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O desarmamento de milícias na Guiné-Bissau foi classificado pela Liga Guineense dos Direitos Humanos como um potencial sinal de rompimento com o regime anterior, embora a organização alerte que a acção isolada não basta para superar a profunda crise institucional que o país atravessa actualmente.
Segundo Bubacar Turé, presidente da entidade, as forças irregulares que operavam fora do comando militar oficial foram estruturadas pelo poder político deposto para garantir proteção ao antigo governo, levantando sérias preocupações sobre violações de direitos humanos.
Apesar de ver com bons olhos a iniciativa de recolha de armas por mitigar riscos imediatos de violência, a organização enfatiza a necessidade de esclarecer a origem do armamento e a identidade dos responsáveis pelo recrutamento desses grupos armados.
Além disso, a Liga aponta que o processo de redemocratização exige passos urgentes, como a libertação imediata de civis e militares alvos de detenções arbitrárias, além de investigações transparentes sobre raptos e alegadas execuções sumárias.
Outro ponto nevrálgico destacado pela liderança é a autonomia do sistema judicial. Sem uma justiça verdadeiramente independente e livre de pressões políticas, o país dificilmente conseguirá responsabilizar os autores de abusos do passado.
Por fim, a organização defende que a superação da instabilidade política na Guiné-Bissau requer um diálogo inclusivo, franco e transparente entre todos os actores locais, tendo no centro o respeito estrito à Constituição e aos direitos fundamentais.
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