Com mais de dez anos de existência, o Ponto de Cultura Quilombo Casa, na comunidade do Amaro Branco, em Olinda/PE, realiza a primeira atividade pública em sua nova sede. As atividades formativas de produção cultural comunitária e contracolonial ocorrem até o dia 16 de maio deste ano, sempre aos sábados. Vale destacar que foram mais de 150 inscrições recebidas para dez vagas, reunindo a população negra e indígena. O curso garante certificado.
Para incluir novas pessoas nesse acesso à produção cultural, o Quilombo Casa está com aulões pontuais na sede. O valor do investimento para participação é simbólico (confira no @quilombocasa).
“Nós acreditamos que a realização desses encontros amplia o compartilhamento sobre produção cultural a partir de um chão, de uma origem e de uma trajetória. A proposta de conteúdo reforça os posicionamentos da organização (Quilombo Casa) no mundo, que é de ancestralidade, território, contracolonialidade e quilombo”, declara Elaine Una, fundadora e matrigestora da Organização Comunitária Quilombo Casa.
Alexandre Henrique, Amanda Atíladê, Marcelo Renan e Mariana Reis também estão como profissionais das facilitações. Todas essas pessoas trazem vivências que dialogam diretamente com temáticas racial, comunitária, práticas anticoloniais e assuntos tantos técnicos como práticos para quem deseja ou atua com arte, cultura e educação.
“O Quilombo Casa potencializa os envolvimentos e as diversas articulações artístico-culturais relacionadas ao território, memória, comunicação, tecnologia, gestão e produção executiva”, acrescenta Elaine Una.
Os temas são “Questionando lógicas coloniais e valorizando saberes locais: o que é o Método de Aquilombamento?” (facilitação por Elaine Una); “Tecnologias de som e imagem para o trabalho de produção cultural” (Alexandre Henrique); “Comunicação e Assessoria” (Mariana Reis); “Patrimônio, memória e contracolonialidades para a manutenção de grupos de cultura popular” (Marcelo Renan); “Elaboração de Projetos” (Elaine Una); “Produção Executiva de Eventos e Empreendedorismo” (Amanda Atíladê); e “Vivência Prática” (lançamento do CD da mestra Una e Coco do Farol).
A abertura aconteceu na Escola Sagrado Coração de Jesus, no próprio bairro do Amaro Branco, no dia 21 de fevereiro deste ano. Esse encontro inaugural foi mediado por Elaine Una. Ela também é educadora, coquista, gestora, pesquisadora e produtora cultural, além de criadora da comunidade de Boas Práticas “Procult Aquilomba”.
“É mais do que uma capacitação, é o aquilombamento, a coletividade, a troca, a prática e a afirmação cultural, valorizando o conceito do contracolonialismo, que é um pensamento do líder quilombola e escritor Nego Bispo”, complementa Elaine Una.
A iniciativa tem incentivo público, com o financiamento pelo edital da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB), por meio do Ministério da Cultura e Governo Federal, e apoio da Prefeitura de Olinda e Secretaria de Patrimônio e Cultura de Olinda.
Lançamento do CD da mestra Una e Coco do Farol
Como momento prático, as pessoas envolvidas com as aulas estão garantidas na equipe Procult Aquilomba para atuar na produção do lançamento do álbum musical da mestra Una e Coco do Farol, no mês de maio, no Amaro Branco.
Confira a agenda
14 de março
Tema: Tecnologias de som e imagem para o trabalho de produção cultural
Profissional: Alexandre Henrique
28 de março
Tema: Comunicação e Assessoria
Profissional: Mariana Reis
11 de abril
Tema: Patrimônio, memória e contracolonialidades para a manutenção de grupos de cultura popular
Profissional: Marcelo Renan
25 e 26 de abril
Tema: Elaboração de Projetos
Profissional: Elaine Una
02 de maio
Tema: Produção Executiva de Eventos e Empreendedorismo
Profissional: Amanda Atíladê
16 de maio
Vivência prática
Lançamento do CD da Mestra Una e Coco do Farol
Ficha técnica
Facilitação: Alexandre Henrique, Amanda Atíladê, Elaine Una, Marcelo Renan e Mariana Reis
Equipe de produção local: Eduarda Galvão, Emmanuel Alves, Horlevan Antony e Lucas Anunciação
Fotografia: Diego Silfer