O músico, advogado e produtor cultural Pablo Honorato Nascimento lança a obra "Pequeno Catálogo de Música Africana e Afrodiaspórica: Contra a Tese do Primitivismo Musical", um manifesto teórico e artístico que desafia as narrativas coloniais sobre a produção sonora negra. O livro é fruto de anos de pesquisa e propõe uma revisão crítica sobre como o Ocidente classificou, de forma pejorativa e limitada, as expressões musicais africanas como tecnicamente inferiores ou puramente instintivas.
Desconstruindo o pensamento eurocêntrico na arte
A publicação apresenta um panorama comparativo que demonstra a sofisticação rítmica e a densidade estética das práticas musicais africanas e suas continuidades no Brasil. Ao questionar categorias herdadas do pensamento colonial europeu, Pablo Honorato evidencia que o que muitas vezes foi rotulado como "atraso" ou "primitivismo" é, na verdade, um campo dinâmico de reinvenção e alta tecnologia ancestral. A obra dialoga diretamente com a prática da Orquestra de Música Negra da Paraíba, dirigida pelo autor, conectando a teoria à experiência artística viva.
Matriz civilizatória e direitos humanos
Além de sua trajetória artística, a atuação de Pablo no Núcleo de Cidadania e Direitos Humanos da UFPB confere à obra uma perspectiva ética e política profunda. O livro também é um resultado das atividades do Centro de Pesquisa em Cultura Negra da Paraíba, sob a direção de Tatiane Ferreira de Jesus. Juntos, esses esforços buscam a descolonização do pensamento, posicionando a música africana não apenas como entretenimento, mas como uma matriz civilizatória fundamental para a formação cultural e identitária de todas as Américas.
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