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O líder do PAIGC, Domingos Simões Pereira, manifestou forte preocupação com a crise na Guiné-Bissau após o anúncio oficial de que as eleições legislativas de 6 de dezembro não serão realizadas. Em pronunciamento nesta quinta-feira, o político alertou que a junta militar que comanda o país temporariamente não deve se perpetuar no poder, exigindo um cronograma claro de redemocratização.

Para o presidente da Assembleia Nacional Popular, a impossibilidade de realizar o pleito na data prevista não foi uma surpresa. Ele explicou que os prazos legais para a apresentação de candidaturas já haviam expirado, tornando o adiamento uma mera formalidade política de um processo que já estava tecnicamente inviabilizado.

Decisão da CEDEAO e oposição à junta

Simões Pereira aproveitou para saudar a recente decisão judicial do tribunal da CEDEAO, que condenou o Estado guineense a pagar uma indenização de 30 milhões de francos CFA (cerca de 46 mil euros) a cinco políticos detidos arbitrariamente durante o golpe militar, grupo do qual ele próprio faz parte.

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Segundo o líder partidário, a sentença internacional confirma o caráter ilegal e autoritário das prisões efetuadas. Ele traçou um paralelo preocupante com regimes militares da Aliança dos Estados do Sahel, como Níger, Mali e Burkina Faso, alertando que a Guiné-Bissau não deve seguir o mesmo caminho de consolidação de governos de força.

Atualmente em Portugal, o político revelou incerteza sobre o seu retorno a Bissau. O prazo de três meses concedido pela Justiça para sua viagem expira em outubro, e Simões Pereira ainda não definiu quais serão seus próximos passos políticos após o encerramento desta licença.

FONTE/CRÉDITOS: Vitor Lúcio Andrade