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A porta-voz do principal partido de oposição em Moçambique garantiu que a liderança da Renamo não sofrerá alterações imediatas. Durante o Conselho Nacional marcado para os dias 21 e 22 de outubro, em Maputo, o atual presidente Ossufo Momade não irá renunciar ao cargo, contrariando as especulações de críticos internos após o anúncio de que ele não buscará a reeleição no próximo congresso.

O porta-voz da organização, Marcial Macome, explicou que existe uma distinção clara entre os fóruns partidários. Segundo Macome, a decisão de Momade de não concorrer a um novo mandato refere-se exclusivamente ao próximo congresso, e não à reunião do Conselho Nacional, que possui funções deliberativas distintas.

Pressão interna e contestação política

A liderança de Ossufo Momade enfrenta forte contestação de alas internas. Figuras como o ex-deputado António Muchanga e grupos de antigos guerrilheiros exigem publicamente a sua saída imediata. Recentemente, ex-combatentes ameaçaram desestabilizar a legenda caso fossem excluídos dos debates do Conselho Nacional.

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A contestação intensificou-se após o fraco desempenho eleitoral em 2024. Momade obteve apenas 6% dos votos nas presidenciais, o pior resultado histórico da Renamo. O revés fez o partido perder o posto de maior força de oposição para Venâncio Mondlane, apoiado pelo partido Podemos.

Calendário e transição partidária

Embora a data do próximo congresso ainda não esteja definida, a previsão é que ocorra em 2028, antecedendo as eleições gerais de Moçambique em 2029. Até lá, Momade pretende conduzir o partido, defendendo que qualquer transição de poder deve seguir rigorosamente os estatutos internos da Renamo.

Ossufo Momade, de 64 anos, assumiu o comando do partido em 2018, após a morte do líder histórico Afonso Dhlakama. Desde então, ele tem minimizado as críticas internas, classificando as divergências como parte natural da história democrática da Renamo.

FONTE/CRÉDITOS: Vitor Lúcio Andrade