a cultura hip hop. Além delas, Raiane Margot atua como mestra de cerimônia do encontro.
“Além de muito som, presença e potência feminina ocupando todo o festival, as rodas de diálogo têm mediação e convidadas mulheres referências na cena cultural de Pernambuco, trazendo uma troca de ideias ‘O Corre da Mãe Solo – nós não vamos parar’. Já como sub-tema, os obstáculos que enfrentamos, principalmente no meio artístico e por isso a importância de uma rede de apoio e as estratégias de sobrevivência e realidade que criamos para lidar com o patriarcado”, declara Mila.
Entre as artistas locais convidadas estão Adelino, AK, Alaska, Alien Preta Amena, Ariel, Barbaridad, Beca Bruxa, Caxi, Chian, Deusa, Dilira, Dounis, Edgleice Barbosa, Joana Dark, Jouse Barata, Lai, Leti Cafe, Lua Barral, Luiza Morgado, Lys, Magdala, Marcela de Castro, Naj, Nanda Cavalcanti, Roots, Tab. Cada uma vai receber o kit de pintura e brindes como forma de valorizar a luta.
As diversas mulheres que têm envolvimento direto com a programação ganham remuneração, com garantia de transporte e alimentação. O propósito é potencializar o bem-estar, a representatividade e a diversidade. Já indiretamente existe uma movimentação da economia comunitária por conta da realização local.
Mutirão de graffiti
“Maternidade em movimento” é o tema, reforçando que se articular durante a maternidade é um ato de criação. O Festival Mais Mães no Rolê também chama a atenção para a ocupação responsável da rua, avisando que, antes de grafitar qualquer muro, é obrigatório conversar com quem mora no local. O mutirão é aberto para qualquer artista que chegue para pintar, existindo um espaço já reservado na parede para as mães convidadas. Enquanto os muros ganham traços, cores e texturas, o cuidado com a mãe precisa acontecer, inclusive porque é um dia de arte, movimento e afeto.
Batalha All Styles
Ela é realizada para fortalecer a expressão, a liberdade do corpo e a valorização das culturas urbanas dentro do festival. Ao todo, são 16 pessoas participando, entre elas mulheres cis ou trans, e colocando a sua identidade, presença e movimento na pista durante uma disputa composta por troca, criatividade e energia. A campeã leva uma premiação de R$ 400 e brindes. Mais do que uma competição, a batalha é encontro e celebração da cultura hip hop.
Batalha de tag
A batalha de escritas urbanas atua com a criatividade, a identidade visual e a cultura das tags e das letras dentro da cena urbana. São oito artistas participantes, com apresentação de Mary VF e as juradas Kali, Peni e Zamb. Esse encontro de estilo e expressão da rua está com premiações que sempre levam arte: 1º lugar (uma tela de Bubu, R$ 200 e um voucher de design de sobrancelhas de Ladie Brows); 2º lugar (uma tela de Mary VF, adesivos e dois latas de spray); e 3º lugar (uma tela de Nana, uma bolsa baguete e adesivos).
Mila Barros
Recentemente, a artista Mila Barros escreveu: “Pintar, para mim, está relacionado a liberdade. Foi essa sensação que tive ao pegar a primeira lata de spray, eu já era mãe e já estava quase esquecendo de mim. A arte chegou, sem querer ser clichê, para me salvar”.
E ela continuou: “Por isso que pinto sobre amor, porque a arte foi uma das formas de rever meu amor próprio. É por isso que pinto personagens femininas e elementos ligados a minha comunidade, pois reafirmo meu local no mundo e afirmo nossos corpos e nossas histórias.
I Festival Mais Mães no Rolê (2026 - classificação indicativa: livre)
Data: 31 de maio (domingo)
Local: Praça do Mariano Teixeira (comunidade da Vila Cardeal, no bairro de Areias, Zona Oeste do Recife)
Horário: 9h às 20h (mais de dez horas de programação)
As atividades educativas, como oficinas e rodas de diálogos, têm acessibilidade em Libras (Língua Brasileira de Sinais) para pessoas com deficiência auditiva.
Confira as atividades da programação (cultura hip hop)
Geral
Painel de graffiti;
Oficinas (lambe-lambe e pintura de ecobags/bolsas recicláveis) - graffiti
Dj Flor de Liamba - música
Dj Kananda PX - música
Batalha de Tag com Mary VF - graffiti e arte urbana
Roda de diálogo “O corre da mãe” (Bell Puã, Adelaide e Preta Anna) - troca de conhecimento e escuta
Batalha All Styles com Duda Serafim (juradas: Briê, Artia e público) - dança urbana
Djs Flor de Liamba, Renna e Kananda PX e apresentação da cantora Sara Flor - música
Mestra de cerimônia/apresentação: Raiane Margot;
Batalha de tag/escritas urbanas (apresentação de Mary VF; e juradas: Kali, Pene e Zamb).
Artistas convidadas: Adelino, AK, Alaska, Alien Preta Amena, Ariel, Barbaridad, Beca Bruxa, Caxi, Chian, Deusa, Dilira, Dounis, Edgleice Barbosa, Joana Dark, Jouse Barata,, Lai, Leti Cafe, Lua Barral, Luiza Morgado, Lys, Magdala, Marcela de Castro, Naj, Nanda Cavalcanti, Roots e Tab
Mutirão de graffiti
Tema: “Maternidade em movimento”
Observação: antes de grafitar o muro, converse com quem mora no local
Espaços
Feira e brinquedos (pula-pula e piscina de bolinhas)
Infantil
Espaço de cuidado com oficinas e cuidadoras; oficina de pintura de ecobags/bolsas recicláveis com Bhianca Marcelino; brinquedos, pipoca e algodão doce
Social
Espaço reservado para as mães convidadas; oficina de lambe-lambe com Anne Souza; feira colaborativa; roda de diálogo “O corre da mãe”, com Bell Puã, Adelaide e Preta Anna; Batalha All Styles com Duda Serafim (juradas: Briê, Artia e público); e Batalha de tag/escritas urbanas (apresentação de Mary VF; e juradas: Kali, Pene e Zamb).
Palco
DJ’s Flor de Liamba, Renna, Kananda PX e cantora Sara Flor
Mestra de cerimônia: Raiane Margot
Ficha técnica
Idealizadora e coordenadora geral: Mila Barros
Coordenação de produção: Palas Camila
Produção: Naara, Iara Izna e Maria Flor
Contabilidade: Maíra Cabral
Identidade visual: Inay Victória
Design: Clara Monteiro
Coordenação de comunicação, audiovisual e fotografia: Thays Medusa
Audiovisual: Layane Santos
Incentivo público: financiamento do edital do Sistema de Incentivo à Cultura (SIC), por meio da Fundação de Cultura da Cidade do Recife, da Secretaria de Cultura e da Prefeitura da Cidade do Recife.
Publicado por:
Daniel Lima
Comunicador social & jornalista. De Caruaru/PE, criado no Recife. Atua com assessoria de imprensa artístico-cultural e atualmente é assessor de imprensa/mídias sociais do Coco Raízes de Arcoverde/PE.
Saiba MaisNossas notícias
no celular